SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Cármen Lúcia assume presidência do STF; para os servidores, gestão Lewandowski não deixará saudade

Na tarde desta segunda-feira, 12, a ministra Cármen Lúcia tomou posse como presidente do STF. A cerimônia, que foi marcada pela presença de diversas autoridades, também empossou como vice-presidente do Supremo o ministro Dias Toffoli. Cármen Lúcia é natural de Montes Claros (MG) e a segunda mulher a presidir o Supremo. Ela foi indicada para o STF em 2006, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ricardo Lewandowski encerra sua gestão como um presidente que pouco fez no atendimento das pautas dos servidores.
 

A gestão de Lewandowski começou com um protesto dos servidores contra o desrespeito do governo à autonomia orçamentária do Judiciário. Isso voltou a acontecer nos anos seguintes, sem que Lewandowski tomasse qualquer atitude.
 

A submissão do presidente do STF ao governo foi a marca da gestão de Lewandowski, algo que dificultou sobremaneira a conquista da reposição salarial. Em alguns momentos, como em 2014, Lewandowski chegou a falar na imprensa que a reposição era cara . Enquanto a categoria lutava contra a intransigência de Dilma e defendia a aprovação e sanção PLC 28/15 (de autoria do próprio Lewandowski, diga-se de passagem), o presidente do STF sucumbiu à resistência do governo, assistindo passivamente o projeto ser vetado e abrindo mão de qualquer iniciativa junto ao Congresso para derrubar o veto, objeto da maior mobilização da história da categoria. Ao contrário, ainda em meio à greve, encaminhou novo projeto de reposição salarial ao Congresso ignorando qualquer debate com as entidades representativas dos trabalhadores do Judiciário Federal.
 
 
 
Embora o PLC 29/16 tenha a alternativa que restou à categoria após a manutenção do veto de Dilma ao projeto original, tendo sido aprovado recentemente, a pequena diferença que restou para a derrubada do veto 26 (apenas seis votos na Câmara dos Deputados) faz a categoria imaginar que o resultado poderia ter sido outro, caso Lewandowski tivesse se empenhado minimamente na defesa do PLC 28/15, classificado por Dilma como “inconstitucional” nas razões do veto.
 
 
 
Não foi à toa que a categoria estampava nos materiais de mobilização um basta ao arrocho salarial de Dilma ao mesmo tempo em que cobrava de Lewandowski o fim da enrolação e a defesa da autonomia do Judiciário. Foram dois anos de promessas não cumpridas, de desrespeito à categoria (que poucas vezes conseguiu ser recebida pelo ministro), de uso dos servidores para levar adiante pautas da magistratura.
 

Na avaliação do diretor Rafael Scherer, a gestão do ministro Lewandowski passou por cima da independência constitucional do Poder Judiciário. O ministro não se mexeu para que ocorresse a aprovação do PLC 28/2015, projeto de lei que reajustava os salários dos servidores do Judiciário e que continha a sua assinatura. Lewandowski assistiu inerte ao veto da ex-presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei de iniciativa do Judiciário e que havia sido aprovado por quase unanimidade no Congresso. Além disso, em tom desrespeitoso, chegou a declarar que a sua relação com os servidores era de um pai de famí­lia que cuida dos seus filhos. “Não precisamos de um pai ou mãe institucional, desejamos um chefe de Poder que respeite a independência do Judiciário e as pautas dos servidores”, avalia Rafael.
 

Para o diretor Ruy Almeida, a gestão Lewandowski se demonstrou desrespeitosa no trato com os servidores. Segundo Ruy “a categoria pôde sentir nos olhos e na pele o spray de pimenta e o cassetete da PM/DF quando manifestação pací­fica foi duramente reprimida em frente ao Supremo em 2015, em meio à maior greve da categoria em todos os tempos. Em contraste com essa postura, para a magistratura foram só afagos, deixando a marca da divisão do Judiciário em verdadeiras castas.” Ruy classifica a gestão Lewandowski da mesma forma com que ele classificou a greve dos servidores no ano passado: uma gestão “selvagem, errática, sem interlocução com os servidores”.

 
A gestão Lewandowski não deixará saudade. O que o Sintrajufe/RS espera é a gestão que se inicia mostre respeito à categoria e uma real valorização dos servidores do Judiciário Federal.