O Núcleo de Aposentados e Pensionistas do Sintrajufe/RS (NAF) realizou, na última quinta-feira, 8, seu XXI Encontro Estadual, na sede do sindicato. Ao longo de todo o dia, os colegas debateram a conjuntura nacional, refletiram sobre a vida na aposentadoria e realizaram atividades lúdicas e de confraternização.
O encontro foi aberto pela diretora do Sintrajufe/RS e coordenadora do NAF Eliana Falkembach e pelo também diretor Cristiano Moreira. Cristiano lembrou que, no último Encontro Estadual, debatia-se o risco de retrocessos, muitos dos quais acabaram se consolidando. Por outro lado, ao menos por enquanto, a reforma da Previdência foi derrotada pela mobilização dos trabalhadores. Agora, destacou, os riscos aumentam com a chegada à Presidência de Jair Bolsonaro, que quer uma reforma da Previdência ainda mais prejudicial aos trabalhadores e faz ampliar a ameaça à Justiça do Trabalho, à autonomia do Poder Judiciário e a muitos outros direitos. “O Sintrajufe, junto com os aposentados, vai estar no lado da resistência. Sempre lutamos para defender nossos direitos contra qualquer governo, dessa vez não vai ser diferente”, prometeu.
Em seguida, o advogado Gabriel Weber, do escritório Young, Dias, Lauxen & Lima, que presta assessoria jurídica ao Sintrajufe/RS, falou sobre ações de interesse dos aposentados que estão em andamento neste momento. Veja AQUIÂ a situação de cada ação. Ao final, os presentes puderam esclarecer dúvidas sobre situações jurídicas da categoria.
Conjuntura
A primeira mesa do Encontro tratou da conjuntura nacional e teve como painelista o professor de Economia da Unicamp Plínio de Arruda Sampaio Junior, com mediação da diretora do sindicato e coordenadora do NAF Iria Edinger. Para ele, o ponto de partida pra entender a realidade brasileira é entender o impacto devastador da crise capitalista sobre a economia brasileira, uma crise que é política e social e que, na economia, vem gerando um processo de desindustrialização do país, transformado em economia de tipo colonial: sem autonomia, reflexa, que fica ao sabor dos humores da economia internacional. Na área política, para Plínio, o que estamos vendo é o fim da Nova República, e a solução que vem sendo dada é a solução do capital, de cima para baixo, preservando-se os interesses dos grandes, ofensiva esta que se traduz em uma ofensiva sobre o trabalho: “a palavra de ordem do capital no mundo todo é reduzir o nível tradicional de vida dos trabalhadoresmenos salário, menos direitos, menos aposentadoria”, disse o professor, esclarecendo que essa é a resposta do capital à crise econômica em todo o mundo e que, no Brasil, o projeto é gerar uma economia baseada em produtos primários e em um trabalho “neoescravo”, precarizado, com baixos salários e sem direitos.
Ao mesmo tempo, para Plínio, uma situação assim desperta necessariamente a reação da classe trabalhadora, que já esteve expressada em 2013, tendo como resultado uma outra reação, das classes dominantes, que começa a articular uma “contrarrevolução”, “trucidando o sistema político brasileiro”. Forma-se, assim, uma disputa entre o velho e o novo, entre a preservação e a mudança. O problema, apontou Plínio, é que o que se encontra para se colocar no lugar do velho é ainda mais velho: Jair Bolsonaro e sua intervenção militar, “uma espécie de Temer com um tacape pra dar na cabeça dos trabalhadores, fazendo o que há de mais tradicional na vida nacional, que é resolver os problemas de cima pra baixo e de maneira autoritária”. Conforme o economista, porém, apenas a fantasia permite transformar Bolsonaro em algo novo, mas a ficha da população deve cair rapidamente, de forma que os conflitos irão emergir cada vez com mais força e rapidez. Nesse contexto, defende, a esquerda precisa estar pronta, entendendo que o jogo agora é outro, que o trabalhador poderá contar cada vez menos com as instituições, devendo contar apenas com sua “força real”, a mobilização e a luta coletiva. “Neste momento”, concluiu, “a classe tem duas tarefas básicas: resistir (com unidade máxima e criando força real); e construir um projeto alternativo, porque não vamos poder resistir pra sempre. Temos que disputar o novo. No lugar da intervenção militar, temos que ter intervenção popular”.
Muitos colegas presentes fizeram perguntas e apresentaram seus pontos de vista, sempre com a preocupação em construir a defesa de direitos e compreender a realidade em que estamos inseridos. No encerramento da mesa, a diretora Iria Edinger fez questão de ressaltar a necessidade de pautarmos as lutas dos trabalhadores na solidariedade e na unidade como único caminho para evitar retrocessos piores.
Nova coordenação e delegados ao Congresso Estadual
No início da tarde, os presentes ao Encontro realizaram duas votações, elegendo os delegados dos aposentados para o IX Congresso Estadual do Sintrajufe/RS e a nova coordenação do NAF. Na primeira votação, foram duas chapas: a Chapa 1Luta Sintrajufe recebeu 19 votos, elegendo quatro delegados; já a Chapa 2Democracia e Luta teve 18 votos, o que representa três delegados.
A coordenação foi escolhida a partir de uma composição, resultando em uma chapa única eleita por aclamação. Farão parte da nova gestão do NAF as colegas Iria Edinger, Luiza Secco, Arlene Barcellos e Marli Zandona.
Na sequência, foi aprovado o plano de lutas proposta pela coordenação, com alguns acréscimos sugeridos pelos presentes.
Inclusão digital
A atividade seguinte foi uma palestra com o tema “Inclusão digital e idosos: benefícios e conexões”, com a psicóloga Valéria Gonzatti. Ela iniciou sua palestra explicando que há muitos formas de comunicação, mas que é importante pensar na qualidade dessa comunicação. Por isso é preciso pensar na inclusão digital como uma soma entre a disponibilidade de dispositivos para o uso das novas tecnologias e a capacidade das pessoas para utilizá-los.
Valéria enfatizou que, no processo de envelhecimento, há declínios e ganhos, e que a inclusão digital pode ajudar a fortalecer os ganhos e compensar declínios, possibilitando a manutenção da vida ativa dos aposentados, engajamento social, exercícios mentais, entre outras vantagens. Ela citou estudos que demonstram que o uso da internet reduz a solidão dos idosos, fazendo com que se sintam menos desprezados e exercitem mais a comunicação: “a internet faz da vida dos idosos mais ativa e possibilita aprendizados constantes”, disse, ressaltando que a utilização das novas tecnologias também estimula a aprendizagem, a autonomia, o uso da linguagem e a criação de novas redes sociais. Por fim, realizou um exercício via internet, no qual os presentes acessaram um site e escreveram o que entendem por “inclusão digital”. Valéria ainda deu dicas sobre caminhos para vencer as dificuldades com as novas ferramentas, encerrando-se a atividade com perguntas e colocações dos colegas.
Diversão e confraternização
No final da tarde, o XXI Encontro Estadual teve espaço para um divertido jogo em que os colegas tiveram que adivinhar nomes de filmes a partir de músicas e de mímicas, com participação empolgada de todos. Em seguida, uma confraternização encerrou o Encontro com salgadinhos, sucos, bate-papo e alto astral.









