SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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CNJ tenta restringir liberdade de expressão dos servidores

Por meio do provimento 71, divulgado em junho, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está tentando cercear a liberdade de expressão de magistrados e servidores. O provimento foi baixado dia 13 de junho pelo corregedor do órgão, ministro João Otávio de Noronha. O ato dispõe sobre o uso do e-mail institucional pelos membros e servidores do Poder Judiciário e sobre a manifestação nas redes sociais e vem sendo avaliado como mais um instrumento de intimidação e restrição à liberdade de expressão.

O tema ganhou maior gravidade quando, agora, no dia 8 de agosto, o corregedor regional do TRF4 publicou decisão respaldando e reforçando o provimento do CNJ, o que pode gerar efeitos práticos preocupantes no âmbito do tribunal. Embora o pretexto seja o de coibir abusos, o resultado de uma decisão como essa é a restrição de um direito básico dos cidadãos. O provimento coí­be magistrados e servidores de participarem do debate público e das discussões polí­ticas, um caminho que causa grave preocupação.

Mecanismos para responsabilizar magistrados e cidadãos em geral por excessos ou irregularidades no exercí­cio do direito de opinião já existem. Os juí­zes, por exemplo, possuem vedações claras já previstas na Lei Orgânica da Magistratura (Loman), enquanto os servidores possuem regulamentação distinta, já que são regidos pela lei 8.112, sendo totalmente inadequada a aplicação do provimento 71 à categoria, por afrontar a liberdade de manifestação assegurada pela Constituição Federal.

O Sintrajufe/RS irá procurar a Corregedoria do TRF4 para tratar do tema e demandar o CNJ pela reversão do provimento. Além disso, junto à assessoria jurí­dica, o sindicato está avaliando as medidas cabí­veis para preservar o direito de livre manifestação à categoria. Essa defesa vem sendo feita pelo Sintrajufe/RS sempre que a liberdade de manifestação se vê ameaçada. Isso ocorreu, por exemplo, quando, recentemente, uma servidora do TRF4 foi atacada moralmente por uma manifestação em uma rede social.