A volta da inflação ao patamar dos dois dígitos fez a defasagem histórica da tabela do Imposto de Renda alcançar 72,2% nos últimos vinte anos. Até 2014, essa discrepância era de 64,3%é o maior avanço anual em uma década, o que representa uma carga tributária maior para os brasileiros, mesmo sem as alíquotas terem sido elevadas, pois, entre 1996 e 2015, a inflação (260,9%) foi muito superior à correção realizada pelo governo nas faixas de cobrança do IR (109,6%), segundo cálculos do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional). Nesse período, apenas cinco reajustes da tabela superaram o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
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A correção da tabela de acordo com índices que reponham a perda do valor da moeda é um direito constitucional , afirma o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. Atualmente, a entidade tem dois processos sobre o tema correndo no Supremo Tribunal Federal. Um, sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, pede que a tabela seja corrigida pelo IPCA. Outro, nas mãos da ministra Rosa Weber, quer que, assim como a saúde, os gastos com educação sejam integralmente dedutíveis.
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Tem um universo de trabalhadores que ganha entre 2,5 e 4 salários mínimos e que só paga Imposto de Renda devido à falta de correção da tabela , destaca Gustavo Inácio de Morais, professor da PUC-RS. Caso houvesse uma correção integral pelo IPCA, a faixa de imunidade saltaria de R$ 1.903 para R$ 3.250,38. Ou seja, beneficiaria quem ganha até 4,1 salários.
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Segundo o presidente do Sindifisco Nacional, Cláudio Damasceno, as classes assalariadas de menor renda são as maiores prejudicadas. “Com a volta da inflação ao patamar dos dois dígitos, é mais um peso imenso sobre a sociedade. Por isso é que, segundo estudo recente, aproximadamente 3,7 milhões de pessoas que estavam na classe C foram rebaixadas de volta às classes D e E”, declarou ele.
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De acordo com a entidade, a correção da Tabela do IR pelo índice integral da inflação, o que não vem acontecendo, evitaria uma distorção na política tributária brasileira dos últimos 19 anos: o pagamento de mais imposto de renda, mesmo por aqueles que não tenham auferido ganhos reais. “Esta é uma séria ofensa aos princípios da Capacidade Contributiva e da Progressividade, inscritos na Constituição Federal. A conjunção de ambos diz que quem ganha mais deve pagar progressivamente”, avaliou o Sindifisco Nacional.
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Para a entidade, correção não integral da tabela faz com que muitos daqueles que não ganharam mais ou mesmo ganharam menos, paguem mais. “É, portanto, uma política regressiva, desprovida de um senso maior de justiça fiscal e que, por estas razões, conduz à ampliação das desigualdades distributivas do país”, concluiu.
Sintrajufe/RS, com informações de O Estado de São Paulo online e G1









