SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

VALEU A LUTA!

Mobilização do Sintrajufe e dos servidores das 3 esferas derrota Bolsonaro, Guedes e Lira e impede votação da reforma administrativa em 2021

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Em alguns momentos havia dúvidas se este dia chegaria, entretanto, depois de mais de um ano de luta, é possível afirmar: a mobilização do Sintrajufe/RS, da categoria, de outros sindicatos e servidores e servidoras das 3 esferas, em aliança com os trabalhadores do setor privado via Centrais derrotou a reforma administrativa em 2021. Trata-se de uma vitória, ainda que parcial, pois Jair Bolsonaro (PL) e Paulo Guedes não desistiram da PEC 32 e a luta para enterrar a PEC deve prosseguir, exigirmos reajuste salarial e revertermos o desmonte dos serviços públicos.

A aproximação do final do ano não interrompeu a ofensiva do governo contra os direitos da população, com cortes de orçamento, congelamento salarial e privatizações, de forma que é necessário manter a atenção para os próximos movimentos. Mas, considerando-se que o recesso do Congresso tem início já no dia 22 e a reforma não está na pauta da semana, pode-se considerar que há chances mínimas de que alguma manobra possa ser feita neste ano.

Ao longo de 2021, a unidade dos servidores e servidoras das três esferas contra a PEC 32 foi fundamental. Ao invés de cada categoria buscar se salvar e naufragarem todos, a decisão de lutarmos todos sob o eixo da retirada ou derrota na íntegra da proposta permitiu agrupar e fortalecer todo o funcionalismo em atos em Brasília e nos estados, além de diversas outras ações de pressão. Em diversas oportunidades, tanto integrantes do governo quanto membros da oposição destacaram que era essa mobilização o que mais dificultava a tramitação da PEC.

Mobilizações no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a Frente dos Servidores Públicos (FSP), da qual o Sintrajufe/RS faz parte, construiu ações próprias e também se engajou nos atos pelo “Fora Bolsonaro” levando às ruas a pauta do combate à reforma, ligando a crítica à PEC à necessidade do fim do governo. Mesmo com a pandemia, grandes atos foram construídos seguindo os cuidados necessários e manifestando a indignação e a capacidade de mobilização.


Além dos protestos em Porto Alegre, foram realizados atos em cidades do interior do estado, na busca por dialogar diretamente com as bases eleitorais de alguns deputados. Osório, Santa Rosa, Santa Cruz do Sul e Cachoeira do Sul foram algumas das cidades que receberam atividades organizadas pela FSP.


Nas ruas, nas redes e nos meios de comunicação tradicionais campanha atingiu milhões de pessoas

Desde que a PEC entrou em pauta, o Sintrajufe/RS e outros sindicatos também realizaram diversas ações de mídia para dialogar com a população sobre os ataques contidos na reforma e para pressionar deputados e deputadas nos mais diferentes espaços. No início de dezembro, foi colocada nas ruas de diversas cidades do estado a quinta rodada de outdoors contra a reforma administrativa, com um recado direto para os que defendem a reforma: “Deputado, quem vota contra os serviços públicos não volta”. Além disso, os “outdoors da vergonha”, estampam, cada um, a foto dos deputados Alceu Moreira (MDB), Giovani Cherini (PL), Marcel Van Hattem (Novo) e Marcelo Moraes (PTB), denunciando que votaram, na Comissão Especial da Câmara, “pelo fim dos concursos, votou pelo apadrinhamento dos cabos eleitorais e a privatização da saúde e educação”.


Campanhas de televisão e rádio também foram realizadas tanto pela FSP quanto pelo Sintrajufe/RS. O sindicato realizou duas grandes ações de mídia, a primeira ainda em outubro de 2020 e a segunda em junho de 2021. Na primeira, foram produzidos dez vídeos, cada um falando sobre um ponto específico da proposta do governo e sobre seus efeitos para os servidores e servidoras, os serviços públicos e a população em geral. A estabilidade, os concursos públicos, a subsidiariedade, entre outros temas, foram explicados de forma objetiva para que todos e todas pudessem compreender o que estava em jogo. Esses vídeos – e também áudios com o mesmo mote – foram veiculados nas redes sociais e como anúncios em emissoras de televisão e rádio. A ideia era reforçar a insígnia de que “essa reforma não presta” e de que é preciso lutar por mais e melhores serviços públicos, não menos.

