Ao longo do primeiro turno das eleições, a Meta, que controla o Facebook e o Instagram, excluiu arbitrariamente 31 publicações de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo nessas duas redes sociais. O problema foi denunciado nessa quarta pelo jornal e expõe mais uma vez a gravidade da interferência da empresa estadunidense nas eleições brasileiras.
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Para tentar evitar a repetição desse tipo de situação, o Estadão ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando que a Justiça impeça a Meta de excluir ou bloquear conteúdos jornalísticos publicados no Facebook e no Instagram pelo veículo. A lista de conteúdos excluídos continha desde postagens sobre resultados de pesquisas de intenção de voto, passando por textos sobre deputados eleitos ainda no primeiro turno, entre outros temas. Em resposta ao jornal, a Meta alegou uso indevido de inteligência artificial, o que o Estadão nega.
Contas de Lula já foram prejudicadas, o que foi admitido pela própria Meta
No dia 16, a Meta admitiu que houve problemas que prejudicaram as contas do presidente e candidato à reeleição Lula (PT). Em 9 de outubro, já na campanha do segundo turno, a conta oficial de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed do Instagram. A ferramenta permite pagar para aumentar o alcance de conteúdos na plataforma e é amplamente usada nas campanhas eleitorais. Em uma das mensagens obtidas pela Folha, um funcionário da Meta diz que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio e que isso seria negativo pela “alta chance” de haver ação jurídica. Segundo a estimativa da campanha de Lula, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios por causa da restrição. Em nota, a Meta disse que “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição”, que a conta de Lula foi suspensa “por engano” e que houve “incidentes técnicos”.
Interferência nas eleições é questionada até mesmo por deputados estadunidenses
Dono da Meta, Mark Zuckerberg teve grande aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos últimos anos. A interferência da Meta nas eleições brasileiras, nesse contexto, causa indignação, mas não surpreende, considerando que Trump vem atuando há meses em parceria com a candidatura de Flávio Bolsonaro. A utilização do aparato das redes sociais para intervir no curso das eleições é mais um passo de uma política que não começou agora, basta lembrar do recente fechamento da embaixada dos EUA e dos tarifaços, comemorados pela família Bolsonaro.
No final de setembro, cerca de 29 parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos e mais Bernie Sandres, enviaram uma carta ao Departamento de Estado do país questionando se o governo dos EUA estaria comprometido a aceitar o resultado das eleições do Brasil. Já após o primeiro turno, 12 deputados estadunidenses acusaram o governo Trump de tentar influenciar as eleições brasileiras. Apenas nessa quinta-feira, 15, o Departamento de Estado respondeu a carta de setembro, mas sem afirmar categoricamente que reconhecerá o resultado, dizendo apenas que apoia “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo” e que os Estados Unidos mantêm diálogo regular com governos e a sociedade civil em “todo o Hemisfério Ocidental sobre governança democrática, independência do poder judiciário e integridade eleitoral”.








