SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Em dia de paralisação, trabalhadores do Judiciário Federal no RS participam de debate sobre reformas e de ato contra Temer

 

 
 

Enquanto em Brasí­lia mais de 150 mil trabalhadores lutavam contra Michel Temer e suas reformas e por eleições diretas, protestos também ocorreram em diversas outras partes do paí­s. Os trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul realizaram uma paralisação de 24 horas. No iní­cio da tarde, participaram de um debate na Justiça Federal, rumando depois para o ato unificado chamado pelas centrais sindicais na Esquina Democrática. 

 
O interior participou da mobilização. Houve paralisação em Bagé, Bento Gonçalves, Capão da Canoa, Caxias do Sul, Guaí­ba, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Santana do Livramento, Sapucaia do Sul, Taquara, Taquari e Vacaria.
 
 

Justiça Federal de Santa Maria
 
  

Reformas e resistência

 
O debate que abriu as atividades do dia teve como tema “As reformas de Temer x a resistência dos trabalhadores”. Os debatedores foram Sonilde Lazzarin, advogada e professora de Direito Previdenciário e de Direito do Trabalho da UFRGS e da PUCRS; e Bruno Lima Rocha, jornalista, cientista polí­tico e professor de Relações Internacionais da Unisinos, editor do blog Estratégia & Análise.

 

 
 
Sonilde foi a primeira a falar. Ela criticou as reformas propostas por Temer, elencando os argumentos do governo e os desconstruindo um a um. Conforme apontou, são três os pretextos principais: o “déficit” da Previdência, o crescimento da expectativa de vida média e a “igualdade” entre homens e mulheres. A professora explicou a farsa do déficit da Previdência lembrando que, para seu cálculo, o governo não considera receitas que são constitucionalmente destinadas à Seguridade Social e considera despesas que não são da Previdência. Em relação ao crescimento da expectativa de vida da população brasileira, Sonilde destacou que se trata de um crescimento médio, mas que, especialmente entre a população mais pobre, essa expectativa é muito mais baixa. Também essa realidade precisa ser considerada para se pensar na organização previdenciária. Por fim, sobre a igualdade alegada pelo governo entre homens e mulheres, a palestrante apresentou dados que demonstram que a realidade segue sendo de grande desigualdade, tanto na questão salarial e de inserção no mercado de trabalho quanto na jornada dupla.

 
Em relação à reforma trabalhista, a advogada questionou: “os trabalhadores são pessoas ou são máquinas?”, elencando pontos da reforma que ferem gravemente direitos fundamentais dos trabalhadores. Conforme afirmou, são mais de duzentas mudanças na legislação que estão sendo propostas, “e nenhuma beneficia os trabalhadores”. Para ela, a única forma de impedir as reformas é ampliar a resistência, a mobilização.
 

   
 
 
Bruno Lima Rocha fez sua palestra na sequência. Ele lembrou que, nos governos petistas, as elites seguiram ganhando muito e que o pacto estabelecido naqueles anos garantia incremento de renda para a população mais pobre e, ao mesmo tempo, manutenção das estruturas de poder. Mas, para o professor, um bloco rompeu com esse pacto ao aplicar o golpe parlamentar. “São as elites fisiológicas de sempre, que se autorrepresentam”, afirmou. Porém, destacou Bruno, “por mais fajuta que seja, uma democracia tem que ter um suspiro de legitimidade, e isso está em suspenso atualmente”, defendeu.
Para Bruno, o modelo de Estado que está nascendo desse processo é preocupante, antipopular e nada tem a ver com o modelo previsto na Constituição de 1988. Ao mesmo tempo, analisou, está tudo em aberto, e “a primeira saí­da é deslegitimar o que sobra do governo, e depois não permitir quç direitos sociais sejam usados como moeda de troca”.

 
Ato reúne cerca de 5 mil pessoas na Esquina Democrática


 
 
Depois do debate, os colegas dirigiram-se, em um ônibus, à Esquina Democrática, onde seria realizado oato unificado convocado pelas centrais sindicais. No caminhão de som, uma das falas foi do diretor do Sintrajufe/RS Ruy Almeida, representando o Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência. Ele defendeu a unidade dos trabalhadores na luta contra Temer e suas reformas, criticou a repressão violenta contra os trabalhadores em Brasí­lia e a convocação do Exército por Temer: “é necessária a construção de uma nova greve geral para derrotar o governo e garantir os direitos dos trabalhadores.”
 
 

 

 
 
Pouco depois das 19h, os manifestantes saí­ram em caminhada. Eles desceram a avenida Borges de Medeiros até a avenida Salgado Filho, descendo depois pela João Pessoa até a Venâncio Aires. As dúvidas que surgiam sobre possí­veis idas ao Palácio Piratini ou à sede do jornal Zero Hora foram respondidas quanto a marcha entrou na Venâncio, a partir de onde dobrou na rua Lima e Silva para encerrar o ato e o grande dia de lutas no Largo Zumbi dos Palmares.

 
Por Alexandre Haubrich; fotos: Alexandre Haubrich e Leandro Dóro (especial)