SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Sintrajufe/RS participa do lançamento do Fórum Institucional de Defesa da Justiça do Trabalho

Foi lançado nessa quinta-feira, 7, o Fórum Institucional de Defesa da Justiça do Trabalho (Fidejust). O lançamento do Fórum, que agrega mais de vinte entidades na luta contra a extinção e pela valorização da Justiça do Trabalho, ocorreu em um ato público no Plenário Milton Dutra do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4). O Sintrajufe/RS participa do Fórum e esteve na mesa de lançamento representado pelo diretor Cristiano Moreira, além de outros dirigentes que compareceram ao Plenário.

O objetivo do Fidejust é fortalecer a luta institucional em defesa da JT, respondendo à preocupação gerada a partir de declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que pretende extinguir o ramo. Através da unidade entre as entidades e de um amplo trabalho de comunicação via internetcentro das atividades do Fórumpretende-se fortalecer o diálogo com o conjunto da população a respeito da importância da Justiça do Trabalho para a garantia de direitos e de equilí­brio entre capital e trabalho.

“Nossa vitória não será por acidente”

No lançamento, o auditório esteve lotado, com grande comparecimento de servidores e magistrados. Logo na abertura, foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem às ví­timas do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Depois, fizeram uso da palavra representantes de diversas entidades que compõem o Fidejust.

 

Foto Inacio do Canto Rocha Filho

O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, em sua fala, saudou a ampla unidade construí­da no Fidejust e destacou os atos que já têm ocorrido em Porto Alegre, no interior do Rio Grande do Sul e em Brasí­lia em defesa da Justiça do Trabalho. O dirigente lembrou que os ataques à Justiça do Trabalho não são de hoje, e que já houve falas de governantes e parlamentares nesse sentido em outros momentos. Mas, avaliou, agora o momento é ainda mais preocupante, já que o atual governo não tem nenhum pudor em defender que as mulheres ganhem menos que os homens, em falar que os trabalhadores têm direitos demais, e que chega a propostas “caricatas” como a da carteira de trabalho verde-amarela. Além disso, lembrou, pela primeira vez um presidente da República defende em rede nacional a extinção da Justiça do Trabalhojá tendo, inclusive, sido concretizado o fim do Ministério do Trabalho. “Quem ousaria levantar essa bandeira do fim da JT não seriam outros senão aqueles para quem o lucro está acima, inclusive, das nossas vidas?”, questionou.

Cristiano relacionou, ainda, a proposta de extinção da JT à série de ataques que os trabalhadores vêm sofrendo, começando pela reforma trabalhista aprovada por Temer, passando pelos cortes de gastosno qual a Justiça do Trabalho foi especialmente afetadae chegando-se a um cenário de desemprego recorde e grande crescimento do subemprego. Nesse sentido, avaliou que não se trata de uma luta corporativa, motivo pelo qual a bandeira de defesa da JT precisa ser levada para as ruas a partir da compreensão do retrocesso civilizatório e da barbárie que se instalaria no paí­s caso a ideia se concretizasse. É preciso, assim, defendeu Cristiano, dialogar com o conjunto dos trabalhadores e compreender esse tipo de projeto como inserido em um contexto amplo de ataques a direitos, que passam também pela reforma da Previdência. A mobilização, destacou, é o único caminho possí­vel: “Eu não tenho nenhum otimismo no que diz respeito ao que possa vir de parte do governo, mas eu acredito muito na força do conjunto da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e de todos aqueles que têm disposição de fazer essa luta e esse enfrentamento em defesa da democracia, dos nossos direitos e da Justiça do Trabalho”, disse Cristiano, antes de concluir: “Nossa vitória não será por acidente”.

Veja aqui o ví­deo com a í­ntegra da fala.

Lembrança de Brumadinho, crí­tica à desregulamentação do trabalho e defesa da JT

Além de Cristiano, representates de outras entidades também fizeram pronunciamentos. O caso de Brumadinho foi destacado em algumas falas, sendo classificado como “o maior acidente de trabalho da história do Brasil”, mais uma demonstração de que a Justiça do Trabalho é mais indispensável do que nunca, frente a esse contexto de busca pelo lucro acima de tudoinclusive de vidas humanas. Os presentes destacaram que é preciso inverter essa lógica, que a dignidade do ser humano deve estar acima de tudo, e que a Justiça do Trabalho é uma instituição fundamental nesse sentido, central para a defesa da cidadania.

Alertou-se, ao mesmo tempo, para o processo de desregulamentação do mundo do trabalho e de precarização da legislaçãocom a reforma trabalhista como o maior exemplo “, o que, além de dificultar o combate ao trabalho infantial, ao trabalho escravo e a outras atrocidades, abre caminho para que crimes como os de Brumadinho e Mariana voltem a ocorrer. Assim, os representantes das entidades que compõem o Fidejust sublinharam a importância de aliar a defesa da Justiça do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e do já extinto Ministério do Trabalho com a luta contra quaisquer medidas que gerem desregulamentação trabalhista.

Participantes

Além do Sintrajufe/RS, são participantes do Fidejust o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (AmatraIV), a Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat), a Associação Gaúcha dos Advogados Trabalhistas (Agetra), a Associação dos Advogados Trabalhistas de Empresas no Rio Grande do Sul (Satergs), o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS), a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), a Procuradoria Geral do Estado do RS (PGE-RS), a Associação de Juí­zes do Rio Grande do Sul (Ajuris), a Associação dos Peritos na Justiça do Trabalho (Apejust), a Associação Juí­zes para a Democracia (AJD), a Associação Latino-Americana dos Juí­zes do Trabalho (ALJT), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), a Fundação Escola da Magistratura do Trabalho do Rio Grande do Sul (Femargs/RS), o Instituto de Pesquisas e Estudos Avançados da Magistratura e do Ministério Público do Trabalho (Ipeatra), a Associação de Oficiais de Justiça Avaliadores Federais do Rio Grande do Sul (Assojaf-RS), o Conselho de Diretores de Secretaria da Justiça do Trabalho da 4ª Região (Coditra), a Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas), a Central única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Federação Nacional das Associações de Oficiais de Justiça Avaliadores Federais (Fenassojaf), o Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora (Intersindical), o Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Tributária do Estado do RS (Sindifisco-RS) e o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do RS (SindPPD-RS).