Na primeira fase dessa campanha, encerrada em fevereiro de 2021, o sindicato atingiu 13 milhões de pessoas com propagandas veiculadas no Jornal do Almoço, spots no início da manhã na Rádio Gaúcha e peças para Facebook, Instagram e Youtube, distribuídas também via Whatsapp. Em abril, as peças da campanha foram retomadas, incluindo também a veiculação de anúncios em jornais do interior. Nesse mesmo contexto, o Sintrajufe/RS produziu uma cartilha com perguntas e respostas para desmontar as mentiras contadas pelo governo e setores da imprensa sobre as consequências da PEC.

Em junho de 2021, o Sintrajufe/RS lançou nova campanha de mídia, dessa vez com esquetes que tinham como cenário a fictícia “Pastelaria Brasil”. Nesse local, personagens interpretados pelo ator Marcos Oliveira e pela atriz Paula Souza interagiam falando sobre os efeitos da reforma para a vida cotidiana da população. Os diálogos tratavam de aspectos como direito à saúde, riscos ao SUS, acesso à Justiça, concursos públicos e educação. Foram três vídeos, além de spots de rádio e peças gráficas, distribuídos em cerca de 30 veículos, incluindo rádio, televisão e jornais do interior do estado. A campanha foi veiculada em programas como o Jornal Nacional, Jornal do Almoço, Balanço Final e Esportes ao Meio Dia, e também teve grande distribuição nas redes sociais. No total, teve alcance de quase 40 milhões.

Também foi realizada uma campanha unificada que chegou a dezenas de rádios do interior do estado. Em setembro, pelo menos 37 emissoras veicularam as propagandas, totalizando mais de 1,5 mil inserções durante 15 dias.

Ao mesmo tempo, o Sintrajufe/RS chamava a categoria a participar da pressão: foram muitas as matérias publicadas no site do sindicato e os cards nas redes sociais divulgando os contatos dos parlamentares e propondo que cada colega enviasse mensagens cobrando o voto “não” à reforma. O engajamento foi grande e fundamental para mostrar a força da nossa categoria e dos servidores públicos.

Em Brasília, lado a lado com sindicatos de todo o país

Enquanto a luta se desenvolvia nos estados, a pressão em Brasília foi se intensificando mês a mês. Foram muitas semanas nas quais o Sintrajufe/RS enviou delegações à capital federal para participar dos atos, ações no aeroporto e conversas nos corredores e gabinetes do Congresso. Tudo para convencer os deputados de que a reforma é ruim para o povo e que a destruição dos serviços públicos não seria esquecida pelos eleitores. Semana após semana, centrais sindicais e sindicatos de todo o país estiveram em Brasília e mostraram a força da luta organizada e unificada.

Deputados entenderam que “quem votar não volta”, nem os R$ 20 milhões em emendas foram suficientes

Toda essa mobilização em tantos espaços diferentes fez efeito: os deputados da base governistas ficaram cada vez mais temerosos de que a promessa se cumprisse e quem votasse a favor da reforma não voltasse ao Congresso após as próximas eleições, tal qual ocorreu com 50% dos parlamentares que votaram a favor da reforma trabalhista. Os recuos e hesitações, pontuados por crises no governo, adiaram diversas vezes a votação, mesmo que Bolsonaro, Guedes e Arthur Lira (PP-AL) oferecessem R$ 20 milhões por cada voto favorável.

Ao mesmo tempo, a bancada de oposição mostrou-se aguerrida e cumpriu um papel insubstituível, representando, no Congresso, o que a luta dos servidores levava às ruas e às redes sociais. No Rio Grande do Sul, diversos parlamentares abriram posição contra a proposta. Enviaram ao Sintrajufe/RS mensagens nesse sentido as deputadas Fernanda Melchionna (Psol) e Maria do Rosário (PT) e os deputados Bohn Gass (PT), Henrique Fontana (PT), Heitor Schuch (PSB), Marcon (PT), Paulo Pimenta (PT) e Pompeo de Mattos (PDT). O deputado Afonso Motta (PDT) também manifestou posição contra a proposta. Até mesmo o apoio do presidenciável Lula (PT) à luta dos servidores ajudou a fortalecer o combate à PEC.

