Como parte da extensa programação do Novembro Negro do Sintrajufe/RS, o sindicato esteve presente, nessa terça-feira, 20, na Marcha Zumbi Dandara. A atividade de mobilização marcou o Dia da Consciência Negra em Porto Alegre com um grande chamado coletivo à resistência.
A partir das 17h, representantes de diversos setores do movimento negro, das organizações de juventude e de alguns sindicatos começaram a se reunir no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público. Ali, lideranças se revezaram ao microfone denunciando as diversas formas de violência racista sofrida pelos negros e negras no Brasil. Defenderam os territórios indígenas e quilombolas, as religiões de matriz africana, a cultura populardo carnaval à capoeira “, as ações afirmativas, e também chegaram a pautas mais amplas, como a luta contra as reformas trabalhista e da Previdência. Foram tratadas pautas da cidade e do país, desde a tentativa de reintegração de posse no Quilombo dos Lemos até as declarações racistas do futuro presidente da República. Tudo com o objetivo de ressaltar o difícil cenário que já vivemos e que teremos pela frente no próximo período, tornando-se ainda mais importante fortalecer a resistência coletiva.
Onir Araújo, da Frente Quilombola, lembrou também recentes assassinatos políticos de lideranças negras ao defender que o racismo estrutural da sociedade brasileira seja combatido: Nossa luta não é evento, não é show, não é pedir esmola para ser integrado num sistema que nos mata, que nos oprime, que gerou as mortes da Marielle e do Mestre Moa do Katendê , disse.
Após as falas, iniciou-se a marcha, descendo a avenida Borges de Medeiros em direção ao Largo Zumbi dos Palmares. No trajeto, a Academia de Samba Puro, escola de samba do bairro Partenon, puxou a caminhada com muita música e energia para reforçar a luta e a unidade. Rodas de capoeira também acompanharam a marcha e, depois, seguiram após seu final. Às diversas bandeiras que tremularam no caminho, somavam-se as do Sintrajufe/RS, com o logotipo do sindicato coloca sobre as cores símbolo das lutas do povo negro: vermelho, amarelo e verde.
A caminhada foi encerrada já perto das 21h, no Largo Zumbi dos Palmares, com mais falas de lideranças que voltaram a destacar que a palavra e a atitude a guiar o próximo período não podem ser outra que não a resistência.
Novembro Negro do Sintrajufe/RS
Com debates, palestras, intervenções e ações culturais, o Sintrajufe/RS convida a categoria a participar da programação do Novembro Negro que o sindicato vem promovendo desde o início do mês. No dia 7, a programação foi aberta com um debate  sobre as reformas trabalhista e da Previdência e seus efeitos sobre a população negra. Já foram realizadas, também, intervenções culturais  nos locais de trabalho, dialogando com a categoria sobre o racismo cotidiano.
A próxima atividade acontece como parte do IX Congresso Estadual do Sintrajufe/RS, no sábado, 24, com apresentação musical do grupo 50 Tons de Pretas, formado por cantoras e instrumentistas negras, com um repertório de sambas, clássicos da MPB e canções autorais. Confira abaixo a programação para as próximas semanas:
24 de novembro, 19h, no Hotel Embaixador (Rua Jerônimo Coelho, 354, Porto Alegre)
Apresentação das 50 Tons de Pretas dentro da programação cultural do IX Congresso Estadual do Sintrajufe/RS
28 de novembro, 19h, no Salão Multicultural do Sintrajufe/RS
Tire seu racismo do caminho que eu quero passar com a minha Cor
Coletivo de Mulheres NegrasAtinuké e Rafuagi estarão presentes para conversar e refletir sobre a realidade da juventude negra e sua ação política a partir da centralidade e do protagonismo das mulheres negras. É sob a perspectiva das diversas intersecções que perpassam essas vidas que nossa conversa terá como ponto de partida temas como a solidão da mulher negra, a responsabilização frente à paternidade e à maternidade, o mundo do trabalho, a participação na política e na cultura (esta última como forma de narrativa de vida e de transformação social). A atividade contará também com a participação de mulheres slammers: aguarde!
Artistas: Rafuagi e Coletivo Atinukés
29 de novembro, 19h, no Quilombo dos Lemos (Av. Padre Cacique, 1250)
O Racismo Estrutural e Estruturante e o Poder Judiciário” e Roda de Samba
Debate sobre a criminalização dos negros, em especial a abordagem do Judiciário frente à juventude negra e aos territórios quilombolas
Debatedores: Karen Luise Vilanova Batista de Souza Pinheiro, juíza estadual da comarca de Porto Alegre; Elaine Lídia Craus, servidora da Justiça do Trabalho; Leandro Soares, advogado criminalista; Onir Araújo, advogado da Frente Quilombola









