SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Conversas Impertinentes debate intolerâncias e liberdade de expressão, com grande participação da categoria

O Salão Multicultural Alê Junqueira esteve lotado na noite da quinta-feira, 7, para mais uma edição do Conversas Impertinentes, espaço de debates que o Sintrajufe/RS vem promovendo para possibilitar que a categoria discuta temas importantes para a sociedade e que não tratam diretamente das pautas especí­ficas dos servidores. Dessa vez, com a presença dos jornalistas Juremir Machado e Moisés Mendes, o assunto foi intolerâncias e liberdade de expressão.


 
 
A abertura do evento foi feita pelo diretor do Sintrajufe/RS Paulinho Oliveira, que lembrou se tratar da terceira edição do Conversas Impertinentes, voltando ao tema da intolerância justamente por vivermos, no Brasil, um momento difí­cil no que se refere ao respeito às diferenças. Ele destacou que um sindicato deve se ocupar de pautas que vão além dos interesses corporativos, já que também é um movimento social e que, assim, se faz um “momento em que o sindicato sai do seu espí­rito de corpo para se tornar espí­rito de sociedade”.
 
 

 

O primeiro convidado a falar foi o jornalista Juremir Machado, colunista do jornal Correio do Povo. Juremir lamentou a ascensão da direita entre os jornalistas: “Tem que olhar com lupa na imprensa pra ver algo na contramão. Os jornais viraram uma padaria, só tem coxinha”, brincou. Juremir lembrou que já escreveu sobre Getúlio Vargas e sobre o golpe de 1964, e agora tem a impressão de estar vendo concretamente o que estudou. Assim, fez relações entre os três momentos, recordando que, também nos dois casos do século passado, o “combate à corrupção” apareceu como forma de atacar governos mais progressistas e que, no fim, nada foi provado e a estabilidade democrática acabou rompida: “claro que tem corrupção, mas não é isso o que está mobilizando as pessoas que mexem na engrenagem do poder. Elas querem é o poder. Elas precisam de uma razão para tomar o poder”, afirmou.
 
 

 

Para Juremir, a elite brasileira quer “absolutamente tudo” e dirige seu ódio contra as “migalhas” que o Partido dos Trabalhadores tem distribuí­do à frente do governo federal, como o Bolsa Famí­lia, o Prouni, as cotas. Ele ironizou, ainda, a postura dos partidos da oposição de direita, que, segundo Juremir, são historicamente corruptos e fisiológicos. Criticou também a seletividade da Operação Lava-Jato: “O que precisa fazer pra que o Aécio seja, enfim, investigado? Se me pegarem, me prenderem, eu vou delatar o Aécio, porque não dá em nada mesmo…se me apertarem, disserem ‘diz um nome’, eu digo ‘Aécio'”, brincou, antes de completar: “no momento em que tirarem a Dilma, acabou [a investigação]. Quero ver quem vai para o Parcão pedir a saí­da do Cunha e do Renan Calheiros”. Para Juremir, os dois objetivos centrais da tentativa de impeachment são acabar com a Lava-Jato e aprofundar a entrega do pré-sal: “O meu problema não é que o PT fique. O meu problema é que eu tenho certeza de que, no momento em que a Dilma cair, essas migalhas vão ser varridas. Eu tenho essa convicção. E a Lava-Jato vai dançar”.
 
 
 

 
 

Em seguida, foi a vez do também jornalista Moisés Mendes, ex-repórter, editor e colunista do jornal Zero Hora, conversar com as dezenas de presentes ao debate. Desde o iní­cio, Moisés afirmou não pretender, em momento algum, ser neutro. E deixou clara sua posição sobre a conjuntura nacional: “o que está acontecendo é uma tentativa de golpe”. Para ele, o crescimento da intolerância e das manifestações de ódio é um reflexo direto do posicionamento que têm tomado muitos dos chamados “formadores de opinião”. Segundo ele, a origem dessas manifestações está na mais recente disputa eleitoral: “Esse clima de intolerância e ódio começa na eleição da Dilma, quando a direita achou que ia vencer a eleição e não conseguiu. A partir dali vem toda uma construção de preconceito. Vem preconceito contra nordestinos, vem homofobia, vem xenofobia, vem a questão das cotas, do Prouni, do Bolsa Famí­lia, vem ataque contra tudo o que foi feito de construção social”, lamentou, antes de complementar: “a polí­tica acaba agora canalizando todos esses preconceitos. Tudo isso acaba desaguando agora na polí­tica e na tentativa de golpe”.
 
 

 

Moisés também lembrou a filósofa Marcia Tiburi para falar em “brutalização do pensamento”, comentando que, atualmente, há uma ameaça sempre presente de que a qualquer momento, sem motivo concreto, possa haver uma agressão na rua, até mesmo fí­sica, basta estar usando vermelho ou haver uma discordância de pensamento. Para Moisés, o jornalismo está sendo “relapso” em relação ao que está acontecendo, tanto na esfera polí­tica quanto na esfera social: “O jornalista é muito refratário à crí­tica. E tem que se admitir que boa parte desse golpe está sendo construí­do de novo por jornalistas. E não é só o dono do jornal”, afirmou.

Após as falas iniciais, diversos colegas puderam fazer perguntas aos convidados e também apresentar suas próprias análises sobre o momento polí­tico e social do paí­s. Questionamentos sobre casos especí­ficoscomo o da médica que se recusou a atender o filho de uma militante do PT “, sobre as raí­zes da criseeconômica ou geopolí­tica?e sobre o papel dos meios de comunicação estiveram presentes. O debate prolongou-se até perto das 22h30min, instigando os colegas a refletir criticamente sobre o tema.


Noite também teve inauguração da exposição Percurso
 
 

Ainda antes do iní­cio do debate, os presentes puderam acompanhar a inauguração da exposição Percurso, do fotógrafo Diego Beck, colega do TRF4. A exposição, no pátio da sede do Sintrajufe/RS, trata dos trabalhadores terceirizados do tribunal, trazendo imagens e declarações sobre suas vidas para além do trabalho. Duas das retratadas estiveram presentes na abertura da exposição. Diego destacou o objetivo das fotos: “quis fazer esse trabalho para dar voz a quem tem pouca voz, retratar experiências de pessoas que fazem um trabalho tão importante para todos nós”.
 
 

 
 
Por Alexandre Haubrich, Sintrajufe/RS; fotos de Vilmar Carvalho