SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

LUTO

Referência na cena artí­stico-cultural do Rio Grande do Sul, Zé da Terreira morre aos 78 anos

José Carlos Gonçalves Peixoto da Silva, mais conhecido como Zé da Terreira, morreu na manhã dessa terça-feira, 7, no Hospital Vila Nova, em Porto Alegre, onde estava internado para tratamento de uma doença autoimune. Ator, cantor, instrumentista, agitador cultural, ele foi, por mais de três décadas, uma referência na cultura do Rio Grande do Sul e, mais especificamente, na capital.

Natural de Rio Grande, o artista morava havia quase 30 anos na Casa do Artista Riograndense. A instituição publicou, nas redes sociais, que “Zezão deixa um legado inesquecí­vel para a comunidade cultural do nosso paí­s e será para sempre lembrado com carinho por seus amigos, companheiros de cena e familiares”. No dia 27 de outubro, a Casa divulgou que Zé da Terreira estava necessitando de ajuda financeira e solicitou doações.

O teatro e a música

A partir de 1961, aos 16 anos, quando desistiu de cursar Geologia, o jovem José Carlos começou a cantar e atuar. Queria participar daquele universo o qual admirava quando assistia às matinês do Cine-Teatro Glória, na cidade natal. Era mais um sentimento vago de querer ser artista. Só fui conhecer o teatro depois, quando estava dentro do teatro, estudando a construção do espetáculo, a arte como ciência e o lugar do artista nesse território , disse em entrevista ao portal Extraclasse.

Em 1969, ingressou no então Centro de Arte Dramática da Ufrgs e estreou no reconhecido Tablado da mineira Maria Clara Machado, com a peça infantil A menina e o vento . No ano seguinte, rumou para o Rio de Janeiro. Lá, conviveu com o grupo Tá na Rua, participou como cantor no Festival Universitário de Música Brasileira, participou do programa de auditórios do Chacrinha, recebeu prêmios e um convite para integrar o elenco da primeira montagem brasileira da ópera-rock Hair , um marco da época.

Em 1984, de volta a Porto Alegre, trabalhou com o ói Nóis Aqui Traveiz, no espetáculo A exceção e a regra , de Bertolt Brecht, no qual, além de atuar, participou como compositor, ao lado de Johann Alex de Souza e Mário Falcão, musicando as letras do dramaturgo alemão. Posteriormente, esse repertório foi mostrado em show no Instituto Gí¶ethe. Desse contato, vingou o apelido que o seguiu pela vida toda, Zé da Terreira.

Sempre acompanhado de seu maracanã, instrumento de percussão, Zé realizou vários trabalhos na música. Com Caio Gomes, mostrou músicas de Noel Rosa no show Conversa de Botequim . Também montou os shows Césio 137 , na Terreira da Tribo, Tiro ao álvaro , com músicas de Adoniran Barbosa, e áfrica-Brasil , com apresentações ao ar livre no Largo Glênio Perez, na Usina do Gasômetro, na Escola de Samba Imperatriz Dona Leopoldina e na Esplanada da Restinga. E, em 2002, lançou o CD “Quem tem boca é pra cantar”.

Em 2000, o artista recebeu da Câmara Municipal de Porto Alegre o Prêmio Qorpo Santo, por relevantes serviços prestados à cultura local. Em 2009, veio o Prêmio de Patrimônio Imaterial Personagens do Centro de Porto Alegre , do Instituto Hominus/Unesco/Iphan e Ministério da Cultura.

Durante a pandemia, recluso na Casa do Artista Rio-Grandense, ele contou ao Extraclasse os dias eram de espera pelo retorno do trabalho, do contato com o público: O espectador vê a obra pronta. Nem todos sabem que o artista trabalha com a instabilidade. Com a licença do Iberê Camargo, quero dizer que o processo de criação é agonizante. Tu és um artista, tu vives entre os teus iguais, o território é o que te define. Mas isso não te livra dessa agonia .

Com informações de Extraclasse, Correio do Povo e Assembleia Legislativa do RS