SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Semana após Carnaval será decisiva para direito à Previdência no Brasil

Em meio a declarações desencontradas de lideranças da base governista na Câmara dos Deputados, a data limite indicada pelo governo para votar a reforma da Previdência foi estendida para 28 de fevereiro. Do outro lado dessa disputa, sindicatos e movimentos sociais irão manter as convocações para as manifestações previstas para o dia 19, véspera da data divulgada anteriormente por representantes do governo para pôr a PEC 287/2016 em votação.

No Rio Grande do Sul, os trabalhadores do Judiciário Federal realizam paralisação, deliberada em assembleia geral. Somam-se, assim, a esse dia fundamental de luta em defesa do direito à aposentadoria. Também será enviada caravana a Brasí­lia. Já nesta semana, o Sintrajufe/RS esteve presente nas atividades de protesto no aeroporto de Brasí­lia, cobrando os deputados na chegada para o iní­cio do ano legislativo.

Embora o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), que preside a Câmara, tenha reafirmado, na quarta-feira, 7, que colocará a proposta em Plenário para apreciação no dia 20, caso haja condições de aprová-la, a impressão que prevaleceu é que isso está praticamente descartado.

Entrevista dada a jornalistas pelo lí­der do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), levou alguns jornais a divulgar que a votação estava adiada para o dia 28. A reportagem entrou em contato com a assessoria do parlamentar, que disse ter havido problemas na interpretação do que dissera Aguinaldo. O dia 28 de fevereiro, observou a assessoria, seria o prazo final para votar a proposta, contornando, assim, o relativo desencontro entre os discursos do presidente da Câmara e o lí­der do governo.

Governo estica a corda

Para o assessor parlamentar Thiago Queiroz, do escritório que presta serviços à Fenajufe (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU), a declaração do lí­der do governo sinalizando que a possí­vel votação seria adiada, para semana seguinte à que vinha sendo divulgada desde o ano passado, revela que as dificuldades do governo em aprovar a PEC 287 seguem grandes. “Mostra que eles não conseguiram os 308 votos que precisam”, disse. “O governo está esticando a corda para estender o perí­odo das negociações”, assinala.

De todo modo, o assessor parlamentar não tem dúvidas de que a semana de 19 a 23 de fevereiro será decisiva para o futuro da Proposta de Emenda Constitucional 287, que altera as regras da Previdência e elimina direitos dos trabalhadores. “Será nesses dias que o governo saberá se tem os votos, se tem viabilidade de votar ou não”, alertou.

É por isso e por que o governo vem usando todos os meios possí­veis para mudar intenções de votos dos deputados, em sua maioria não confiáveis, que as mobilizações que vinham sendo construí­das para esse perí­odo devem ser mantidas e reforçadas. As centrais sindicais e entidades que convocam o dia de protestos e paralisações para 19 de fevereiro informam que o calendário está mantido. A paralisação no dia 19 de fevereiro é decisiva. Nossa pressão conseguiu impedir, até aqui, a votação. Mas nada está definido e será fundamental seguir a pressão para garantir nossos direitos , disse Cristiano Moreira, dirigente do Sintrajufe/RS e da Fenajufe.

Nova versão da PEC 287

O relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), divulgou, na quarta-feira, a mais nova versão defendida pelo governo para a PEC 287/2016. O texto reafirma as três mudanças já anunciadas em dezembro “exclusão das referências diretas aos trabalhadores rurais, manutenção das condições atuais do benefí­cio de um salário mí­nimo pago a pessoas que não tenham alcançado a aposentadoria após completar 65 anos (BPC) e manutenção em 15 anos do tempo mí­nimo de contribuição exigido para requisição de aposentadoria (no caso dos servidores, segue a proposta de elevação para 25 anos).

A nova versão traz apenas uma novidade: a manutenção do direito à pensão integral para cônjuges de policiais mortos em combate, alteração que integra as 'negociações' que buscam o apoio de parlamentares da base do governo ligados à chamada 'bancada da bala' que se recusam a votar o projeto. “A proposta continua sendo muito ruim para os trabalhadores em geral e para os servidores públicos e temos que nos mobilizar contra ela”, observa o servidor Tarcí­sio Ferreira, da direção do Sintrajud, o sindicato dos servidores do Judiciário Federal em São Paulo, onde também devem ocorrer manifestações.

Governo pressiona deputados

Mais mudanças não estão descartadas. Lideranças governistas têm feito reiteradas declarações afirmando que o Planalto estaria disposto a ceder alterações em troca de votos. Para o assessor parlamentar Thiago Queiroz, é nisso que o governo se agarra para manter as esperanças de ainda aprovar a proposta, mesmo com tanta impopularidade colada a ela e ao presidente Michel Temer.

Ameaça que exige a atenção dos movimentos que defendem o direito à aposentadoria. “Temos que reforçar os atos do dia 19 e estender as mobilizações contra a PEC da Previdência para até 28 de fevereiro”, disse Saulo Arcangeli, também da direção da Fenajufe, ressaltando a necessidade de convocação de uma nova greve geral por parte das centrais sindicais, que pare o paí­s contra todas as reformas do governo Temer.

Sintrajufe/RS, com LutaFenajufe, por Hélcio Duarte