SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

VENTO EM POPA

Enquanto pobreza e fome crescem, grandes bancos alcançam maior lucro nominal em pelo menos 15 anos no Brasil

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Estudo divulgado pela empresa de análise de investimento Economática nesta semana aponta que o lucro nominal dos quatro maiores bancos brasileiros bateu recorde em 2021. Desde 2006, quando o Santander foi incluído no grupo dos maiores, nunca o lucro fora tão alto: R$ 81,63 bilhões. Isso em plena pandemia e em meio a uma crise econômica que tem mantido os níveis de desemprego altíssimos e ampliado o número de brasileiros e brasileiras em trabalhos precários e na pobreza.

Os dados se referem, além do Santander, ao Bradesco, Banco do Brasil e Itaú. O recorde nominal anterior era de 2019, também sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), quando os quatro somaram lucros de R$ 81,5 bilhões. Se comparado ao ano de 2020, o resultado desses bancos em 2021 representa um salto de 32,5%. O Itaú foi quem registrou o maior lucro, de R$ 24,988 bilhões. Mesmo se descontada a inflação, o ano de 2021 teve o quarto maior lucro desses bancos desde 2006.

Para a maioria da população, piora na qualidade de vida

Enquanto isso, a inflação de janeiro foi a maior para o mês desde 2016, alcançando 0,54%. No acumulado de 12 meses, o índice já chega a 10,38%, contra 10,06% registrados em dezembro. A alimentação no domicílio foi um dos setores que puxou a alta de janeiro, com aumento de 1,44%. Ou seja, o impacto é diretamente no bolso dos trabalhadores. Os principais destaques de alta entre os alimentos foram as carnes (1,32%) e as frutas (3,40%). Além disso, os preços do café moído (4,75%) subiram pelo 11º mês consecutivo, acumulando alta de 56,87% nos últimos 12 meses. Outros destaques de alta para os últimos meses foram a cenoura (27,64%), a cebola (12,43%), a batata-inglesa (9,65%) e o tomate (6,21%).

No fim do ano passado, a renda média dos trabalhadores e das trabalhadoras alcançou seu menor patamar desde 2012, chegando a R$ 2.459, 4% a menos do que nos três meses anteriores, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Embora o desemprego tenha registrado uma leve queda, ele segue alto, atingindo 13,5 milhões de pessoas (12,6%). A queda, porém, reflete ao mesmo tempo justamente a causa da redução da renda média: a acelerada precarização do mercado de trabalho.

A miséria também aumenta e quase 30 milhões de brasileiros já vivem abaixo da linha da pobreza, conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de outubro de 2021. Desde lá, a situação pode ter piora, já que, ao criar o Auxilio Brasil, o governo de Jair Bolsonaro (PL) acabou com o Bolsa Família e com o Auxílio Emergencial – a “substituição” deixou 29 milhões de pessoas desassistidas (na comparação com 2020, o quadro é ainda pior: 50 milhões a menos recebendo o benefício).

Com informações d’O Estado de S. Paulo.