SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Adoção e diversidade foi o tema de conversa no Sintrajufe/RS

A adoção em diversas situações e perfis foi tema da roda de conversa “Famí­lias que adotam: adoção e diversidade no Judiciário Federal”, promovida pelo Núcleo de Diversidade Sexual (Nuds) do Sintrajufe/RS nessa terça-feira, 31. Os colegas do Núcleo conduziram a atividade e explicaram que pretendem, cada vez mais, fazer discussões amplas, que tratem de diversidade em vários aspectos.

Estavam presentes colegas da categoria e também pessoas da comunidade, e o espaço foi aberto para quem quisesse falar sobre suas experiências. As alegrias de se tornar mãe e pai, mas também os percalços da adoção, as dificuldades e os entraves de um sistema que, muitas vezes, parece não favorecer que crianças e jovens encontrem uma famí­lia, além da difí­cil situação dos que abrem mão dos filhos, colocando-os para adoção (em sua maioria, pessoas negras e pobres) foram relatados.

A colega da JT Porto Alegre Kenia Varela e o marido, Leonardo, são pais adotivos dos jovens Laura e Pablo. O casal contou sobre as dificuldades iniciais, a adaptação e afirmaram que, logo depois da adoção, já não pensavam mais em “filho adotivo”; “são filhos apenas, sem essa distinção”. Pablo se emocionoue também aos demais, ao falar sobre os momentos de raiva que sentia, na infância, quando perguntavam se ele tinha vindo “da barriga da mãe” e como, em perí­odos difí­ceis, deu-se conta do amor incondicional do pai e da mãe: “eu não sei o que seria de mim sem minha famí­lia; o afeto é muito importante, o abraço, o carinho são muito importantes”.

A maioria dos adotantes no Brasil ainda procura por crianças com poucos meses e brancas. Alguns dos presentes à atividade fugiram desse perfil e contaram sua experiência, como a Juí­za Federal Ana Iní¨s Algorta Latorre, que adotou dois irmãos, ambos com mais de 4 anos. As colegas Marilene de Bem, aposentada, e Júlia Viegas, da JT Porto Alegre, adotaram meninas negras. Além dos percalços enfrentados no processo de adoção, também lidam com o preconceito e a incredulidade das pessoas pelo fato de serem brancas e terem filhas negras. Emocionada, Marilene falou sobre a angústia enfrentada por ela e pelo ex-marido devido à demora até concretizar o processo, a alegria de ter a filha, Alexia. Júlia e sua companheira, Vanessa Balula, relataram os preconceitos que sofreram por formarem um casal de mulheres e a difí­cil situação dos abrigos em que vivem as crianças e os jovens que aguardam a adoção, como a pequena Dora, filha delas.

A colega Roberta Vieira, da JT Porto Alegre e integrante do Nuds, não é adotante, mas estava presente para saber mais sobre o assunto, assim como a diretora do Sintrajufe/RS Alessandra Krause. Roberta questionou o conceito tradicional de famí­lia e a insistência de que esse seria o ideal. “Não seria mais importante a segurança, o amor, os laços que unem as pessoas?”, indagou. Alessandra concordou e ressaltou que não importa o formato, que há uma romantização de maternidade e paternidade, da relação biológica. A sociedade como um todo também tem responsabilidade, afirmou, lembrando o provérbio africano “é preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”.

Confira abaixo fotos da atividade.