SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Dia do índio: comemorar o que, cara pálida?

A atual população indí­gena do Brasil é de 817 mil í­ndiví­duos, cerca de 0,4% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010. São 220 diferentes povos que falam 180 lí­nguas distintas e estão distribuí­dos entre 688 terras indí­genas e algumas áreas urbanas. Há estimativas de que no Brasil de 1500 a população indí­gena beirava 10 milhões de habitantes.

Cerca de 60% dos í­ndios do Brasil vivem na região designada como Amazônia Legal, mas registra-se a presença de grupos indí­genas em praticamente todas as unidades da Federação. Há também 82 referências de grupos indí­genas ainda não contatados, além daqueles que esperam o reconhecimento pela Funai.

A demarcação das terras indí­genas no Brasil de maneira não contí­nua, há séculos, é o principal motivo da dizimação que sofrem os í­ndios. Nas últimas décadas, a ofensiva dos latifundiários para intervir em territórios dos povos indí­genas tem sido uma constante. Os Xavantes, do Alto Rio Negro, e os Guaranis Kaiowás, do Mato Grosso do Sul, por exemplo, enfrentam uma ofensiva para forçar sua migração.

O cerco do “agronegócio” se fechou especialmente nas duas últimas décadas, quando surgiram as grandes empresas baseadas no plantio de soja e de cana. Para os próximos anos, está prevista a construção de 30 usinas de açúcar e álcool no Mato Grosso do Sul, com plantações de aproximadamente 700 mil hectares em pleno território indí­gena. Sem poder reagir, um grande número de í­ndios recorre ao suicí­dio como medida desesperada.

Ontem, 18, durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, senadores, representantes de povos indí­genas, além de outros debatedores, criticaram duramente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que transfere ao Congresso Nacional poderes para demarcar terras indí­genas. Para a presidente da comissão, senadora Ana Rita (PT-ES), a PEC é “um retrocesso absurdo”. A responsabilidade pela demarcação de terras pertence ao Executivo, por meio da Fundação Nacional do índio, que dispõe de recursos técnicos para isso.
 
Representantes do agronegócio, mineradoras e grandes empreiteiras têm agido para tentar inviabilizar e impedir o reconhecimento e a demarcação de terras indí­genas. 
 
No última terça-feira, 16, grupos de í­ndios lotaram o Plenário 1 da Câmara dos Deputados e ameaçaram não deixar o local até que seja revogada a decisão de instalar uma comissão especial sobre a PEC 215. A comunidade indí­gena exigiu que os seus povos sejam consultados pelo Congresso antes da votação de qualquer proposta que interfira em seus direitos já assegurados. Durante a ocupação, os í­ndios também relataram casos de violência e alertaram para a omissão do poder público em casos de conflitos agrários entre í­ndios e produtores rurais. 
 
Assim está sendo comemorado o Dia do índio, neste 19 de abril. Não bastassem as invasões ilegais de madeireiros, garimpeiros e produtores rurais em terras indí­genas, vemos os seus representantes no Congresso Nacional defendendo uma legislação que retira dos selvagens direitos constitucionais, inclusive o mais sagrado deles: o direito à terra que já ocupavam há bem mais de 500 anos, quando os brancos europeus nos descobriram .  
 
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