Três semanas após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas no Carrefour, Porto Alegre voltou a ser local de protestos contra o racismo. E mais uma vez, infelizmente, o motivo foi a morte de uma pessoa negra causada pela violência racista. A servidora da área administrativa da Guarda Municipal, ativista dos movimentos negro, feminista e dos direitos humanos Jane Beatriz Machado da Silva morreu durante ação da Brigada Militar em sua casa, na Vila Cruzeiro.

Jane, de 60 anos, era mãe, avó e bisavó. Era, também, uma líder comunitária da Cruzeiro e formada como Promotora Legal Popular da ONG ThemisGênero, Justiça e Direitos Humanos, organização que trabalha no enfrentamento da discriminação contra as mulheres. E, na terça-feira, 8, tornou-se mais uma vítima fatal do racismo institucional. Ela sofreu um aneurisma após ter sua casa invadida pela polícia, algo que dificilmente ocorreria em uma zona nobre da cidade. As circunstâncias da morte ainda não estão esclarecidas, e familiares e lideranças da Cruzeiro não acreditam na perícia realizada às pressas. Ainda na terça-feira, moradores da Cruzeiro realizaram um protesto contra a morte de Jane, mas a manifestação foi fortemente reprimida pela polícia.
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Nessa quarta, 9, chamado pelo movimento União das Vilas, o ato contou com a participação de moradores, lideranças comunitárias, movimentos sociais, dirigentes sindicais e parlamentares. O Sintrajufe/RS esteve presente na mobilização, solidarizando-se com a comunidade, fortalecendo a luta antirracista e contra a violência policial e exigindo justiça para Jane. O diretor Marcelo Carlini apontou que não podemos deixar passar essa brutalidade e precisamos cobrar justiça para Jane. O governo do estado e a Brigada Militar têm a obrigação de apurar os fatos e punir os responsáveis .

Para o diretor Mario Marques, o protesto foi um ato político muito significativo: foram emocionantes os relatos de familiares e dos moradores da Vila Cruzeiro do Sul. A bancada negra de vereadores eleitos para a Câmara de Porto Alegre também esteve presente, assim como parlamentares. E foram feitas cobranças ao governo estadual diante da repressão constante da Brigada Militarmuitas vezes sem mandados, não observando a Constituição Federal. Todos os participantes exigiram justiça. E o Sintrajufe/RS esteve presente para se solidarizar com a dor da família da Jane, amigos e moradores .

Também diretor do Sintrajufe/RS, Fabrício Loguércio avalia que o ato foi muito significativo: Um ato de protesto por mais uma mulher negra, pobre, da periferia, que não tem os seus direitos respeitados pela força policial. Custou-lhe a vida pedir que fosse apresentado um mandado. Nosso sindicato representa, dentre outros segmentos da nossa categoria, os oficiais e as oficialas de justiça. Se a polícia não precisa de mandado pra fazer busca em casa de pobre, para que servem os oficiais? Não podemos nos calar diante deste fato e temos que cobrar a apuração até o fim. Com as devidas responsabilizações de quem coordenou e executou a referida ação. Onde está o mandado de busca na casa da Jane?! .














