SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

CONSCIÊNCIA NEGRA

Sintrajufe/RS participa, em Porto Alegre, da Marcha Independente Zumbi e Dandara, que completa 20 anos

Em 2025, a Marcha Independente Zumbi e Dandara completou 20 anos, reforçando seu papel de destacar as lutas e a memória do povo negro. O Sintrajufe/RS participou da atividade, realizada no dia 19, véspera do feriado nacional comemorativo ao 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra.

A marcha foi organizada pelo Novembro Antirracista Unificado, que promoveu diversas atividades ao longo do mês, culminando com a marcha. A iniciativa reúne movimentos sociais, coletivos culturais, sindicatos e parlamentares comprometidos com o enfrentamento ao racismo.

Os e as manifestantes se concentraram na Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre, seguindo depois até o Largo Zumbi. Neste ano, o lema da marcha foi “Povo negro contra a chacina nas periferias e na Palestina”, exigindo desmilitarização das polícias e denunciando o genocídio da juventude negra. Além das manifestações de lideranças políticas, sindicais e ativistas, houve diversas apresentações, como roda de capoeira e intervenções artísticas de dança, música e performance.

A violência policial nos territórios periféricos, associada a operações de grande letalidade no Rio de Janeiro e ao massacre contínuo do povo palestino, ampliou a dimensão política do ato deste ano. O relatório “Pele alvo: crônicas de dor e luta”, da Rede de Observatórios da Segurança, registrou que 3.066 pessoas negras foram mortas pela polícia no ano passado, representando 86,2% das vítimas de letalidade policial. O Rio Grande do Sul seguia em 2023 como líder nacional no assassinato de pessoas negras.

A diretora do Sintrajufe/RS Carmem Regina Barros afirma que a Marcha Zumbi e Dandara representa “nossa resistência, apontando que o racismo segue vivo, porque o privilégio branco segue intacto”. Para a dirigente a marcha representa “nossa insistência em demonstrar que respeito é base, igualdade é obrigação e racismo é uma ferida que só cura com verdade, justiça e atitude. Racismo não se discute, se combate. Igualdade se pratica”. Carmem ressalta que a marcha, para além de ser uma caminhada no Dia da Consciência Negra, representa a consolidação de um povo que foi e é protagonista da construção da nação brasileira. “Nossa ancestralidade, nossa arte, nossa cultura são a nossa força e identidade. Eu me sinto muito feliz e grata de participar de um sindicato que apoia essa causa tão nobre e humana.”

“A Marcha Zumbi e Dandara é sempre um ato de valorização da negritude gaúcha e brasileira, bem como um apoio de todos na campanha antirracista”, afirma o colega Mario Marques, da Justiça Federal de Porto Alegre. Ele destaca que o Sintrajufe-RS está sempre presente nas edições da marcha e exalta: “Viva o mês da Consciência Negra! Viva o dia 20 de Novembro, o sonhado feriado da Consciência Negra!”.

O colega da Justiça do Trabalho de Taquara Diogo Corrêa participou pela terceira vez da Marcha Zumbi e Dandara. “É um evento de grande simbolismo para os movimentos negros. Tenho orgulho em ver meu sindicato como um dos apoiadores e parceiros dessa manifestação essencial”, afirma.


Para Diogo, a marcha é “uma expressão poderosa de resistência e luta, especialmente neste momento, em que a segurança pública no Brasil é marcada por uma abordagem reativa e violenta, que afeta desproporcionalmente a população negra e periférica”. Para ele, fica cada vez mais evidente que muitos dos que pregam o enfrentamento ao crime organizado estão, na prática, “defendendo bandidos” com suas propostas, pois buscam enfraquecer as instituições que poderiam “combater a espinha dorsal do crime”. O colega chama a atenção para a urgência de uma atuação estatal que não apenas combata o crime, mas que também respeite e proteja os direitos das comunidades mais atingidas. “O Sintrajufe/RS cumpriu um papel fundamental ao apoiar e participar ativamente dessa marcha, reafirmando seu compromisso na luta contra o racismo estrutural e por uma sociedade mais justa e igualitária.”

Com informações do Brasil de Fato