SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em Brasí­lia, Sintrajufe/RS pressiona parlamentares contra a reforma da Previdência

O Sintrajufe/RS está mais uma vez em Brasí­lia nesta semana para pressionar os deputados a derrubarem a reforma da Previdência proposta por Michel Temer (PMDB), que ameaça a aposentadoria de milhões de brasileiros. A caravana enviada pelo sindicato à capital federal está atuando no Congresso desde terça-feira, e o entendimento majoritário dos parlamentares é de que dificilmente a reforma será votada neste ano e, caso isso aconteça, tem boas chances de ser derrotada.

Entre os deputados com os quais os representantes do sindicato já se reuniram, a percepção geral é de que o governo não tem força para aprovar a reforma neste ano. Foi o que falou, por exemplo, o deputado Chico Alencar (Psol-RJ). O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), também contrário à reforma, teve a mesma avaliação. Segundo ele, a reforma não vai ser votada este ano. Conversou-se também com o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), segundo mais votado na última eleição para Presidência da Casa, que disse que o governo não deve conseguir colocar em votação a reforma neste ano e, caso coloque, deverá perder.

Mesmo parlamentares do PMDB não acreditam na aprovação. José Fogaça (PMDB-RS) disse que irá votar contra “essa reforma”, mas acredita que ela tem muito pouca chance de ser votada ainda neste ano. Segundo ele, na próxima semana será votado o Orçamento e os trabalhos da Casa serão encerrados.

Outros parlamentares do Rio Grande do Sul também pensam o mesmo. Onyx Lorenzoni (DEM-RS), disse que a reforma deve ficar para o próximo governo, e reforçou sua posição contrária à proposta do governo. A assessoria de Afonso Hamm (PP-RS) informou que o deputado vota contra “essa reforma”.

Jerônimo Goergen (PP-RS) disse que o governo não tem os votos necessários e que a reforma da Previdência fica para o próximo governo: “A chance que o governo tinha era esse ano”, avaliou. O deputado José Stédile (PSB-RS), contrário à reforma, disse que o governo não tem os votos necessários para aprovar a reforma e nem vai conseguir este ano. Segundo ele, a reforma não será votada.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores precisam manter-se atentos. O deputado Dionilso Marcon (PT-RS), contrário à reforma, demonstrou preocupação com o fato de que os empresários invadiram o Congresso para pressionar pela aprovação da reforma, enquanto os trabalhadores não estão suficientemente mobilizados. No mesmo sentido, o deputado Ivan Valente (Psol-RJ) disse que o governo ainda não tem os votos que precisa, mas que os empresários estão em peso dentro do Congresso pressionando os deputados a votarem a favor da reforma; ainda assim, entende que a reforma da Previdência está “subindo no telhado”.

Renato Molling (PP-RS) não manifestou posição, mas também acredita que a reforma não deve ser votada este ano. Mauro Pereira (PMDB-RS) também disse ainda não ter decidido sobre o tema.

O diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer avalia a situação encontrada na Câmara dos Deputados: “Foi bem importante estar com a caravana em Brasí­lia. Conversando com parlamentares e assessorias, chegamos à conclusão de que o governo está praticamente jogando a toalha com relação à reforma. Diz que vai tentar colocar em discussão nesta quinta e votar na próxima semana, mas a conversa com os parlamentares é bem diferente. A Executiva do PSDB decidiu fechar questão a favor da reforma, mas não definiu punição a deputados que votarem contra. Nesse sentido, alguns deputados do PSDB já se colocaram publicamente contra a reforma. Os trabalhadores não podem sair das ruas, temos que nos manter atentos até o último dia antes do recesso parlamentar, mas tudo indica que a reforma da Previdência deve ser jogada para o próximo ano ou para o próximo governo”.