SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Réu e investigado em 11 inquéritos, Renan usa PEC 55 para não acatar STF

O presidente afastado do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), usou o calendário de votação da PEC 55/2016 entre os argumentos para não acatar a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal que o destitui do cargo.

 
 

 
Isso consta no documento da Mesa Diretora apresentado pelo senador, que teria sido assinada por todos os integrantes, inclusive Jorge Vianna (PT-AC), vice-presidente da Casa que assume com a eventual saí­da do presidente. Na versão inicial do texto, segundo divulgado por jornalistas, os senadores alegam que vão aguardar a decisão do Pleno, composto pelos 11 ministros, para definir o que será feito. Esse trecho teria sido excluí­do.
 
 
 
Não há previsão legal para não cumprir uma decisão, mesmo que monocrática, do STF, instância máxima do Judiciário no Brasil. Em tese, Renan pode ser preso por descumprir uma determinação judicial. Também poderia ser alvo de denúncia por quebra de decoro, o que lhe custaria o mandato. Nada indica, porém, que isso vá ocorrer agora.
 
 
 
Renan foi afastado da Presidência do Senado por decisão do ministro Marco Aurélio de Mello, com base no entendimento de que ninguém que seja réu pode ocupar cargo que esteja na linha sucessória do presidente da República. Renan é o terceiro a ocupar o posto caso Temer seja afastado ou se licencie provisoriamente do cargo.
 
 
 
O documento elaborado pela Mesa Diretoria, da qual Renan faz parte, também cita como razões para não cumprir a decisão o fato dela ser monocráticafoi tomada apenas pelo ministro Marco Aurélio, que já havia solicitado que o Pleno do STF jugue a questão. Isso deve ocorrer nesta quarta-feira, 7.
 
 
 
O senador alagoano tornou-se réu em ação do STF que analisa denúncia de que contas particulares dele seriam pagas por empreiteirao caso é antigo e já levou Renan renunciar ao cargo e à Presidência do Senado no passado para fugir da cassação por quebra de decoro.
 
 
 
O Supremo já possui maioria de votos favoráveis à tese de que ninguém que responda a processo judicial pode assumir cargos que estejam na linha sucessória da Presidência da República. Seis ministros se posicionaram favoravelmente a esse entendimento, no julgamento que está suspenso porque o ministro Dias Tofolli pediu vistas ao processo.
 
 
 
A votação da PEC 55 está prevista para o dia 13 de dezembro, penúltimo dia de sessão marcada para esse ano no Senado. A proposta de emenda constitucional ˜congela™ as despesas dos orçamentos federais em termos reais por 20 anos e pode levar a perdas de recursos de áreas como saúde e educação. A Procuradoria-Geral da República considera a PEC inconstitucional e não vê condições de funcionamento do sistema judiciário caso ela seja aprovada e implantada.
 
 
 
A PEC foi votada em primeiro turno no Plenário do Senado no dia 29 de novembro, em meio a protestos que reuniram cerca de 30 mil pessoas em Brasí­lia. O ato foi duramente reprimido pela Polí­cia Militar. Com o impasse criado, não se sabe o que ocorrerá com relação ao segundo turno. O senador Jorge Vianna não se pronunciou em torno do que pretende fazer caso assuma a Presidência efetivamente. Em uma breve entrevista a jornalistas, na tarde desta terça, 6, Renan deu a entender que o calendário será mantidomas não chegou nem a ser direto nem enfático nessa previsão.
 
 
 
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notí­cias, por Hélcio Duarte Filho.