SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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1º Ciclo de Cinema do Sintrajufe/RS exibe documentário sobre Milton Santos e globalização

 
 
 

 
Na noite desta quinta-feira, 13, no auditório das varas trabalhistas, em Porto Alegre, aconteceu o 1º Ciclo de Cinema do Sintrajufe/RS. Na ocasião, foi exibido o documentário Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá, do cineasta Sí­lvio Tendler. O evento integra a série de atividades previstas para este ano em comemoração aos 15 anos do nosso sindicato.

Antes da projeção, a diretora Silvana Klein lembrou a conjuntura em que o Sintrajufe/RS foi forjadoexatamente o perí­odo tratado no filme, em que o processo de globalização impunha-se, eliminando barreiras e reproduzindo um modo de vida que se supunha universal. Nascemos na contramão daquele momento, unificando, e não fragmentando , disse ela, destacando a herança histórica das lutas do Sindjustra, do Sindijusfe e do Sindjers, entidades que formaram o Sintrajufe/RS. Após a exibição do filme, aconteceu um debate com o professor da Ulbra e mestre em Educação Roberto dos Santos e o professor da Ufrgs e doutor em História Enrique Serra Padrós. É louvável a iniciativa do Sintrajufe/RS de exibir um filme sobre um personagem da grandeza intelectual de Mí­lton Santos. Mostra a preocupação do sindicato com a construção e a formação da cidadania, algo fundamental , disse Roberto dos Santos. As entidades sindicais podem qualificar suas ações na medida em que abrirem suas janelas para o mundo , disse ele. Por sua vez, Enrique Padrós relembrou que os anos 90 foram a década do enfraquecimento do movimento sindical . Padrós também elogiou a exibição do filme sobre Milton Santos, um intelectual que sempre andou na contramão do pensamento dominante . 

No filme de Tendler, Milton Santos analisa o fenômeno da globalização em todas as suas nuances, apresentando três vertentes ao redor do mundo: a globalização como é posta, a globalização da perversidade e o mundo por uma outra globalização.

Segundo Santos, a globalização tem um caráter de fábula porque é propagandeada como um processo inexorável, que leva à rendição de todos a um único modo de vida, compatí­vel com esse novo mundo. A mí­dia tem um importante papel na disseminação dessa nova cultura. As mensagens midiáticas, emitidas por um mercado de poucas e oligopolizadas corporações de notí­cias, se esforça em difundir a ideia de que a globalização é inevitável e que, para se adentrar nesse novo mundo, é preciso aceitar a crise como inevitável e o desemprego e a pobreza como efeitos colaterais necessários. Para Milton Santos, a mí­dia tem o grande poder de controlar a interpretação do que acontece no mundo e, por isso, torna-se uma intermediária da globalização. 

O documentário se baseia em depoimentos de Milton Santos e outros intelectuais e ativistas como Carlos Pronzato, Ailton Krenak, Adetokunbo Borishade, Eduardo Galeano, Aline Sasahara, José Saramago e Joseph Stiglitz. A entrevista com Milton Santos foi gravada quatro meses antes de sua morte, já debilitado mas mantendo seu espí­rito crí­tico.
 
 
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