SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Precisamos falar sobre suicí­dio

Há quatro anos, o mês de setembro vem sendo um espaço importante para que se possa conversar sobre o suicí­dio. As campanhas intituladas Setembro Amarelo têm, ano após ano, dado visibilidade à temática, com o objetivo de prevenção, socializando formas de acolhimento às pessoas que estão passando pelo processo de ideação suicida, num esforço de tirar esse assunto da lista de tabus na nossa sociedade.

Abrir espaço para dialogar sobre o suicí­dio significa também ouvir o outro, sobretudo no que diz respeito a situações difí­ceis pelas quais a pessoa pode estar passando. Ouvir e dar suporte é essencial, pois o suicí­dio é o resultado final de um longo processo de sofrimento e adoecimento, muitas vezes invisí­vel. Dados apontam que cerca de 90% dos casos e 40% das tentativas de suicí­dio notificados estão associados a transtornos mentais, principalmente depressão e abuso de substâncias psicoativas. Mas é preciso ir além desses dados. Um trabalho de prevenção requer o desvelamento de alguns fatores relativos às condições de vida, trabalho, problemas interpessoais, entre outras coisas.

Entendemos o suicí­dio como um fenômeno de determinações múltiplas e de interações complexas, em que muitas vezes o trabalho figura como motivação principal, por ser um ambiente onde focamos nossas energias, depositamos muitas inseguranças e tecemos o sentido de nossas vidas. Uma frustração no trabalho pode tomar proporções amplas o suficiente para desestabilizar vários âmbitos de nossa vida familiar, financeira ou afetiva. 

No âmbito do Judiciário Federal, temos feito a leitura de que o momento polí­tico tem sido de grande instabilidade. Essas mudanças têm se materializado em sofrimento psí­quico generalizado entre os servidores. No Judiciário Federal, os métodos baseados em metas de produtividade e incentivo à competição entre os trabalhadores têm sido base para o surgimento de uma nova tecnologia de controle dos trabalhadores, o assédio moral, que tem impactos profundos sobre o adoecimento mental dos servidores, podendo, em alguns casos, levar a processos nos quais o suicí­dio passa a ser uma alternativa.