Na última sexta-feira, 7, o Sintrajufe/RS realizou uma conversa com a categoria através do Facebook Live para esclarecer dúvidas sobre a PEC 241/2016, que congela por vinte anos os investimentos em serviços públicos. Durante 20 minutos, os diretores do sindicato Cristiano Moreira, Rafael Scherer e Ruy Almeida explicaram as implicações da PEC para os servidores e para a população em geral, que será afetada pelo esfacelamento dos serviços públicos caso a proposta seja aprovada. Veja AQUI o vídeo.
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Entenda, a seguir, os motivos pelos quais a PEC 241/2016 deve ser enfrentada:
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O QUE A PEC 241/2016 DETERMINA?
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– Se a PEC for aprovada, as despesas primárias (aquelas das quais o governo dispõe para executar suas políticas públicas) não poderão ser reajustas durante os próximos 20 anos;
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– O único “aumento” das despesas primárias será equivalente à variação da inflação de um ano para o outro, mesmo que o PIB cresça ou a arrecadação aumente (como acontece atualmente);
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– Ou seja, se a PEC for aprovada neste ano, o investimento de 2017 se limitará às despesas de 2016, corrigidas pela inflação deste ano;
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– Essas regras valem para o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas, nos âmbitos federal, estadual e municipal;
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– Ficam preservados apenas os gastos destinados à Justiça Eleitoral para a realização de eleições, as transferências constitucionais a estados e municípios, recursos de complementação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e despesas de capitalização de estatais não dependentes;
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– A PEC também proíbe a concessão de subsídios e de novas concessões de incentivos tributários;
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– Em caso de descumprimento, a PEC estabelece sanções que afetam ainda mais os serviços e os trabalhadores do órgão sancionado.
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QUAIS AS SANÇÕES PREVISTAS EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DO TETO?
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– Caso algum órgão descumpra os limites determinados, a PEC determina as seguintes proibições:
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1) concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração de membros do Poder ou do órgão descumpridor (ou seja, os servidores não poderão receber reajuste);
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2) criação de cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa;
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3) reestruturação de carreira que implique aumento de despesa;
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4) admissão ou contratação de pessoal, exceto as reposições de cargos de chefia e de direção que não acarretem aumento de despesa e aquelas decorrentes de vacâncias de cargos efetivos ou vitalícios;
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5) realização de concurso público, exceto para as reposições de vacâncias de cargos efetivos ou vitalícios;
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6) criação ou aumento de auxílios, vantagens, bônus, abonos, verbas de representação ou benefícios;
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7) criação de despesa obrigatória;
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8) adoção de medida que implique reajuste de despesa obrigatória acima da variação da inflação.
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QUAIS AS PRINCIPAIS CONSEQUÚNCIAS E PROBLEMAS DA PEC PARA O PAíS E PARA O SERVIÇO PúBLICO?
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– Servidores: em relação às sanções previstas, pelo menos quatro delas afetam diretamente os servidores públicos, já que fica proibida qualquer medida que amplie a despesa, como reajuste salarial, criação de novos cargos ou funções, reestruturação de carreira e realização de concursos públicos. Essas proibições precarizam as condições de trabalho e congelam os salários;
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– Dívida: embora o objetivo declarado pelo governo seja controlar as despesas públicas e equilibrar as contas, a PEC não traz qualquer aumento de tributo sobre os mais ricos. Na verdade, seu objetivo é garantir o pagamento dos juros da dívida pública, favorecendo os rentistas. Será para a dívida (que jamais foi auditada e atualmente dispõe de metade do Orçamento da União) que o dinheiro economizado será canalizado;
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– Serviços: a PEC terá forte reflexo negativo na prestação de serviços públicos, que já são insuficientes, porque não poderá haver expansão do gasto, mesmo que o PIB venha a crescer ou a receita aumente;
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– Mais população, mesmo investimento: o limite de investimentos desconsidera, por exemplo, o aumento da população, situação que implica a necessidade de ampliação dos gastos para além da correção inflacionária. Na prática, daqui a vinte anos teremos o mesmo valor real de investimentos públicos que temos hoje. Será apenas a inflação, e não as necessidades do país, a determinar os investimentos em políticas públicas e nos serviços oferecidos à população, incluindo saúde, medicamentos e tratamentos, educação e material escolar, transporte público, moradia, segurança, saneamento, portos, aeroportos, estradas, pesquisas científicas e tudo que seja serviço ou investimento público. Quer dizer, todos esses investimentos serão, na prática, congelados;
