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Em 2016, o Sintrajufe/RS realizou uma pesquisa junto à categoria, com o objetivo de fazer um estudo abrangente e mais aprofundado quanto ao quadro da saúde do trabalhador do judiciário federal. A pesquisa abordou diversos aspectos da saúde física e mental, além de questões que vêm se tornando mais relevantes no país e no mundo, entre elas, o assédio moral. No dia 17, o sindicato promoveu um evento para divulgar os dados, que mostram um agravamento do adoecimento e elevado percentual de casos de assédio moral nos locais de trabalho. Um material impresso, com os principais dados analisados, será distribuído a toda a categoria no mês de junho. Além disso, a direção do Sintrajufe/RS fará reuniões com as administrações para entrega do relatório detalhado, que contém todos os dados pesquisados, bem como para tratar de propostas para a solução dos principais problemas encontrados. O trabalho, da realização da pesquisa à análise, foi realizado pela Secretaria de Saúde e Relações de Trabalho do Sintrajufe/RS e pela assessoria de saúde do sindicato, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa).
Veja AQUI os slides da apresentação com os principais dados da Pesquisa.
 Veja AQUI o vídeo da apresentação.
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O público total pesquisado foi de 2.144 servidores respondentes, com média de idade de 42,6 anos, sendo 53,4% do sexo feminino e 46,4% do sexo masculino. A psicóloga Eduarda Buriol, da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS, aponta que houve um desequilíbrio quando se tratou de cor da pele: apenas 6,4% identificaram-se como de cor preta ou parda, número quatro vezes menor do que o apurado no Censo do Judiciário de 2013 e bem abaixo do total de pretos e pardos no Censo do IBGE para o Rio Grande do Sul, de 16,3%.
A pesquisa mostra que a entrada no Judiciário foi importante para elevar o grau de instrução. Servidores que ingressaram com ensino médio fizeram curso superior e muitos, pós-graduação. Os dados mostram que 12,9% tinham pós-graduação quando ingressaram no Judiciário e, atualmente, 58,5% já têm especialização, mestrado ou doutoradopercentual muito acima do nacional, apurado pelo Censo do Judiciário, e que demonstra uma clara característica do servidor de constantemente buscar sua qualificação profissional.
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Contexto de trabalho, adoecimento e assédio moral
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O contexto de trabalho foi analisado sob três aspectos: condições de trabalho, relações socioprofissionais e organização do trabalho. As condições de trabalho dizem respeito a mobiliário, equipamento, ambiente físico; a organização do trabalho, a ritmo de trabalho, processos laborais, produtividade, metas e outros aspectos da gestão; interação e relacionamento com colegas e chefias está abrangida nas relações socioprofissionais.
Os servidores respondentes, em sua maioria, consideram as condições de trabalho satisfatórias (71,6%). Nesse quesito, a Justiça Eleitoral foi o órgão com os piores índices em toda a categoria. No entanto, de acordo com a assessoria de saúde do Sintrajufe/RS, o percentual de 25,8% de servidores que entendem que elas são críticas ou graves é preocupante, mesmo sendo minoritário.
Entretanto, ao considerar-se a organização do trabalho, os resultados foram ainda mais preocupantes: apenas 9% dos respondentes a veem como satisfatória, enquanto a grande maioria (91%) classificou esse item como crítico ou grave. Os números, alerta Eduarda, são semelhantes aos apontados em pesquisa feita com os bancários em 2013. Nessa categoria, considerada uma das mais adoecidas do Brasil, o percentual foi de 95%. Quanto às relações socioprofissionais, 44,8% dos servidores consideraram esse aspecto crítico ou grave, ou seja, praticamente metade da categoria não considera satisfatórias as relações no ambiente de trabalho.
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Na distribuição por Justiça, JE e JT apresentaram os piores índices de organização do trabalho (ambas com 93,5%, somando-se os níveis crítico e grave). A seguir, vem JF, com 90,3%; TRF4, 80,9%; e JM, com 75%.
A organização do trabalho está diretamente ligada a atos negativos sugestivos de assédio moral. E a pesquisa mostra um número elevado de servidores que os sofrem, em algum grau, mesmo que eventualmente: 82,7%. Assédio moral (frequência semanal ou mais) foi referido por 17%considerado um percentual muito elevado. Isso talvez explique, segundo Eduarda, que a grande maioria das consultas prestadas pela assessoria de saúde à categoria seja sobre assédio e sofrimento psíquico.
