SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Sintrajufe/RS participa de ato na Cruzeiro contra violência policial e racismo e exige justiça para Jane, ativista morta em ação da polí­cia

Sintrajufe/RS participa de ato na Cruzeiro contra violência policial e racismo e exige justiça para Jane, ativista morta em ação da polí­cia

Três semanas após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas no Carrefour, Porto Alegre voltou a ser local de protestos contra o racismo. E mais uma vez, infelizmente, o motivo foi a morte de uma pessoa negra causada pela violência racista. A servidora da área administrativa da Guarda Municipal, ativista dos movimentos negro, feminista e dos direitos humanos Jane Beatriz Machado da Silva morreu durante ação da Brigada Militar em sua casa, na Vila Cruzeiro.

Jane, de 60 anos, era mãe, avó e bisavó. Era, também, uma lí­der comunitária da Cruzeiro e formada como Promotora Legal Popular da ONG ThemisGênero, Justiça e Direitos Humanos, organização que trabalha no enfrentamento da discriminação contra as mulheres. E, na terça-feira, 8, tornou-se mais uma ví­tima fatal do racismo institucional. Ela sofreu um aneurisma após ter sua casa invadida pela polí­cia, algo que dificilmente ocorreria em uma zona nobre da cidade. As circunstâncias da morte ainda não estão esclarecidas, e familiares e lideranças da Cruzeiro não acreditam na perí­cia realizada às pressas. Ainda na terça-feira, moradores da Cruzeiro realizaram um protesto contra a morte de Jane, mas a manifestação foi fortemente reprimida pela polí­cia.

Nessa quarta, 9, chamado pelo movimento União das Vilas, o ato contou com a participação de moradores, lideranças comunitárias, movimentos sociais, dirigentes sindicais e parlamentares. O Sintrajufe/RS esteve presente na mobilização, solidarizando-se com a comunidade, fortalecendo a luta antirracista e contra a violência policial e exigindo justiça para Jane. O diretor Marcelo Carlini apontou que não podemos deixar passar essa brutalidade e precisamos cobrar justiça para Jane. O governo do estado e a Brigada Militar têm a obrigação de apurar os fatos e punir os responsáveis .

Para o diretor Mario Marques, o protesto foi um ato polí­tico muito significativo: foram emocionantes os relatos de familiares e dos moradores da Vila Cruzeiro do Sul. A bancada negra de vereadores eleitos para a Câmara de Porto Alegre também esteve presente, assim como parlamentares. E foram feitas cobranças ao governo estadual diante da repressão constante da Brigada Militarmuitas vezes sem mandados, não observando a Constituição Federal. Todos os participantes exigiram justiça. E o Sintrajufe/RS esteve presente para se solidarizar com a dor da famí­lia da Jane, amigos e moradores .

Também diretor do Sintrajufe/RS, Fabrí­cio Loguércio avalia que o ato foi muito significativo: Um ato de protesto por mais uma mulher negra, pobre, da periferia, que não tem os seus direitos respeitados pela força policial. Custou-lhe a vida pedir que fosse apresentado um mandado. Nosso sindicato representa, dentre outros segmentos da nossa categoria, os oficiais e as oficialas de justiça. Se a polí­cia não precisa de mandado pra fazer busca em casa de pobre, para que servem os oficiais? Não podemos nos calar diante deste fato e temos que cobrar a apuração até o fim. Com as devidas responsabilizações de quem coordenou e executou a referida ação. Onde está o mandado de busca na casa da Jane?! .