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– Redução da proporção investimento x PIB: haverá redução global da despesa primária da União. Estimando-se um crescimento médio de 2,37% ao ano do PIB nos próximos vinte anos, essas despesas passariam dos atuais 20% do PIB para 16% em dez anos e para 12,5% do PIB em 2036;
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– Deterioração: o que a PEC propõe, assim, é a dissolução do Estado (a diminuição do gasto per capita ao longo do tempo e a consequente deterioração dos serviço) para viabilizar o pagamento da dívida pública, defendendo uma visão de que o ajuste das finanças públicas deve se dar somente pelo corte de despesas e, em especial, redução de benefícios sociais;
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– Educação: um estudo técnico realizado pela Câmara dos Deputados avalia que os impactos na educação, por exemplo, podem gerar perdas na ordem de R$ 17 bilhões para o setor em 2025. Já no acumulado dos primeiros 10 anos, a perspectiva é de aproximadamente R$ 58,5 bilhões, o que comprometeria todas as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). O estudo também avalia que a PEC vai impedir qualquer aumento de matrículas na educação infantil e em qualquer outra etapa da educação básica, como a construção e a abertura de novas escolas, novas turmas e contratações de profissionais da área;
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– Saúde: a população brasileira crescerá 9% e dobrará sua população idosa em vinte anos, de acordo com as previsões do IBGE, o que exigiria um aumento real do valor destinado para a saúde, mas isso não ocorrerá. Em valores reais, o mesmo montante de recursos aplicado em 2017 será aplicado em 2037, havendo apenas uma correção monetária. O resultado será uma aplicação per capita cada vez menor no SUS, já que a demanda por serviços aumentará e o financiamento não, o que implicará uma piora da oferta e da qualidade dos direitos à saúde para os brasileiros. Se a PEC estivesse em vigor desde 2003, por exemplo, a saúde teria sofrido uma perda acumulada de R$ 318 bilhões.
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COMO ESTá A TRAMITAÇÃO DA PEC?
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– 24 de maio: ministro da Fazenda, Henrique Meirelles anuncia proposta;
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– 15 de junho: PEC 241 é enviada ao Congresso por Michel Temer;
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– 9 de agosto: PEC é aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, com 33 votos a favor e 18 contra;
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– 6 de outubro: proposta é aprovada na Comissão Especial da Câmara criada para analisá-la;
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– 10 de outubro: data marcada para votação em primeiro turno da proposta na Câmara dos Deputados;
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– Uma PEC deve ser votada no plenário da Câmara dos Deputados em dois turnos, com espaço de pelo menos cinco sessões entre um turno e outro;
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– Para ser aprovada na Câmara, a PEC necessita dos votos de pelo menos três quintos dos deputados em cada um dos turnos (ou seja, 308 dos 513 deputados);
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– Caso seja aprovada nos dois turnos, a PEC retorna à Comissão Especial, onde será feita a redação final, voltando novamente ao plenário, onde nova votação acontece no prazo de duas sessões;
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– Sendo aprovada na Câmara, a PEC vai ao Senado, onde deve passar primeiramente pela Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ), que terá prazo de 30 dias para emitir seu parecer;
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– Se a PEC for aprovada na CCJ do Senado, segue para o plenário da Casa, onde será votada em dois turnos, exigindo-se, para aprovação, votação favorável mínima de três quintos dos senadores (49 dos 81).
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COMO OS TRABALHADORES DEVEM ENFRENTAR A PROPOSTA?
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– Diversas categorias de trabalhadores têm se organizado para lutar contra a PEC 241/2016;
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– Vêm sendo realizadas plenárias que reúnem servidores dos âmbitos federal, estadual e municipal para construir a luta;
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– As diversas centrais sindicais têm passado por cima de diferenças com o objetivo de construírem juntas a resistência contra a proposta;
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– O Sintrajufe/RS, juntamente com outras entidades, realizou ação no aeroporto Salgado Filho no dia 3 de outubro para pressionar os parlamentares do RS a votarem contra a PEC;
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– É necessário fortalecer a conscientização da população sobre as profundas implicações negativas que a PEC terá, caso aprovada, na vida dos brasileiros;
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– As centrais sindicais têm dialogado no sentido de construção de um dia de greve geral nacional, com data indicada para 9 de novembro;
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– O Sintrajufe/RS realizou uma rodada estadual de assembleias de base entre o fim de setembro e o início de outubro, aprovando indicativos de participação da categoria na construção da greve geral. O mesmo indicativo foi aprovado, no dia 8 de outubro, em assembleia geral estadual.









