Em evento no Palácio do Planalto nessa segunda-feira, Michel Temer (PMDB) voltou a debochar dos trabalhadores brasileiros. Afirmou que a reforma da Previdência, que na prática acaba com a aposentadoria de milhões de brasileiros, tem como objetivo “cortar privilégios”. Vale lembrar que Temer se aposentou aos 55 anos, e a reforma da Previdência quer instituir como idade mínima para a aposentadoria 62 anos para mulheres e 65 para homens.
Temer disse ainda que “com toda certeza” a reforma será aprovada ainda neste ano. Discurso bem diferente do que mantinha poucos dias atrás, quando vinha admitindo a possibilidade de não conseguir aprová-la, tentando, inclusive, mostrar-se conformado com a situação. Fica claro, agora, que não passava de uma simulação para aumentar a pressão sobre o Congresso na queda de braço de chantagens e acordos de bastidores que vem sendo travada. De um lado, os partidos da base do governo querem mais cargos e benesses para garantir a aprovação da reforma. De outro, Temer quer entregar o mínimo possível, mostrar força e aprovar o fim do direito à aposentadoria para os trabalhadores. No meio desse cenário, setores da mídia e o grande capitala começar pelo mercado financeiropressionam pelo avanço urgente na tramitação da reforma.
Quem perde com esse processo são os trabalhadores. Com sua aposentadoria ameaçada, transformam-se em moeda de troca em uma relação entre os Poderes que ignora completamente os interesses da maioria da população. A relação que vem se estabelecendo entre os donos do poder abandona práticas democráticas e transparentes para favorecer politicamente parlamentares, ministros e presidente e economicamente os grandes empresários e os especuladores.
Pelo que aponta matéria do portal G1, a ideia dos “privilégios” é o novo artifício discursivo do governo para tentar emplacar uma reforma altamente impopular e que necessita de grande quantidade de votos no Congressouma conta difícil de fechar às vésperas de uma eleição. Para convencer a população sobre a reforma e, assim, deixar menos “caros” os parlamentares no momento da votação, lideranças do governo começaram a falar reiteradamente em “combater privilégios” como motivação para a reforma. Além de Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o relator da reforma, Arthur Maia (PPS-BA), passaram a usar essa ideia para tentar enganar os brasileiros.
Se a estratégia vai colar ou não, depende também da capacidade das entidades representativas dos trabalhadores, da juventude e dos movimentos populares de fazer frente a esse discurso. Com mobilização, nas ruas e em todos os espaços possíveis, torna-se ainda mais importante a tarefa de conversar com os colegas e trazer o conjunto da classe trabalhadora para a luta contra a reforma da Previdência e o governo Temer, em defesa dos nossos direitostratados como “privilégios” pelos que, de fato, têm e querem manter seus próprios privilégios.