Colegas também participaram das mobilizações em Brasília

Além, é claro, dos diretores e das diretoras do Sintrajufe/RS, diversos colegas da categoria também se dispuseram a ir a Brasília ajudar na luta contra a reforma administrativa diretamente na capital federal. Nas delegações enviadas pelo sindicato, esses colegas fizeram sua parte e também foram fundamentais para ampliar a pressão e garantir essa vitória parcial. Veja abaixo algumas fotos:


Um desses colegas foi Valdir Laini, que esteve em Brasília em diversas ocasiões, passou seu aniversário em Brasília e enviou depoimento sobre essa luta. Veja no quadro abaixo:



Feliz aniversário, Laini! Valeu a luta!

“Desde a última semana de setembro passei a integrar o grandioso grupo de trabalhadores e servidores públicos na luta contra a PEC 32 e contra o governo genocida de Bolsonaro. Na data de hoje, obtenho uma dupla vitória ao estar junto com servidores públicos da União, dos estados e dos municípios comemorando a derrota do governo Bolsonaro e, mesmo distante de minha família, de meus netos, aqui estou comemorando meus 69 anos de idade com a consciência tranquila por ter feito e por estar fazendo parte dessa luta e principalmente por acreditar que juntos somos mais fortes e que um outro mundo é possível. Agradeço a todos e todas que estão lutando por um país melhor, mais justo socialmente.

Foram onze semanas de participação e atuação junto com os demais trabalhadores e servidores públicos. Agora, manteremos unidos, alertas e preparados para a continuidade das lutas até a derrota definitiva da PEC 32 e desse governo nefasto e genocida de Bolsonaro. Fora Bolsonaro!”

Colegas atenderam o chamado do Sintrajufe e também ocuparam as redes

Em 2022, a luta segue mais forte!

Para 2022, não há nada garantido. Os ataques aos serviços públicos vão continuar, já que são política de governo, e já está dito que Bolsonaro e Guedes não desistiram da reforma administrativa. Mesmo em ano eleitoral, parecem querer comprar essa briga novamente. Assim, a luta precisará ser ainda maior, reunindo ainda a defesa do reajuste dos salários, da realização de concursos e da revogação da emenda constitucional 95 (teto de gastos). Além, é claro, de derrotar definitivamente a PEC 32. Para isso, será necessário o esforço de cada um e cada uma: com unidade e mobilização, podermos alcançar mais uma vitória, essa definitiva.

Dirigentes do Sintrajufe/RS avaliam vitória e projetam próximo ano

A direção do Sintrajufe/RS esteve, desde o início da tramitação da PEC 32, empenhada em derrotar a reforma administrativa. Veja abaixo os depoimentos de alguns e algumas dirigentes do sindicato:

Arlene Barcellos

Desmontamos as mentiras contadas pelo governo Bolsonaro/Paulo Guedes sobre o fim de privilégios e modernização dos serviços públicos. A PEC 32 sempre foi sobre privatizar, terceirizar e desmontar os serviços públicos e gratuitos.

Mostrar à população que a aprovação da reforma administrativa está agora nas mãos de deputados e deputadas federais eleitos pelo povo gaúcho, somada à pressão do Sintrajufe/RS, entidades e centrais sindicais, foi fundamental para que a PEC não fosse votada em 2021.

Foi o diálogo que tivemos com as pessoas nas cidades, as entrevistas nas rádios locais, apresentando informações consistentes e as experiências havidas em outros países, sobre quais seriam os resultados caso essa reforma fosse aprovada, que passamos a ter o apoio de quem mais precisa dos serviços públicos.

Seguiremos na luta em 2022, até que a PEC32 seja definitivamente derrotada.

Cristina Viana

O Sintrajufe/RS tem sido incansável no combate à PEC 32. Nesta gestão do sindicato, integra a Frente de Servidores Públicos do RS e tem realizado diversos atos de resistência, desde campanha no rádio e TV e material gráfico, incluindo outdoors por todo o Estado e distribuição de cartilha de esclarecimento à população, até atos nos aeroportos, nas cidades onde residem os congressistas que são favoráveis à reforma administrativa do governo Bolsonaro ou indecisos, e no Congresso Nacional. Promovemos lives e muitas reuniões para alertar os e as colegas sobre o perigo dessa pauta, que pretende acabar como serviço público e retirar o servidor estável, que entrou pela porta da frente do concurso, para colocar “apaniguados” dos governos eleitos.

