SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

FEMINICÍDIOS

Duplo assassinato no RJ escancara violência contra mulheres na liderança e no trabalho

Na última sexta-feira, 28, uma das principais instituições públicas de ensino do Rio de Janeiro, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ) foi palco de um duplo feminicídio, episódio que escancara como a violência de gênero e a recusa da sociedade brasileira em aceitar mulheres em posições de liderança permanecem vivas e letais. A diretora da equipe pedagógica Allane de Souza Pedrotti Matos, de 41 anos, e a psicóloga da instituição, Layse Costa Pinheiro, de 40 anos, foram assassinadas a tiros dentro do setor de pedagogia. O atirador é o servidor João Antônio Miranda Tello Ramos, que, após o assassinato das vítimas, cometeu suicídio. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ).

As primeiras informações apontaram que o motivo era a recusa de João Antônio em aceitar a chefia de mulheres. Allane era sua superior hierárquica e, segundo relatos colhidos pela investigação, o servidor demonstrava resistência explícita à autoridade feminina. Ele chegou a ser transferido para outra unidade e afastado com laudo psiquiátrico, mas retornou ao campus antes do ataque que tirou duas vidas e traumatizou a comunidade escolar.

Este atentado não representa um caso isolado. É a manifestação mais extrema de práticas de violência e deslegitimação da liderança feminina, presentes em empresas, órgãos públicos e universidades de todo o país. Não há dados atualizados para o ano de 2025 sobre violência contra mulheres no ambiente de trabalho, mas os dados já coletados anteriormente mostravam uma realidade que ode ser pior nos dias de hoje, se levarmos em consideração o aumento da violência no geral. Segundo a pesquisa Ipsos de 2020, 27% dos brasileiros se sentem desconfortáveis quando a chefia é exercida por uma mulher. Entre os homens, esse percentual sobe para 31%, aproximando o Brasil de países com forte cultura patriarcal, como Índia e Coreia do Sul.

Violência e assédio: rotina que atinge 76% das mulheres

O ambiente de trabalho se tornou um dos principais espaços de reprodução das desigualdades de gênero. Uma pesquisa Locomotiva/Instituto Patrícia Galvão, de 2020 revelou que 76% das mulheres já sofreram um ou mais episódios de violência ou assédio no trabalho.

Entre as violências mais relatadas estão:

Gritos, xingamentos e humilhação: 40% das mulheres já passaram por isso, contra 13% dos homens
Controle abusivo e críticas excessivas
Discriminação por aparência, raça, idade ou orientação sexual
Comentários e elogios constrangedores

Os impactos são profundos: tristeza, desmotivação, medo, adoecimento mental e desligamento do trabalho. 21% das vítimas pediram demissão após sofrer assédio.

Paralelamente é preciso reconhecer que, para além da violência enfrentada pelas mulheres no trabalho, há ainda o obstáculo que é ‘chegar ao posto de comando’. Se acordo como o IBGE, (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) as mulheres estão em apenas 39% dos cargos de liderança no país, apesar de serem mais de 50% da população economicamente ativa.

Impunidade

Mesmo diante do quadro extremo de violência, a punição ao agressor é exceção:

em 36% dos casos o agressor não sofre nenhuma consequência
em 12%: a empresa sequer ouve a vítima
apenas 34% dos casos denunciados resultam em punição

Muitas mulheres deixam de denunciar porque sabem que nada será feito, porque o agressor é superior hierárquico ou porque já viram a mesma violência impune repetidas vezes.

Em luta

A CUT segue mobilizada pela implementação de protocolos de prevenção e enfrentamento ao assédio e à violência em todas as instituições públicas e privadas. Por meio de campanhas, inciativas em sues sindicatos e em negociações coletivas, o movimento sindical cutista luta por ambientes mais seguros de trabalho para as mulheres. Paralelamente, a CUT também cobra ratificação da Convenção 190 pelo Brasil. A convenção reconhece a violência e o assédio como problemas graves que afetam trabalhadores de todos os setores e estabelece medidas para prevenir, punir e erradicar essas práticas no ambiente laboral.

Sintrajufe/RS oferece suporte e apoio a colegas que sofrerem assédio e violência no Judiciário Federal e no MPU no RS

O Sintrajufe/RS disponibiliza atendimento para as e os colegas que sofrerem assédio moral ou sexual; o enfrentamento dessas e de outras violências no trabalho é uma das prioridades da entidade. Além da participação de representantes da categoria nas comissões de combate ao assédio nos órgãos, o sindicato mantém atendimento interdisciplinar para esses casos. É importante a denúncia pelas vítimas não só para a punição do assediador, mas também para que outras pessoas se sintam encorajadas a fazê-lo.

Veja os canais para obter suporte da Saúde e do Jurídico do Sintrajufe/RS:

E-mail: [email protected] ou [email protected]
Telefone: (51) 3235-1977

Fonte: CUT