SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Paí­s tem o homicí­dio como principal causa de morte entre jovens

Em quase todos os paí­ses, assim como no Brasil, as principais causas de mortes entre as pessoas são doenças como as cardí­acas, isquêmicas, acidentes vasculares cerebrais, câncer, diarreias e HIV. Mas, segundo dados da Vigilância de Violências e Acidentes do Sistema único de Saúde (Viva SUS 2008-2009), o homicí­dio tem ficado em terceiro lugar do ranking de causas de mortes dos brasileiros. Estratificando-se pela faixa etária de 1 a 39 anos, esse número alcança a primeira posição.

De acordo com a pesquisa Global Burden of Disease (GBD) – Carga Global de Doença, em português -, publicada neste mês pela revista inglesa The Lancet e organizada pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, o Imperial College, de Londres, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fator violência é apontado como a principal causa de mortes entre jovens no Brasil e no Paraguai. Entre os paí­ses da América Latina, a Argentina, Chile e Uruguai têm os assassinatos em 12ª colocação, enquanto na Europa Ocidental, as mortes violentas ficam em 50ª lugar.

Dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Observatório de Favelas e do Laboratório de Análise da Violência (LAV-Uerj) divulgados em dezembro de 2012 destacam a parte deste número de homicí­dios que acontece ainda na adolescência. De acordo com o índice de Homicí­dios na Adolescência (IHA), criado em 2007 por essas instituições, o número de mortes entre jovens de 12 a 18 anos vem aumentando ao longo do tempo. Para cada mil pessoas nesta faixa etária, 2,98 é assassinada. O í­ndice em 2009 era de 2,61 e representa cerca de 5% dos casos de homicí­dio geral. Entre as principais causas de homicí­dio está o conflito com a polí­cia. O estudo aponta que, até 2016, um total de 36.735 adolescentes poderão ser ví­timas de homicí­dio.

Para Luiz Eduardo Soares, cientista polí­tico e especialista em segurança pública, esse quadro já não é novidade para quem estuda o assunto, mas traz uma reflexão urgente. Há 20 anos estamos vendo este cenário se repetir. E é isso que o torna cada vez mais grave porque sabemos quem são as ví­timas, mas não somos capazes de ajudá-las, de reverter estas estatí­sticas , lamenta.

Doriam Borges, do LAV-Uerj e um dos responsáveis pelo levantamento do IHA, explica que o í­ndice de homicí­dios entre os jovens expressa a metamorfose que a violência vem sofrendo ao longo do tempo. Nas décadas de 1960 e 1970, a violência era caracterizada por assalto a bancos e, embora houvesse homicí­dio e latrocí­nio, o número era menor. Atualmente, o tráfico de drogas nacional e internacional foi ganhando força no paí­s, mas o que é mais relevante é o aumento do tráfico de armas e a facilidade de acesso a estes instrumentos , explica.


Editado por Sintrajufe/RS – Fonte: Brasil de Fato online