Do total, 80% têm dores osteomusculares eventual, frequentemente ou sempre na região cervical, em ombros e membros superiores; 90% apresentam problemas oftalmológicos. Já as pausas são realizadas por menos de 7% dos servidores. A pesquisa mostra que a incidência de transtornos mentais comuns (TMC) é 2,5 vezes maior nos servidores que não realizam pausas, o que também aumenta a ocorrência de dores osteomusculares.
Algum tipo de sistema eletrônico é utilizado por 96,2% dos servidores; desses, 29,6% jamais receberam algum tipo de treinamento. Desses servidores, 60,7% dizem ter prejuízo nas atividades em virtude da ausência de treinamento.
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A pesquisa mostrou ainda que, quanto maior a escolaridade, maior o índice de assédio moral. A prevalência também é maior entre os que utilizam PJe (20,4% de assédio semanal ou diário). Dos respondentes, 27,2% apresentaram transtorno mental comum; 3,1%, ideação suicida; e 4,4%, alcoolismo. Quanto mais crítico e grave o contexto de trabalho, maiores são as chances de assédio, que, por sua vez, amplia em dez vezes a ideação suicida e em 2,9 vezes a dependência de uso de álcool.
Agentes de segurança, oficiais de justiça, TI e PCDs
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Alguns grupos específicos de servidores apresentaram dados que chamaram a atenção pelo alto grau de adoecimento e sofrimento psíquico: os agentes de segurança, os oficiais de justiça, os servidores da área de informática e as pessoas com deficiência (PCDs). Entre estas últimas, 34,4% apresentam transtornos mentais comuns, número que cai para 26,1% entre os demais. A ideação suicida foi observada em 8,2% das PCDs, contra 2,5% dos demais. Entre os Ojafs, 90% consideram a organização de trabalho crítica ou grave, o que ajuda a entender o padrão de adoecimento nesse segmento. A pesquisa mostra 57,4% dos agentes desempenham atribuições estranhas à sua atividade. Quase 30% deles já se sentiram ameaçados no exercício da função; entre os Ojafs, esse número chega a 77,7%. Entre os servidores da área de TI, 30,7% apresentaram transtornos mentais comuns, quase 7% de alcoolismo e 5,3% de ideação suicida.
Na apresentação, o diretor Ruy Almeida anunciou que, em virtude dos resultados relacionados aos servidores da TI, o sindicato pretende estruturar um núcleo para os colegas dessa área, buscando mapear as causas dos problemas e fortalecer as pautas relativas a esse segmento. Também será feito contato com as administrações a fim de se realizar uma pesquisa online com os servidores PCDs. O objetivo é identificar possíveis causas para os problemas apontados pela pesquisa e buscar formas de incidência sobre elas. No TRT4, o assunto já é analisado pela Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão.
O médico Fernando Feijó, da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS, destaca que os dados podem ser muito importantes na luta para a melhoria das condições de trabalho. A pesquisa, diz ele, mostrou, além da dor osteomuscular, a questão da saúde mental como consequência do contexto de trabalho. Ele alerta que a forma como as novas tecnologias são implementadas é determinante no reflexo que terão na saúde dos trabalhadores. Que a pesquisa seja um instrumento de mobilização para as lutas da categoria, para melhorar as condições de trabalho e para que se chegue a uma gestão que não seja adoecedora , concluiu o médico.
Nas próximas semanas, o Sintrajufe/RS iniciará uma campanha de divulgação dos principais resultados da pesquisa, na busca por melhorias nos pontos mais graves. “Com essa nova pesquisa, o sindicato sedimenta uma tradição em matéria de saúde do trabalhador. Mas entendemos que é necessário ir além da cognição que a pesquisa proporciona: esse trabalho é uma verdadeira arma na luta por melhorias das condições de trabalho, e precisamos usá-lo como tal, demonstrando às administrações que não é mais admissível a continuidade do atual modelo produtivo aplicado no Judiciário, que tem gerado aumento no adoecimento da categoria a níveis alarmantes , defende Ruy. “Vamos buscar fazer com que os verdadeiros resultados da pesquisa não sejam esses, que demonstram o atual grau de adoecimento, e sim as mudanças necessárias para que esses índices voltem à normalidade”, afirma.
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Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS









