SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Sintrajufe/RS dá sequência ao debate sobre a desfiliação da CUT tratando da reorganização do movimento sindical


 
Na noite de 13 de agosto, o Sintrajufe/RS promoveu a atividade A reorganização do movimento sindical em debate , no auditório das varas trabalhistas de Porto Alegre. Foi mais um espaço para que a categoria debatesse, democrática e abertamente, sobre a proposta da direção do sindicato de desfiliação da Central única dos Trabalhadores (CUT). Participaram o coordenador estadual da CSP-Conlutas e presidente do Sindicato dos Servidores do Quadro Especial da SARH (SindiCaixa), Érico Correa; o coordenador da Intersindical/RS e diretor da Associação dos Servidores da Ufrgs, da Ufcspa e do IFRS (Assufrgs), Rui Muniz; e a secretária-geral da CUT/RS e presidente do Cpers, Simone Goldschmidt.

“A CUT optou pela conciliação”

Érico Correa, o primeiro a manifestar-se, disse que é preciso fazer um debate isento de sectarismo e sem catastrofismo. É fundamental analisar o caminho pelo qual o PT e a CUT optaram: a conciliação de classes, pois é impossí­vel governar para ricos e pobres ao mesmo tempo . Érico chama a atenção para o fato de os governos de frente popular serem financiados pela classe dominante, como qualquer candidato que defenda os interesses do grande capital. A tarefa desses governos de conciliação é controlar o movimento de massas , ou seja, evitar greves e lutas e, quando os trabalhadores incomodam muito, esses governos batem e prendem. E a CUT, segundo ele, é um braço do PT nesse projeto.

Os poderosos não perderam com o governo do PT, disse Érico. Ele citou como exemplos os bancos, que têm lucros cada vez maiores, e áreas que estão sendo transferidas para a iniciativa privada, como hospitais universitários, aeroportos e petróleo. São 56 setores da economia, segundo o palestrante, em que a classe patronal não paga mais a sua parcela da Previdência.

Quanto aos excluí­dos, é a polí­tica do menos pior, disse Érico Correa. Ele mostrou isso com dados de 2012. Enquanto a classe dominante abocanhou perto de R$ 800 bilhões dos serviços da dí­vida pública, para o Bolsa Famí­lia foram destinados menos de R$ 20 bilhões. Para ele, isso condena essa base social à miséria, forma um curral eleitoral. Segundo Érico, há uma opção clara da CUT em apoiar esses projetos. Para o palestrante, os servidores públicos têm de lutar pela unidade da classe, têm de ser uma ferramenta para ajudar os trabalhadores, a classe pobre, e não os mais ricos.

“A CUT não é capaz de representar os interesses dos trabalhadores”

De acordo com a análise de Rui Muniz, a CUT surgiu quase como uma frente de luta de classes. No entanto, quando o PT lançou a Carta ao Povo Brasileiro, em 2002, foram rompidos preceitos históricos, com o alinhamento ao projeto neoliberal, à minimização do Estado, à possibilidade de privatização e terceirização, com o enfraquecimento dos trabalhadores, a desregulamentação das relações de trabalho. Ele lembrou que 42% do PIB é destinado ao pagamento de juros e serviços da dí­vida pública, uma diví­dia que, afirmou, não existe. Ao mesmo tempo, no Brasil, ainda morrem sete trabalhadores por dia devido a questões de trabalho.

São opções de uma frente, e a CUT se alia a isso , avaliou. Para ele, uma central precisa ter independência de classe, de partidos e de governos. Na Assufrgs, lembrou o palestrante, em 2007 foi suspenso o pagamento à CUT. A decisão foi submetida a uma assembleia da categoria, que ratificou a decisão. Em 2008, um congresso votou pela desfiliação da central e marcou um plebiscito, para quatro meses depois. O resultado foi a desfiliação por 75,37% de votos favoráveis e 22% contrários. Atualmente, a Assufrgs não está filiada a nenhuma central sindical.

Para Rui Muniz, uma central ou um sindicato precisam ter a capacidade de ser a expressão da luta imediata e da luta estratégica dos trabalhadores. No entanto, concluiu, a CUT não é capaz de representar os interesses tanto imediatos quanto estratégicos da classe.

Para presidente do Cpers, “CUT permanece fazendo a luta”

Simone Goldschmidt iniciou dizendo que, graças à CUT, os trabalhadores brasileiros adquiriram e conquistaram muitos de seus direitos. Ela ressaltou que a central é lembrada e respeitada em ní­veis nacional, americano e internacional. Por sua história de luta, disse a palestrante, a CUT conseguiu eleger um presidente da República, reelegê-lo e reeleger seu sucessor. Ela disse que a CUT, neste momento, está empenhada em fazer o plebiscito da reforma polí­tica, para evitar o financiamento de campanha por empresários e tornar o processo transparente. Segundo ela, enquanto não houver reforma polí­tica, pode haver o governo que for, as coisas não mudarão, pois vivemos em um paí­s capitalista .

Segundo Simone, a CUT nunca abandonou a luta de classes. A palestrante afirmou que os grandes sindicatos que fazem greves e conquistam os dissí­dios são cutistas, e citou como exemplo sapateiros e metalúrgicos. Em relação ao serviço público, ela disse que a central tem como pauta a convenção 151, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da negociação coletiva e da data-base. De acordo com Simone, a CUT permanece do mesmo lado e sempre esteve, que é fazer a luta e o contraponto .

Ela disse que há várias pautas não atendidas, como redução da jornada, fim do fator previdenciário, convenção 151, que continuam a ser perseguidas. Segundo a palestrante, existem duas classes, a do dominador e a dos dominados, e o divisionismo dos trabalhadores acaba prejudicando a luta.

Os debates continuarão

Depois das exposições iniciais, foi aberto espaço para manifestações e perguntas do plenário, além das considerações finais dos palestrantes. O debate foi transmitido ao vivo, via web, pelo Sintrajufe/RS, para que pudessse ser acompanhado pelo maior número possí­vel de colegas.
 

Em 2013, já havia sido realizado um debate a respeito do papel da CUT no movimento sindical, reunindo pessoas contrárias e favoráveis à polí­tica da central. Com o debate da semana passada, o sindicato deu continuidade a essa discussão, para esclarecer a categoria.

Em novembro, o Sintrajufe/RS realizará um Congresso Estadual Extraordinário para que a categoria delibere se quer ou não se manter filiada à CUT. Conforme o Estatuto do Sintrajufe/RS, a mesma instância que aprovou a filiação deve aprovar a eventual desfiliação. Como a filiação foi definida em Congresso Estadual, apenas outro Congresso pode dispor sobre a desfiliação.

Será aberto, também, espaço nos meios de comunicação do sindicato para manifestação de posições favoráveis e contrárias à desfiliação. Quem decidirá, soberanamente, é o conjunto da categoria.

Por Rosane Vargas, Sintrajufe/RS