Na sexta-feira, 24, o Sintrajufe/RS promoveu o evento Ubuntu! Cultura e Resistência , dentro da programação da Semana da Consciência Negra. A atividade contou com sarau de poesia com o Sopapo Poético e show com a Banda Afroentes, que tem entre seus integrantes o colega Vladimir Rodrigues, da Justiça do Trabalho de Porto Alegre.
O Sopapo PoéticoPonto Negro de Poesia é um sarau realizado pela Associação Negra de Cultura desde 2012. Na última terça-feira de cada mês, de março a novembro, é celebrado o protagonismo negro, em uma roda de atuações, reflexões e convivências. O sarau foi trazido para o Sintrajufe/RS, quando poetas fizeram a leitura de suas próprias obras e de autores como Oliveira Silveira, Conceição Evaristo e Cruz e Souza.A poeta Lilian Rocha explicou que o Sopapo é um lugar de sapiência do povo negro, que tem a oportunidade de se colocar, de mostrar sua produção literária. O poeta Sidnei Borges ressaltou que todos estão convidados a ir aos saraus e assinalou que não é porque o protagonistmo é negro que outras etnias não podem ir, nos apreciar .
A noite foi encerrada pela Banda Afroentes. Criada em 2015, a banda tem como proposta mostrar a música negra em sua diversidade e expressar a identidade afro-gaúcha. Em seu repertório, mescla a tradição afro com a sonoridade contemporânea e traz letras que propõem temas afirmativos e para reflexão, o que a gente não pode dizer toda hora, todo dia , disse a vocalista Nina Fola.
Além de pessoas da categoria, a noite teve convidados especiais, alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Fátima, do bairro Bom Jesus. A professora Kelly Moraes, da Coordenação Pedagógica da escola, explicou que, devido à greve dos municipários, que teve duração de 40 dias, contra a retirada de direitos do governo de Nelson Marchezan Jr. (PSDB), não houve tempo hábil para a preparação de atividades na Semana da Consciência Negra. Ela soube do sarau e show no Sintrajufe/RS pela internet e fez a proposta de trazer alunos da Educação de Jovens Adultos (EJA) ao sindicato. Kelly explicou que os alunos do EJA têm a partir de 15 anos, muitos com histórico de insucesso e abandono escolar, a maioria negros. Ela contou que se busca proporcionar aos alunos atividades culturais como a do Sintrajufe/RSa gratuidade é um ponto fundamental “, a fim de que eles conheçam novos espaços e exercitem outros saberes, como música e poesia.
No sarau, o público foi convidado a ler poemas de outros autores ou próprios. Amanda Micaela Coelho dos Santos, de 17 anos, aluna da Nossa Senhora de Fátima, aceitou o desafio. Tímida, relutou um pouco, mas foi incentivada por colegas e leu dois poemas de sua autoria que falam das dores de sentiu devido ao racismo. Em uma conversa para esta reportagem, ela disse que escreve desde os 12 anos, faz poemas e letras de músicas. Também estudou teatro, e essas aulas a ensinaram a colocar a dor para fora, mostraram que é bom transformar o ruim em uma coisa boa . Amanda contou que se achava feia, não aceitava seu cabelo e sua cor, ficava deprimida. Foi um duro caminho até entender que o problema não era ela, mas o preconceito, o racismo: hoje eu tenho orgulho de ser negra .
Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS









