SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em dia nacional de luta, categoria paralisa e vai às ruas contra a reforma da Previdência

Um café da manhã, na Justiça do Trabalho de Porto Alegre, marcou o iní­cio da concentração da categoria nesta terça-feira, 5, dia de paralisação nacional contra a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Ignorando o recuo de algumas centrais sindicais no que, inicialmente, seria um dia de greve geral, servidores das justiças do Trabalho, Federal, Eleitoral e aposentados reuniram-se nas varas trabalhistas e, munidos de faixas e pirulitos com as inscrições Fora, Temer e Não à Reforma da Previdência , seguiram para o Centro de Porto Alegre.

Junto ao prédio do INSS, a categoria marcou presença no ato público com uma das maiores colunas de servidores da atividade. Além dos servidores do Judiciário Federal, a atividade contou com a presença de representantes de centrais sindicais, trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada, movimento de mulheres e juventude. Nas falas, os manifestantes afirmaram que é preciso construir a resistência pela base, com a participação efetiva e democrática dos trabalhadores. Foi reforçado que as reformas até agora implementadas pelo governo de Michel Temer (PMDB) tiram dos trabalhadores o trabalho digno, a segurança de emprego e direitos básicos como saúde, educação e transporte. Foi lembrado que, também em ní­vel estadual, com José Ivo Sartori (PMDB), e municipal, com Nelson Marchezan Júnior (PSDB), o funcionalismo sofre ataques, com pagamento parcelado, extinção de órgãos públicos e ameaças de privatização e a população está cada vez mais desasistida.

O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira disse que não é momento de recuar, é o momento de ir para cima do governo Temer e da corja de ladrões que quer roubar nosso direito à aposentadoria . Ele lembrou que, enquanto o governo mente dizendo que a Previdência é deficitária, aprova isenção fiscal de R$ 1 trilhão para petrolí­feras que estão usurpando os recursos naturais do Brasil, reduzindo receitas que iriam justamente para a Seguridade Social. O governo joga sujo, afirmou Cristiano, falando sobre as ações do governo de compra de votos e chantagem com deputados da base aliada para aprovar a reforma até a próxima semana.

A programação do dia incluí­a uma caminhada até o Palácio Piratini. No entanto, representantes de centrais sindicais cancelaram a atividade sem qualquer consulta às demais entidades participantes do ato. Vários dos presentes criticaram esse encaminhamento. Ao criticar o recuo das centrais, Cristiano afirmou que a luta precisa ser construí­da com a necessária unidade e respeito entre nós, pois só assim poderemos caminhar rumo a uma greve geral que derrote a reforma da Previdência e os demais ataques que possam vir .

Pressão começou ainda de madrugada, no aeroporto

Antes do ato público em frente ao INSS, ainda de madrugada, a mobilização começou cedo no aeroporto Salgado Filho, onde representantes do Sintrajufe/RS somaram-se a ativistas de outras categorias para um ato público que buscava pressionar os deputados que embarcavam para Brasí­lia/DF.

Conforme destacado pelo diretor Rafael Scherer durante a atividade, Com essa reforma, Temer quer nos fazer trabalhar até morrer, já que em várias regiões do paí­s e nas periferias das grandes cidades, a expectativa de vida sequer chega aos 65 anos . O ato no aeroporto faz parte das atividades de pressão junto aos parlamentares para buscar impedir a votação da reforma. Amanhã, uma caravana do Sintrajufe/RS irá à Brasí­lia/DF para seguir esse trabalho.

Recuo das centrais impede mobilização ainda maior

Embora o dia de luta tenha contado com boa participação dos servidores do Judiciário Federal e de várias outras categorias, inegavelmente o recuo de seis centrais sindicaisCUT, CTB, Força Sindical, CSB, UGT e Nova Centralimpediu uma mobilização ainda maior. Na sexta-feira, as centrais mencionadas anunciaram a suspensão da greve geral até então convocada. Com isso, embora o Sintrajufe/RS e outros sindicatos tenham mantido a paralisação, houve muita confusão nas diferentes categorias, além de uma desmobilização em setores estratégicos que poderiam paralisar, como transportes, por exemplo. Ainda assim, as categorias que paralisaram garantiram um importante dia de luta contra a reforma em todo estado e vários pontos do paí­s.

O recuo das centrais foi entendido por muitos como uma traição, jogando um balde de água fria em muitos trabalhadores , disse a diretora Camila Breda, do Sintrajufe/RS. No quadro em que nos encontramos, precisamos é de uma grande greve geral, já deverí­amos estar há muito tempo nesse estágio , concluiu.

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS