No dia 7 de julho, foi realizado o 11º encontro do Grupo de Leitura Antirracista do Sintrajufe/RS, tendo como tema o livro “Lugar de Fala”, da filósofa Djamila Ribeiro, uma das obras fundamentais da coleção “Feminismos Plurais”. A iniciativa faz parte de um esforço contínuo do sindicato para promover educação antirracista, reflexão coletiva e espaços de acolhimento, fortalecendo uma cultura de equidade e justiça social.
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Durante o encontro, foi destacado que o conceito de “lugar de fala” não se trata de restringir quem pode falar, mas de reconhecer como as estruturas sociais privilegiam ou silenciam determinadas vozes com base em raça, gênero e classe. A obra de Djamila Ribeiro, assim como as contribuições de pensadoras como Patricia Hill Collins, Grada Kilomba, Lélia Gonzalez e Audre Lorde, reforça a importância de entender as opressões interligadas e a necessidade de combatê-las de forma interseccional.
A diretora do Sintrajufe/RS Camila Telles ressaltou a importância dos temas discutidos no grupo: “Conversamos sobre a obra já clássica da literatura antirracista ‘Lugar de Fala’, da filósofa paulistana Djamila Ribeiro. Um dos pontos mais importantes para mim é a noção de organização narrativa, onde todas as pessoas têm propriedade para falar a partir do seu ‘lugar de fala’, lugar no mundo, ‘fila do pão’. Outra questão importante discutida é a do ‘identitarismo’, usado por algumas pessoas para desqualificar a união dos e das trabalhadoras em torno de pautas ditas pessoais, mas que na verdade são políticas”. E completa: “Não podemos nos esquecer: a classe trabalhadora é feita por pessoas e suas interseccionalidades. A classe trabalhadora não é uma mera abstração teórica”.
Segundo o colega Mario Marques, oficial de justiça da Justiça Federal de Porto Alegre, “o encontro foi excelente, como sempre. A obra tem muito sobre representatividade, protagonismo e lugar de fala que a autora Djamila Ribeiro soube muito bem explorar. Conseguimos desfazer uma confusão rotineira e diferenciar o que é representatividade, que só quem faz parte de determinado grupo pode chamar para si, de “lugar de fala” que todos têm, conforme suas realidades”
O Grupo de Leitura Antirracista tem sido um espaço fundamental para desconstruir mitos, ampliar o repertório crítico e promover diálogos transformadores entre servidores do PJU e MPU. Já foram 10 obras discutidas (lista abaixo). A proposta é seguir aprofundando discussões que contribuam para uma sociedade mais justa, onde todas as vozes sejam valorizadas e as desigualdades estruturais sejam enfrentadas coletivamente.
Obras debatidas em 2024:
| O avesso da pele (Jéferson Tenório) |
| O Pacto da Branquitude (Cida Bento) |
| Marrom e Amarelo (Paulo Scott) |
| Nada digo de ti, que em ti não veja (Eliane Alves Cruz) |
Obras debatidas em 2025:
| Louças de família (Eliane Marques) |
| Como ser um educador antirracista (Bárbara Carine) |
| Torto Arado (Itamar Vieira Junior) |
| Eu, Tituba: Bruxa negra de Salem (Maryse Condé) |
| Lugar de negro (Lelia Gonzales) |
| Lugar de Fala (Djamila Ribeiro) |












