SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em assembleia geral, categoria aprova paralisação dia 19 de fevereiro contra a reforma da Previdência

Mais uma vez os trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul não fugirão ao seu papel histórico. Em meio a nova tentativa do governo de Michel Temer (MDB) de aprovar uma reforma da Previdência que acaba com o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros, a categoria aprovou, em assembleia geral, paralisação no dia 19 de fevereiro. É nessa data que o governo pretende votar a reforma na Câmara dos Deputados.

A assembleia foi aberta com informes gerais sobre a situação da reforma. A direção do Sintrajufe/RS informou que assinou, junto com outros dez sindicatos da categoria e a Fenajufe, uma carta aberta cobrando das centrais sindicais a convocação de uma greve geral no dia 19 de fevereiro. Além disso, o sindicato enviará uma caravana de colegas a Brasí­lia nessa semana para acompanhar a possí­vel votação no plenário da Câmara dos Deputados. Antes disso, já no dia 5 de fevereiro está previsto o iní­cio dos debates sobre a reforma na Câmara. A direção do Sintrajufe/RS estará em Brasí­lia participando da reunião ampliada do Fórum dos Servidores Federais e acompanhando as primeiras movimentações na Câmara. Foi lembrado, também, o ví­deo recentemente elaborado com situações de colegas que seriam prejudicados pela reforma, e informado que novos materiais contra a reforma estão em elaboração pelo sindicato.

Nas falas dos colegas, foi unânime o posicionamento contra a reforma da Previdência e a afirmação da necessidade de enfrentar o governo nas ruas. Nenhuma fala negou a importância de se fazer uma paralisação no dia 19 de fevereiro ou outra data a ser apontada pelas centrais sindicais. Por outro lado, alguns colegas criticaram o sindicato pela não participação nas mobilizações que, nos dias 23 e 24 de janeiro, defenderam a absolvição de Lula no julgamento em segunda instância, no TRF4. Enquanto isso, outros colegas salientaram que a prioridade absoluta deve ser o enfrentamento ao governo Temer e à reforma da Previdência, e lamentaram que a estrutura mobilizada por algumas centrais sindicais para defender Lula no dia 24 não tenha aparecido no ano passado na luta contra a reforma trabalhista. Então, sem nenhum voto contrário, a categoria decidiu que no dia 19 irá paralisar os trabalhos para somar-se às mobilizações conjuntas contra a reforma da Previdência. Ficou definido ainda que, caso haja mudança na data da votação e na orientação das centrais sindicaisque estão marcando para o dia 19 um dia de “Jornada de Lutas”também poderá ser transferida a paralisação para a nova data.

Diretor do sindicato é agredido em meio a votação sobre moção

Apesar de não constar como tema de pauta da assembleia, a polêmica em torno do julgamento de Lula, porém, apareceu logo em seguida, com a apresentação, pelo colega Paulo Guadagnin, em nome da Oposição Democracia e Luta , de uma moção a esse respeito, entitulada “Em defesa da democracia, dos direitos do povo e da soberania nacional”. A mesa avaliou que a moção era estranha à pauta da assembleia, propôs a construção de um texto de consenso, que unificasse a categoria contra a retirada de direitos, e que não dividisse, mas essa proposta da direção não foi aceita pelos proponentes da nota. Então, a direção do Sintrajufe/RS propôs que, dado o caráter polí­tico do texto, o tema fosse debatido em assembleias de base em todo o estado, para que todos os colegas pudessem ter voz, sobretudo os do interior, e verificar qual a real opinião da categoria a respeito. Essa proposta também não foi aceita pela oposição, proponente da moção.

Foram, então, à votação, duas propostas: deliberar na assembleia geral sobre a moção (proposta de colegas da oposição); ou debatê-la em assembleias de base em todo estado (proposta da direção do sindicato). 38 colegas votaram pela deliberação já na assembleia geral. Durante a contagem de votos da segunda proposta, quando se contabilizavam 37 votos em favor de debater o tema em assembleias de base, uma colega levantou o braço após a contagem ter passado por ela, exigindo ser contadasem o seu voto, haviam sido contabilizados 37 a favor de levar o tema às assembleias de base. Seu voto, portanto, empataria a votação. Teve iní­cio um tumulto, com xingamentos do colega da oposição que contava os votos dirigidos a essa colega. Nesse momento, o diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer tentou filmar a cena com seu celular, e acabou sendo agredido com tapas pelo colega Orildo Longhi, da oposição, que buscava impedir a filmagem. Após a assembleia, o diretor Rafael Scherer registrou Boletim de Ocorrência pela agressão sofrida.

Com a confusão, o plenário se desfez e a assembleia ficou suspensa por vários minutos, sendo retomada com muita dificuldade. Os colegas proponentes da moção, ainda assim, insistiram em nova votação da proposta, totalizando 38 votos a favor da deliberação sobre a moção ainda na assembleia geral, contra 37 votos defendendo o envio do debate às assembleias de base. Na discussão sobre o mérito do texto, foram 39 votos a favor e 36 contra, de maneira que a moção acabou aprovada.

Acordo com a AGU e ingresso de ações judiciais

Além da pauta da mobilização no dia 19, também foram discutidos na assembleia outros temas. O primeiro deles foi uma proposta de acordo da Advocacia-Geral da União com o sindicato no processo que trata do custeio do auxí­lio pré-escolar, que acabou sendo aceita pela assembleia.

Trata-se do processo nº 5050830-77.2017.4.04.7100, em que o sindicato busca o reconhecimento da ilegalidade da cobrança do custeio do auxí­lio pré-escolar prevista no decreto 977/93 e a devolução dos valores já descontados indevidamente. A proposta inicial da AGU consistia em devolver aos servidores 90% do valor já descontado. Após diversas tratativas, a assessoria jurí­dica do sindicato conseguiu elevar esse valor para 95%. Conforme aprovado na assembleia, os honorários terão percentual de 10% sobre o valor pago (uma vez que, com o acordo, não haverá honorários sucumbenciais de praxe), os quais serão destacados diretamente em requisição de pagamento, assim como 1% a tí­tulo de contribuição sindical.

Por fim, foi autorizado, pela assembleia, o ingresso de três ações judiciais pelo sindicato. A primeira refere-se à devolução dos valores absorvidos na implementação da reposição salarial conquistada pela categoria. Essa absorção deveria ocorrer apenas ao final das parcelas da reposição, mas ocorreu logo no iní­cio, acarretando prejuí­zo aos servidores. Outra ação trata dos plantões na Justiça Federal que geram folgas cujo prazo para gozo é de um anoo sindicato busca que, não sendo utilizadas as folgas, possam ser convertidas em valor pecuniário. Por fim, há a ação de direito de resposta em relação a matéria publicada no Jornal Nacional na qual a Rede Globo defende a reforma da Previdência. Foi aprovado o ingresso com as três ações, já ajuizadas pelo sindicato. Além disso, autorizou-se a desistência da ação que questiona a ilegalidade da MP 805/17 do governo Temer, com o sindicato habilitando-se como amicus curiae na ação principal que trata da matéria, que tramita junto ao STF.