SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Dilma veta realização de auditoria cidadão da dí­vida pública, um gasto que consome mais de 40% do orçamento

Nesta quinta-feira, 14, o Diário Oficial da União divulgou o veto da Presidência da República à realização de auditoria da dí­vida pública, com participação de entidades da sociedade civil, no âmbito do Ministério da Fazenda. Essa auditoria havia sido incluí­da no Plano Plurianual (PPA 2016-2019), por meio de emenda do deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA), acatada pela Comissão de Finanças e Tributação, principal órgão colegiado da Câmara dos Deputados sobre o orçamento público.
 

Em sua justificativa, o governo afirma que o conceito de dí­vida pública abrange obrigações do conjunto do setor público não financeiro, incluindo União, Estados, Distrito Federal e Municí­pios e suas respectivas estatais. Assim, a forma abrangente prevista na iniciativa poderia resultar em confronto com o pacto federativo garantido pela Constituição. Além disso, a gestão da dí­vida pública federal é realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional e as informações relativas à sua contratação, composição e custo, são ampla e periodicamente divulgadas por meio de relatórios desse órgão e do Banco Central do Brasil, garantindo transparência e controle social. Ocorrem, ainda, auditorias internas e externas regulares realizadas pela Controladoria Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.
 

De acordo com nota divulgada pela ONG Auditoria Cidadã da Dí­vida, tais justificativas não se sustentam. Isso porque a dí­vida dos entes federados está profundamente relacionada com o governo federal, sendo que este último é justamente quem cobra a maioria destas dí­vidas, que precisam ser urgentemente auditadas e  têm causado sérios danos às finanças de estados e municí­pios.
 

A nota também ressalta que não há transparência sobre diversos aspectos do endividamento, a começar pelos próprios beneficiários da dí­vida, cujos nomes são considerados como sigilosos pelo governo, apesar de se tratar de recursos públicos. A recente CPI da Dí­vida, realizada na Câmara dos Deputados, entre 2009 e 2010, teve diversas informações e documentos não fornecidos pelos órgãos do governo.
 

O gasto com juros e amortizações da dí­vida pública federal atingiu, até 1º de dezembro de 2015, o valor de R$ 958 bilhões, dos quais grande parte decorre de cobertura de gastos feitos pelo Banco Central com, por exemplo, Operações de Mercado Aberto e de Swap Cambial, da ordem de centenas de bilhões de reais. Não há transparência sobre tais operações, seus beneficiários e suas reais necessidades para o paí­s, conforme pode ser verificado no artigo O Banco Central está suicidando o Brasil , da auditora aposentada Maria Lucia Fattorelli.
 

Outro item destacado pela nota é a falta de transparência e discussão com a sociedade sobre a real necessidade das altí­ssimas taxas de juros, responsáveis pelo crescimento da dí­vida pública e pelo expressivo aumento dos gastos do Tesouro com a dí­vida. A justificativa de controle da inflação não tem se confirmado na prática, dado que a alta de preços não tem sido causada, preponderantemente, por um suposto excesso de demanda, mas sim, por preços administrados pelo próprio governo, como energia, combustí­veis, transporte público, planos de saúde, e pela alta de alimentos, em um contexto no qual é priorizada a agricultura para exportação.
 

Ressalta-se também a importância de se auditar a origem do endividamento atual, desde o Regime Militar, cuja documentação requerida pela CPI da Dí­vida Pública da Câmara dos Deputados (2009-2010), em grande parte, não foi fornecida pelo Banco Central, a exemplo de contratos de endividamento externo, e valores devidos externamente pelo setor privado assumidos pelo setor público.
 

A participação de entidades da sociedade civil é fundamental para o processo de auditoria, a exemplo do ocorrido recentemente no Equador, quando a Comisión para la Auditoria Integral del Credito Publico (Caic), com a colaboração da sociedade civil, permitiu a investigação dos crimes da ditadura, e a consequente anulação de 70% da dí­vida externa com bancos privados internacionais.
 

A Auditoria da Dí­vida Pública no Brasil está prevista na Constituição Federalna forma de uma Comissão Mista de deputados e senadorese deveria representar um procedimento normal, com vistas à transparência dos gastos públicos. Portanto, a inclusão da referida iniciativa no âmbito do Ministério da Fazenda, apesar de ainda não representar o cumprimento da Constituição, seria de grande valia para a transparência do maior gasto federal.
 

Desta forma, garantir-se-ia a ampla discussão com a sociedade sobre a alocação de centenas de bilhões de reais, sendo injustificável o veto de dispositivo que apenas visa garantir maior transparência aos gastos públicos, e aperfeiçoar a gestão do endividamento.
 

Agora está nas mãos dos parlamentares derrubar esse escandaloso veto, que impede os passos em direção à almejada auditoria da dí­vida pública. Afinal, quem tem medo da transparência em relação às operações da dí­vida pública?
 

A sociedade, que tem arcado com essa conta, exige AUDITORIA Já!

Fonte: Auditoria Cidadã da Dí­vida