A Niantic, desenvolvedora do Pokémon Go, coletou 30 bilhões de registros visuais de ruas, bairros, prédios e monumentos por meio de uma função do jogo e usou esse material para criar um mapa que promete ser mais preciso do que o GPS. Sem perceber, os jogadores ajudaram a construir esse sistema de localização, aplicado em robôs entregadores, que substituem humanos, e drones que devem ser usados em guerras, inclusive em bombardeios.
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O Pokémon Go foi lançado em 2016 e ficou conhecido por mesclar elementos digitais ao mundo físico. Em 2021, ganhou a função dos PokéStops, na qual jogadores precisavam filmar lugares para “melhorar a experiência”. Sem se dar conta, os usuários concederam à empresa uma licença mundial, perpétua, irrevogável e transferível sobre o conteúdo mapeado e gerado. As informações foram divulgadas por Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes em artigo no portal UOL.
Esse material foi usado no VPS, um mapa 3D criado a partir dessas imagens e de inteligência artificial, capaz de posicionar objetos no ambiente. A Niantic deixou o mercado de games e passou a desenvolver, a partir da Niantic Spatial, um sistema de georreferenciamento em 3D concorrente do GPS.
Com esse mapa 3D, máquinas conseguem se localizar com precisão em determinada região. A Coco Robotics, por exemplo, usa o VPS junto com o GPS para orientar robôs de entrega pelas ruas dos Estados Unidos. Já a Vantor, da indústria bélica, combina os mapas 3D ao mapeamento aéreo de drones usados em campos de batalha. Essa empresa acaba de fechar um contrato de US$ 270 milhões com o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA.
“Tudo o que você faz online gera dados”
Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes afirmam que quem conhece a origem da Niantic não se surpreende com sua conexão com o meio militar. A empresa recebeu, em sua origem, investimentos da In-Q-Tel, companhia que representa a aproximação entre a CIA, agência de espionagem dos EUA, e o capital de risco.
Para Cortiz, o caso é um exemplo e um alerta sobre como dados gerados por usuários são reaproveitados em aplicações com impactos que eles não conseguem prever. “Tudo o que você faz online gera dados e muitas vezes a gente não lê termo de uso nenhum”, e esses dados podem “auxiliar no treinamento de novas ferramentas que terão consequências com as quais a gente não concorda”.















