SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Em audiência pública na Assembleia Legislativa, Auditoria Cidadã da Dí­vida discute a crise e a dí­vida pública do RS

Na manhã de segunda-feira, 29, no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, foi realizada audiência pública, com palestra da coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dí­vida Pública, Maria Lúcia Fattorelli. A atividade integrou o seminário Transparência e Cidadania: Dí­vida Pública, Previdência e Justiça Social e foi convocada pela Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle, por iniciativa do deputado estadual Luis Augusto Lara (PTB), que presidiu a mesa. O Sintrajufe/RS, um dos apoiadores do evento, foi representado pelos diretores Cristiano Moreira e Eliana Leonardi.

Fattorelli fez um breve histórico da dí­vida pública e do sistema da dí­vida, que utiliza o endividamento às avessas; em vez de financiar os estados, subtrai recursos . Ela falou sobre como esse sistema fez com os estados, como o RS, apesar de privatizações, cortes salariais e em investimentos nas áreas básicas, como saúde, educação e segurança, continuam com um endividamento crescente.

Em 1996, a lei sobre o refinanciamento da dí­vida dos estados fez surgir programas de demissão voluntária de servidores, privatização do patrimônio e, em muitos casos, em vários estados, os governos assumiram os passivos dos bancos. O Rio Grande do Sul foi uma exceção, mas o Banrisul volta a estar na mira da privatização. Privatizaram várias empresas para pagar a dí­vida, sacrificaram o estado , afirmou. Apesar de o RS já ter pago duas vezes e meia o valor da dí­vida, esta não para de subir. De acordo com dados da Fazenda estadual de maio deste ano, a dí­vida do estado era de R$ 54,2 bilhões. Para que sobre ainda mais dinheiro para os  banco, valores são desviados de investimentos.

Duas propostas em tramitação no Congresso Nacional buscam tornar a situação ainda pior. O PLP 257/15 e a PEC 241/16 forçam estados e municí­pios a congelarem investimentos por 20 anos, mas sem o cancelamento do pagamento da dí­vida ou limitação dos juros. São um engodo; trazem um alí­vio imediato, justamente em ano eleitoral, mas a conta pesada virá depois , afirmou Fattorelli. E o mais grave, no caso da PEC, é que o ataque integrará a Constituição Federal.

 

 
 
 
O sistema da dí­vida foi o responsável pela quebra de paí­ses como Grécia, Portugal e Irlanda e está sendo aplicado no Brasil nos mesmos termos, alertou Fattorelli. Segundo a palestrante, é uma tragédia anunciada , além se ser um esquema ilegal de emissão de tí­tulos da dí­vida pública. Para legalizar a ilegalidade, o PLS 204/16, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), busca a legalizar o esquema de geração de dí­vida pública.

O Brasil tem a terceira maior reserva de petróleo do mundo, as maiores de água potável e de área agriculturável, mas é um dos com maiores desigualdades sociais. Enquanto todos ficam inebriados com a corrupção que aparece nos grandes veí­culos , a grande corrupção do sistema da dí­vida não tem espaço e a população desconhece o assunto, disse a palestrante.

A auditoria da dí­vida não é a solução para tudo, mas uma ferramenta poderosa , afirmou Fattorelli. Ela disse que é preciso enfrentar o problema, conhecer a realidade, investigar a dí­vida. A recém-lançada Frente Parlamentar Mista pela Auditoria da Dí­vida Pública com Participação Popular, da qual o Sintrajufe/RS faz parte, e a Frente Parlamentar criada no RS são importantes instrumentos. Precisamos criar uma mobilização social consciente , concluiu.

Veja AQUI informações sobre o Núcleo Gaúcho da Auditoria da Dí­vida.

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS