SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Cármen Lúcia encerra biênio de paralisia na pauta dos servidores do Judiciário

Dentro e fora do Judiciário, o balanço que muitos fazem a respeito da gestão da ministra Cármen Lúcia, que nessa quinta-feira, 13, encerrou seu biênio na Presidência do STF, é que ela alimentou mais expectativas do que cumpriu. Foi assim com a crise do sistema carcerário, com a intensificação dos conflitos entre o Judiciário e os demais Poderes e com a guerra interna no próprio STF, só para citar alguns exemplos.

Em relação aos servidores, como principal gestora da Justiça brasileira, a ministra também deixou como legado o não cumprimento de compromisso e a intransigência de sequer receber as entidades representativas.

Projeto salarial

Quando Cármen Lúcia assumiu a Presidência do Supremo, em setembro de 2016, os servidores acabavam de ter conquistado a reposição salarial, após mais de uma década em que os vencimentos ficaram praticamente congelados e de uma greve que marcou a história da categoria.

Dividida em oito parcelas semestrais, a reposição começou a ser paga em julho daquele ano. A última parcela incide sobre os vencimentos em janeiro de 2019 e até agora o STF não abriu nenhum canal de negociação com a categoria sobre um novo projeto salarial. A ministra Cármen Lúcia não encaminhou essa questão, que ficará para seu sucessor, Dias Toffoli.

Há dois anos, a Fenajufe e os sindicatos que representam os servidores esperavam que, livre da urgência de discutir a questão salarial, a ministra pelo menos se debruçasse sobre outros pontos da pauta de reivindicações da categoria.

Esses pontos foram apresentados à então presidente do STF em dezembro do ano passado, na única reunião que ela teve com dirigentes da federação, um ano e três meses depois de assumir o cargo. Ao longo do ano, a Fenajufe havia feito 14 solicitações de reunião.

Carreira, jornada, quintos¦

Na ocasião, os servidores pediram a retomada dos trabalhos da Comissão Interdisciplinar para discutir a carreira no Judiciário Federal, a instalação de um fórum permanente de negociação da polí­tica salarial, a mudança da escolaridade exigida para o cargo de técnico judiciário (passando a exigir ní­vel superior), a regulamentação nacional da jornada de seis horas de trabalho e o encerramento das discussões sobre a criação de carreiras exclusivas nos tribunais superiores.

Os dirigentes também se manifestaram contra a declaração de inconstitucionalidade do pagamento dos quintos incorporados e contra a proposta do ministro Gilmar Mendes de editar súmula vinculante para cassar o direito aos 13,23%. A ministra não se posicionou em relação a nenhum desses itens, limitando-se a dizer que marcaria um novo encontro depois de estudar os itens, o que nunca aconteceu.

Um único ponto da pauta avançou um pouco depois daquela reunião: o auxí­lio-alimentação e o auxí­lio-creche foram reajustados neste ano pelo IPCA do ano passado, após edição de portaria conjunta dos tribunais superiores, mas a inflação de 2016 foi ignorada. Os servidores haviam reivindicado durante o encontro que o Judiciário usasse as sobras orçamentárias para fazer a correção dos benefí­cios. Se Cármen tivesse atendido à demanda autorizada na Lei de Diretrizes Orçamentárias e compatí­vel com o orçamento do Poder, o reajusteque ficou em 2,95%seria de 9,43%.

Teto de gastos

Como presidente do CNJ, Cármen Lúcia investiu no avanço da informatização do Judiciário sem promover discussões sobre o impacto disso na saúde dos servidores e sobre as metas de produtividade impostas à categoria. O combate ao assédio moral e sexual no Judiciário também sequer foi debatido.

Na Presidência do STF, o perí­odo de Cármen Lúcia foi marcado ainda pela antecipação das restrições orçamentárias criadas pela emenda constitucional 95/2016, que congela os gastos do Judiciário e de todo o serviço público por 20 anos. Os efeitos vão desde os drásticos cortes de custeio até a falta de reposição do quadro funcional, com o consequente aumento da sobrecarga de trabalho dos servidores. Ao mesmo tempo, as discussões sobre a reforma da Previdência aceleraram os pedidos de aposentadoria no Judiciário e agravaram o déficit de servidores.

Tanto num caso como no outro, a ministra não se pronunciou. Ela também silenciou quando seu sucessor, Dias Toffoli, procurou o Executivo para negociar um reajuste de 16,38% no subsí­dio dos ministros do STF, para mais de R$ 39 mil. A ministra publicamente sempre se manifestou contra o auxí­lio-moradia, mas sua gestão se encerrou também em silêncio sobre a escandalosa movimentação de seus colegas de toga para incorporar o benefí­cio aos vencimentos.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Sintrajud/SP