Nessa terça-feira, 12, depois de não conseguir realizar a sessão do Congresso Nacional, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que “não vota a Previdência porra nenhuma”. Ele se referia à proposta de reforma do governo, que vem enfrentando cada vez mais resistência, inclusive na base governista.
Eunício havia marcado a sessão do Congresso, que acontece no plenário da Câmara, para apreciar vetos presidenciais às 14h. No entanto, as votações na Câmara se estenderam e, no final da tarde, o senador viu que, devido à hora, ficaria impossibilitada a instação da sessão.
Foi então que, irritado, disse ao deputado André Moura (PSC-CE), na saída do plenário, que “Não convoco mais [sessão do Congresso]. Brincadeira isso. Também não vota mais Previdência porra nenhuma. Tá fazendo graça?”. Moura estava tentando convencer o senador a não cancelar a sessão.
Essa posição de Eunício pode, de fato, causar problemas à votação da reforma da Previdência, que o governo quer realizar na próxima semana (já foi adiada duas vezes). Na segunda-feira, 11, Eunício havia cedido ao apelo de Michel Temer (PMDB) e disse que votaria o Orçamento de 2018 somente na semana que vem e não nesta, como pretendia. Dessa forma, estaria ajudando o governo a garantir a presença dos parlamentares em Brasília, uma vez que a votação do Orçamento é sempre o último ato do Legislativo antes do recesso parlamentar.
Meirelles contraria Jucá e diz que intenção é votar reforma
Outro sinal evidente de que o governo enfrenta grandes dificuldades foi um atrito público entre o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e o ministro da Economia, Henrique Meirelles. Jucá anunciou que a reforma só será votada em fevereiro de 2018. Segundo ele, a decisão de adiar a votação foi acordada entre Eunício, o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Pouco depois, o ministro da Economia contrariou Jucá, afirmando que o governo insiste e continua trabalhando para votar a reforma na próxima semana. Segundo Meirelles, Jucá apenas expressou sua opinião .
Nos últimos dias, o governo e líderes da base aliada vinham sinalizando que, por falta de apoio, a votação do texto poderia ficar para o ano que vem. Mesmo com a compra aberta de votos, com o apoio massivo da mídia e com milhões gastos em uma propaganda enganosa, não conseguiu atingir os 308 votos necessários na Câmara.
Sintrajufe/RS, com informações de Folha de S. Paulo e G1