Integrantes da direção, junto com nossa federação e colegas do RS e do Brasil inteiro, participaram e estarão presentes em Brasília até o final do ano parlamentar, em atos e conversas no Congresso e até na residência de deputados, sempre com o mantra: “quem votar nessa PEC não volta em 2022”. Assim, alertamos que deputadas e deputados inimigos dos servidores públicos são também inimigos do povo, visto que os serviços públicos são essenciais para a população e atendem especialmente os mais pobres. Estamos agora em contagem regressiva para o final do ano parlamentar e já podemos dizer que em 2021 somos vitoriosos, não permitindo que a agenda de Paulo Guedes avançasse, para privatizar os serviços públicos e prejudicar não só os servidores e servidoras, mas também a maior parcela da população, que depende desses serviços. Em 2022, não descansaremos, seguiremos na luta até que esse projeto seja arquivado definitivamente. A privatização dos serviços públicos não passará!

Mara Weber

A luta que travamos até agora contra a destruição do serviço público contida na PEC 32 foi uma das maiores da nossa história. Aconteceu em um momento extremamente adverso, pois a pandemia agravou o sempre difícil desafio de mobilizar a categoria e achar formas de nossa mensagem chegar à sociedade. Mas conseguimos!! E isso só foi possível com a unidade que construímos entre servidores federais, estaduais e municipais e com diversos segmentos dos movimentos sociais. A luta contra a PEC esteve nos atos do 8 de março, 1º de maio, todos os atos Fora Bolsonaro, Consciência Negra, 28 de outubro, em cada ação que fizemos. Essa unidade acertou em colocar pressão na base dos deputados em cada estado deste país. O Sintrajufe/RS teve relevante papel nessa Luta é não poupou esforços nem investimentos para defender a categoria e a sociedade desse ataque. As centrais sindicais tiveram papel fundamental também, em especial CUT, e as bancadas dos partidos de esquerda no Congresso foram apoio essencial. A luta não terminou, mas agora será muito mais difícil tentarem aprovar. Por isso, a luta coletiva e a consciência de que o Brasil precisa mais e não menos serviço público venceu. Seguimos alertas e determinados na defesa do serviço público e de um país justo e inclusivo.

Marcelo Carlini

Desde a mensagem por whatsapp dos colegas aos deputados, os atos, passando pelas campanhas de TV e rádio, todas as iniciativas fortaleceram a luta contra a reforma administrativa de Bolsonaro. É com essa vitória que vamos entrar em 2022 com a força para enterrarmos de vez a PEC, exigirmos reajuste salarial, ninguém aguenta nem mais um dia de Bolsonaro!

Paulo Guadagnin

Neste 2021, mesmo com a pandemia, não nos abstivemos e fomos às ruas lutar contra a PEC 32. Em um movimento de unidade com os demais setores do serviço público (federais, estaduais e municipais) e em amplo diálogo com os trabalhadores da iniciativa privada, fizemos os deputados federais sentirem a pressão e conseguimos impedir a votação. Agora em 2022, seguirá a luta para enterrarmos de vez essa PEC!

Zé Oliveira

Depois de mais de um ano de muita luta, chegamos ao final de 2021 com um grande avanço, derrotando o governo Bolsonaro e sua base ao não deixarmos votar a PEC 32, a proposta que, se aprovada, representaria a destruição do serviço público. Em setembro de 2020, quando foi protocolada, a perspectiva era de aprovação fácil da PEC. No entanto, fomos à luta. Construímos mobilizações nas ruas. Primeiro com atos simbólicos, em função da pandemia, como na escola Rio Grande do Sul e no HPS. Levamos a luta contra a PEC 32 para as manifestações massivas pelo Fora Bolsonaro. Por fim, a pressão nos parlamentares nos aeroportos e nos seus redutos eleitorais. Ao mesmo tempo, investimos forte na mídia, utilizando, com acerto, os recursos do sindicato. O vídeo do Sintrajufe/RS atingiu milhões de pessoas ao ser veiculado nos programas da RBS e foi muito elogiado por dialogar diretamente com as necessidades do povo. Spots em rádios e anúncios nos jornais de Porto Alegre e de todo o interior reforçaram a campanha. É essa capacidade de atuação política e luta, conjugada com o investimento certeiro na mídia, que garante chegarmos ao final de 2021 impondo uma derrota ao governo e garantindo uma vitória fundamental para a categoria, na defesa do serviço público que prestamos à população, da estabilidade, do concurso, dos direitos, em última análise, da manutenção dos nossos próprios empregos. Em 2022, podem esperar, apesar de o processo eleitoral ser uma dificuldade para eles, nós estaremos atentos.