SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Após bombas contra estudantes e trabalhadores, Senado aprova PEC 55


Foto: Mí­dia Ninja
 

 
Galerias do Plenário vazias. Cerca de quatro horas antes, bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha lançados pela Polí­cia Militar expulsavam do gramado do Congresso Nacional milhares de manifestantes, boa parte deles estudantes. O relógio marcava 22h40min quando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, anunciava o resultado da votação da PEC 55/2016: 61 votos a favor, 14 contrários.
 
 
 
Mais de 30 mil pessoas foram à manifestação “Ocupa Brasí­lia” contra a proposta de emenda constitucional que pode congelar por vinte anos as despesas com serviços públicos, entre eles educação e saúde. Servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público Federal participaram do protesto, assim como muitos servidores de outras áreas. Foram, no entanto, os estudantes que deram o tom do protesto, que desde a primeira concentração, ainda no Ministério da Educação, fazia muito barulho. Vários grupos levaram para a Esplanada dos Ministérios instrumentos de percussão. A reportagem avaliou o número de participantes em pelo menos 30 mil pessoas.

 
Violência
 
 
 
A repressão ao ato começou cerca de 20 minutos após os manifestantes chegarem ao Congresso Nacional. Muitas bombas de gás lacrimogênio foram lançadas e até a cavalaria foi acionada. A multidão foi forçada a recuar, primeiro até a Catedral, a cerca de 1,7 quilômetros do Congresso. Depois, após a segunda investida do Choque, por volta das 19h20min, até as proximidades da Rodoviária. Revoltados com a violência policial, parte dos manifestantes atingiram as vidraças da entrada do Ministério da Educação. Dois carros foram incendiados e um veí­culo de uma emissora de televisão, virado.
 
 
 
A ação da polí­cia deixou feridos por estilhaços de bombas e tiros de bala de borracha. Não há relatos, até o momento, de que haja casos mais graves. A notí­cia que circulou nas redes sociais de que um estudante universitário do Rio de Janeiro havia falecido não procedeo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições Federais de Ensino (Andes-SN) entrou em contato com hospitais e outros órgãos, além e outras entidades, e constatou a falsidade da informação.
 

Após a votação da PEC, senadores da oposição lamentaram o retrocesso histórico que, em suas palavras, representa a PEC 55. Lembram ainda que a proposta aprovada atinge ainda mais fortemente as camadas menos favorecidas da sociedade brasileira. Para o dia 13 de dezembro, está marcada a votação em segundo turno. Novas manifestações serão convocadas.

 
De acordo com o diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, presente na capital federal, “mais de 30 mil pessoas de todo o Brasil fizeram um ato pací­fico, e o governo criminoso reprimiu com bombas e balas de borracha. Somos estudantes e trabalhadores que viemos protestar de forma pací­fica e o governo botou a polí­cia para cima de nós. Enquanto trata manifestantes como criminosos, o próprio governo está envolvido em escândalos de corrupção. Esse é o governo que está ameaçando nossos direitos. A resistência está só começando. Se alguma certeza ficou é que podemos derrotar a PEC e o projeto de desmonte do serviço público. Vamos ter que voltar para os nossos estados e trazer mais gente para o dia 13. No dia 13, temos que abalar Brasí­lia, derrotar a PEC 55 e derrubar quem ficar no nosso caminho”.

 
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Noticias, por Hélcio Duarte Filho, enviado a Brasí­lia.