SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

TáTICA DA CONFUSÃO

Noutro vai e vem, Bolsonaro recua de reposição especial para policiais e chantageia com recursos da saúde e educação, mas “esquece” de orçamento secreto

Ao participar de uma feira do segmento supermercadista, nesta quinta-feira, 26, Jair Bolsonaro (PL) aparentemente recuou da ideia de oferecer o que vem sendo chamado de reajuste privilegiado para carreiras policiais. Ele voltou a falar informalmente sobre a possibilidade de conceder 5% de reposição para todas as categorias de servidores, í­ndice que não atende às necessidades do funcionalismo.

Servidores e servidoras de todo o Brasil estão em campanha salarial desde janeiro deste ano, reivindicando 19,99% de reposição emergencial. Esse í­ndice refere-se apenas às perdas acumuladas durante o atual governo. Mesmo assim, Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, não apresentaram qualquer proposta formal à maioria das categorias, apenas ventilando possibilidades pela imprensa. Entre sugestões e recuos, a tática do governo de gerar confusão para desmobilizar fica clara, mas não tem obtido sucesso: a cada semana, tanto em Brasí­lia quanto nos estados os sindicatos vêm realizando manifestações em defesa da pauta.

Os 5% dos quais Bolsonaro agora fala já foram citados em outros momentos, sem ir adiante. Porém, trata-se de um í­ndice muito longe do necessário: não cobre sequer metade das perdas inflacionárias dos últimos doze meses, que passam de 12%. O governo, porém, alega não ter recursos para oferecer mais do que isso. Nesta quinta, Bolsonaro chegou a dizer que não tem dinheiro no orçamento e que oferecer reajuste superior a 5% poderia obrigá-lo a retirar recursos da saúde e da educação, o que poderia levá-lo a cometer crime de responsabilidade.

Na verdade, há muitos outros lugares de onde poderiam ser cortados recursos a serem disponibilizados para a reposição dos servidores, como os bilhões injetados no orçamento secreto para comprar de parlamentares votos favoráveis a projetos do governo. Em 2022, por exemplo, Bolsonaro realizou cortes milionários nos orçamentos da saúde e da educação, mas direcionou os recursos do orçamento a seu gosto: do total previsto para o Orçamento anual, de R$ 4,73 trilhões, R$ 1,88 trilhão estão sendo direcionados para o refinanciamento da dí­vida pública federal; Bolsonaro também manteve R$ 16,48 bilhões em recursos do orçamento secreto para distribuição de recursos a aliados polí­ticos sem qualquer transparência.


O orçamento secreto vem servindo como espaço para diversos casos de corrupção. Em outubro do ano passado, por exemplo, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apontou que pelo menos 30 parlamentares destinaram verbas públicas para compras de tratores e máquinas agrí­colas sob suspeita de superfaturamento . Pouco antes, o Sintrajufe/RS noticiara o caso do feirão de emendas , no qual parlamentares vendiam emendas do orçamento secreto.

Na próxima semana, Sintrajufe/RS participa de mobilizações em Brasí­lia

O próximo passo da campanha salarial acontece na próxima semana, em Brasí­lia. A pressa é grande: o prazo para conseguir a reposição neste ano é 4 de julho. Na parte da manhã, haverá ato público dos servidores públicos federais com concentração no espaço do servidor. À tarde, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, acontece o ato polí­tico Pela valorização das Servidoras e Servidores Públicos: Recomposição Inflacionária Já . O Sintrajufe/RS enviará caravana para fortalecer as atividades.