SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Servidores se posicionam contra Alexandre Moraes no STF

A reunião ampliada da Fenajufe, dia 19, aprovou posição contrária à indicação do então ministro da Justiça, Alexandre Moraes, à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal após a morte do ministro Teori Zavascki, em acidente aéreo ainda não esclarecido.

O texto definido de forma consensual lista uma série de motivos para o posicionamento. Entre eles, a própria tese de doutorado de Moraes, na qual defende a incompatibilidade de indicações pelo presidente da República de polí­ticos próximos a governos para cadeiras nos tribunais superiores. Como trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU, não podemos nos furtar de emitir nossa opinião , diz trecho do documento aprovado.

De perfil conservador, Moraes, que é do PSDB, estava entre os mais próximos ministros do presidente Michel Temer (PMDB). Caso Temer seja indiciado e levado a julgamento no STF por conta das delações da Operação Lava-Jato, caberá ao ex-auxiliar julgá-lo se for confirmado para vaga. Temer é citado diversas vezes e apontado como autor de pedido de R$ 10 milhões em propinas à empreiteira Odebrecht para o PMDB.

O ex-ministro está sendo sabatinado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal nesta terça-feira, 21. Na véspera, ocorreram manifestações em pelo menos duas capitais contra a indicação do polí­ticono Rio de Janeiro e em São Paulo.

Comissão tem possí­veis réus

Caso fique com a vaga, o que é o mais provável, Alexandre Moraes poderá julgar, além de Michel Temer, o próprio presidente da CCJ, Edison Lobão (PMDB-MA), e ao menos mais dez senadores que integram a comissão que o está sabatinando. Todos citados em delações.

Ministro de Minas e Energia na gestão de Dilma Rousseff (PT), Lobão é alvo de dois inquéritos relacionados à Lava-Jato: um referente a fraudes na Petrobras, outro por supostos desvios de dinheiro público nas obras da Usina Angra 3 e Belo Monte.

Para seguir adiante na pretensão de ser ministro do Supremo, Moraes precisa obter a maioria dos votos dos 27 membro titulares da CCJdez deles citados nas delações na Justiça. Depois, terá que obter o apoio de 41 dos 80 senadores no plenário, a chamada maioria absoluta. A sessão deverá ser conduzida por Euní­cio Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, outro citado em delação premiada na Justiça, na qual ele é apontado por recebimento propina para aprovar uma medida provisória. 

Por Hélcio Duarte Filho, Luta Fenajufe Notí­cias