SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

Esquenta

Ato desta quarta contra a PEC 32 foi “esquenta” da manifestação deste sábado, 29; Sintrajufe/RS esteve presente e reforça convocação

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Um dia após a votação da PEC da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, o Sintrajufe/RS, sindicatos representados na Frentes dos Servidores Públicos, centrais e movimentos populares organizaram um ato público que saiu da frente do Palácio Piratini em direção à Prefeitura de Porto Alegre.

Com um cortejo fúnebre à frente da caminhada, os sindicalistas denunciavam os efeitos da reforma administrativa, a falta de vacinas e testagem, as privatizações, o crescimento do desemprego e o alto custo de vida, agravado com o irrisório auxílio emergencial pago pelo governo federal por 4 meses, a contragosto do próprio governo. Em outras capitais e em Brasília ocorreram atividades semelhantes.

Dono do banco Inter MRV e outros empresários reuniram-se com Guedes na tarde da votação; placar é apertado

Enquanto o governo e sua base aliada, constrangida pela pressão de servidores, votava a PEC 32 na CCJC, o ministro Paulo Guedes almoçava com empresários organizados no chamado Instituto Unidos pelo Brasil. Essa “organização”, que reúne 220 parlamentares e 250 empresários, segundo matéria do Estadão, busca reunir mil “filiados” até o final do ano. Guedes hipotecou seu compromisso com a votação da reforma administrativa, firmeza não demonstrada pelo presidente da República em ato público, sem máscara, no Rio de Janeiro, ao lado do general da ativa, Eduardo Pazzuelo.

A preocupação dos empresários tem motivo. Repetida a proporção do placar da CCJC no Plenário da Câmara, a PEC corre risco de não ser aprovada. Esse é o motivo pelo qual os empresários fazem apelos a Guedes.

CCJC expõe dificuldades; pressão e mobilização devem aumentar

Enquanto a tropa de choque do governo defendia o projeto, uma parte, mesmo que apoiadora, votava constrangida. Também, pudera: a cada debate, fica mais claro que não se trata de uma reforma, mas da tentativa de privatizar todo o serviço público, acabar com os concursos e a estabilidade e transformar o que sobra do Estado em cabide de emprego para apadrinhados.

O artigo 37A não deixa dúvidas sobre os objetivos da PEC: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão, na forma da lei, firmar instrumentos de cooperação com órgãos e entidades, públicos e privados, para a execução de serviços públicos, inclusive com o compartilhamento de estrutura física e a utilização de recursos humanos de particulares, com ou sem contrapartida financeira”. Ou seja, aqui entram as Organizações Sociais (OSs) e os vouchers de Guedes, o mesmo que propôs privatizar as Unidades Básicas de Saúde em outubro de 2020.

Mesmo aqueles que denunciavam os altos salários tinham dificuldades em manter sua posição. Se essa preocupação fosse verdadeira, os deputados do governo fariam valer a lei do teto. Contudo, foi o próprio presidente da República que acabou de aprovar um duplo teto em benefício próprio para ganhar mais de R$ 40 mil por mês.

Mantida a proporção da votação, o governo pode não aprovar a PEC, pois para isso precisa de dois terços do total dos parlamentares, em dois turnos na Câmara. Ou seja, 60% dos votos. A CCJC aprovou o parecer de deputado Darci de Matos (PSD) com 59% dos votos, insuficiente, portanto, como constatou a deputada Maria do Rosário (PT).

Dia 29 nas ruas pelo Fora Bolsonaro!

O diretor do Sintrajufe/RS Zé Olivera lembrou que o ato desta terça foi mais uma etapa de uma longa luta: “É mais um momento de luta nas ruas contra a reforma administrativa, que teve um round na Câmara, mas que se abre ainda toda uma batalha pela frente, nas demais etapas de tramitação da PEC 32. É muito importante que hoje estejamos fazendo esse esquenta para que no sábado, dia 29, estejam todos os trabalhadores e trabalhadoras na rua na luta contra a reforma administrativa, na defesa do serviço público, pela vacinação para todos e todas, na defesa do auxílio emergencial mínimo de R$ 600 e pelo Fora Bolsonaro. É muito importante que a gente vá para a rua para construir essa luta com unidade, com força, barrar a reforma, defender o serviço público e botar esse governo para fora do Palácio do Planalto”.

Também diretora do Sintrajufe/RS, Clarice Camargo avalia que “foi importante a participação das centrais, dando o recado à população que nos viu no trecho que fizemos na marcha. Os trabalhadores precisam se dar conta de que vai precisar agir neste momento, sob pena de perdermos cada vez mais os nossos direitos. A PEC 32 realmente destrói os serviços públicos”. Paulo Guadagnin, também diretor do sindicato e presente ao ato, concorda: “Esse ato vem em uma crescente organizativa da classe trabalhadora, com cada vez mais entidades, centrais, movimentos sociais. Cada vez mais, estamos nos agrupando, em cada ato vem mais gente. Esse ato é mais uma etapa e, com certeza, no dia 29 vai ser mais um passo na crescente da classe trabalhadora, cada vez mais se organizando e expressando a vontade de acabar com o governo Bolsonaro, esse grito entalado na garganta. Por isso, faço um chamamento para todo mundo que puder, participe do ato do dia 29”.

O colega Milton Oliveira, que também participou da mobilização, entende que “essa atividade de hoje é um ensaio para as grandes mobilizações que vão acontecer no dia 29. Fica claro que não é o Supremo, não é a oposição parlamentar, é apenas o povo na rua que vai conseguir deter os ataques, que incluem agora a PEC da reforma administrativa. Somente a mobilização popular vai deter esses ataques, que são contra toda a população, contra os direitos sociais”. Para o diretor Ramiro López, “o ato de hoje foi muito relevante porque mostra a disposição de luta dos trabalhadores e trabalhadoras, de não aceitar passivamente a perda de direitos e os ataques. No dia 29, estaremos nas ruas mais uma ver para fortalecer essa luta”.

O ato público deste sábado será as 15h, com concentração prevista em frente à Prefeitura. O organização orienta o uso de máscara e álcool em gel.