SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Relatório final da CPI da Previdência diz que não existe déficit, e sim má gestão

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, senador Hélio José (Pros-DF), apresentou, nesta segunda-feira, 23, o relatório final dos trabalhos, com a conclusão de que a Previdência Social não é deficitária, mas, sim, alvo de má gestão por parte do governo, que retira dinheiro do sistema para utilização em projetos e interesses próprios, protege empresas devedoras (que continuam recebendo empréstimos e benefí­cios fiscais) e retira direitos dos trabalhadores vinculados à Previdência.

O relatório final, de mais de 250 páginas, desmonta mais uma vez o principal pretexto de Michel Temer (PMDB) e seus apoiadores para buscar a aprovação da reforma da Previdência e, assim, acabar com a aposentadoria de milhões de brasileiros. O relatório aponta que “as estimativas que serviram de base para a recente proposta de reforma previdenciária ora em tramitação no Congresso Nacional estão eivadas de erros e imprecisões” e que “os problemas com as estimativas e os cálculos governamentais findam por forjar uma situação artificialmente grave com o intuito de acabar com a previdência pública e criar um campo para atuação das empresas privadas”.

Também conclui que o governo descumpre preceitos constitucionais em favor das empresas e em detrimento da Previdência, sendo marcada, a atuação governamental, por posturas negativas, como a utilização dos recursos do fundo previdenciário para a construção de grandes obras sem o devido retorno financeiro, o “acúmulo de débitos previdenciários por parte das próprias empresas públicas” e a “leniência para com as empresas devedoras”. Por exemplo, a JBS, maior devedora da previdência social (R$ 2,1 bilhões), obteve vultosos empréstimos do BNDES, apesar de sua sabida condição de mega-devedora.

O relatório ainda propõe projetos de lei que melhorem a situação da Previdência sem necessidade de uma reforma que leve a retrocessos. Aponta princí­pios como o do não retrocesso social como basilares para a condução das polí­ticas públicas e sugere, entre outras medidas, a cobrança da dí­vida ativa da Fazenda Pública e o aparelhamento e o fortalecimento dos órgãos responsáveis pelo Processo Administrativo Fiscal. Também critica o uso indiscriminando da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que prejudica as contas previdenciárias.

O relatório final foi resultado de oito meses de trabalho da CPI, na qual foram ouvidos gestores, especialistas, polí­ticos, sindicalistas, entre outros. Ele será votado nas próximas semanas, quando os senadores que compõem a CPI analisarão a proposta e ainda poderão propor emendas.

Confira o relatório final da CPI da Previdência AQUI