SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

DESTAQUE

Comissão da Verdade deve reunir grupo para discutir perseguição a trabalhadores

A
criação de um grupo de trabalho para investigar os crimes cometidos
contra trabalhadores e sindicalistas durante a ditadura militar no

Brasil será acertada na próxima semana em uma reunião entre
integrantes da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e dirigentes
nacionais da CUT.

Indicado
pela presidenta Dilma Rousseff para acompanhar a criação do GT, que
poderá ficar responsável pela elaboração de um capí­tulo
especí­fico sobre os trabalhadores no relatório final da CNV, o
ministro do Trabalho, Brizola Neto, também participará da reunião,
ainda sem dia confirmado, que acontecerá em Brasí­lia.

Vamos
incluir um capí­tulo especí­fico sobre os trabalhadores para que seja
resgatada toda a história dos dirigentes sindicais urbanos e rurais
que foram assassinados, os desaparecidos e os sindicatos invadidos
pelo golpe e, em seguida, perseguidos pelo regime militar , diz o
secretário de Polí­ticas Sociais da CUT, Expedito Solaney. Em
Genebra para uma reunião da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), o sindicalista diz que, assim que retornar ao Brasil na
próxima quarta-feira (20) agendará uma reunião com a advogada e
professora Rosa Maria Cardoso da Cunha, integrante da CNV, para
tratar do tema. A presidenta Dilma escalou o ministro do Trabalho
para que seja o interlocutor nessa reunião , revela.

A
iniciativa da CUT foi revelada à Dilma durante uma reunião
realizada no Palácio do Planalto com dirigentes da central sindical
pouco antes do carnaval. O apoio da presidenta é total, diz Solaney.
A reação da presidenta foi de quem sofreu o peso da ditadura,
reflete a visão de quem foi torturada. Ela disse que quem resistiu
ao regime, quem combateu o regime – independentemente de ser
intelectual, preto, branco, trabalhador, estudante – sofreu a
barbárie do regime. Então, são vários os capí­tulos abertos para
serem estudados. A presidenta quer debater, ela é suscetí­vel ao
assunto.

A CUT
se proporá a colaborar com os trabalhos da CNV, procurando
familiares e colhendo depoimentos. Já estamos, desde o último
congresso da CUT, com um trabalho desenvolvido junto aos nossos
sindicatos de base. O congresso discutiu e já naquela ocasião
apresentamos nomes à Comissão Nacional da Verdade. Vamos agora
aprofundar, pegar os casos mais emblemáticos e contribuir , diz
Solaney.

O
dirigente ressalta o interesse da central em esclarecer os fatos
ocorridos durante o perí­odo de exceção. A CUT nasceu combatendo
o regime. A CUT tem história e tem dirigentes que sofreram
perseguição, foram cassados, torturados e mortos. Nós temos muito
com o que contribuir, e vamos fazer isso.

Em
julho do ano passado, a CUT entregou à Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República (SDH) três listas: a primeira
com nomes de 82 trabalhadores rurais mortos ou desaparecidos e não
incluí­dos até aqui nos direitos da justiça de transição. A
segunda com quatro nomes de sindicalistas mortos ou desaparecidos
cujos processos não foram apreciados ou foram arquivados, e a
terceira com 23 nomes de sindicalistas mortos ou desaparecidos,
reconhecidos pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos.

Os
trabalhadores do campo também deverão ser alvo das investigações
da CNV. Um estudo
divulgado pela SDH
em setembro do ano passado revela que pelo
menos 1.196 camponeses e apoiadores foram mortos ou desaparecidos do
perí­odo pré-ditadura ao final da transição democrática
(1961-1988). Apenas os familiares de 51 dessas ví­timas, no entanto,
requereram reparações à Comissão de Anistia. Deste grupo, somente
os familiares de 29 tiveram seus direitos reconhecidos.

Por
intermédio de sua assessoria de imprensa, a CNV informa que ainda
não foi procurada oficialmente pela CUT ou pelo governo para tratar
da inclusão de um capí­tulo especí­fico sobre trabalhadores e
sindicalistas em seu relatório final. O assunto deverá ser tratado
pela primeira vez no âmbito da Comissão na reunião que será
realizada na próxima segunda-feira (18).

Para
abrir um novo grupo de trabalho, a CNV pode ser provocada por um
grupo social ou mesmo um indiví­duo. Foi o que aconteceu com o GT
especí­fico sobre as Igrejas, criado a partir do depoimento do
Anivaldo Padilha, que procurou espontaneamente a Comissão. Outros
temas podem surgir de demandas da sociedade civil ou até mesmo da
assessoria da CNV, caso do GT de Gênero, criado para apurar a
violência sexual durante o perí­odo da repressão.

Se o
novo GT for mesmo criado, haverá um anúncio oficial no site da CNV
na internet. Além disso, os membros da Comissão precisarão
formalizar a nomeação do coordenador de pesquisa do GT e definir se
será preciso chamar colaboradores. Segundo a assessoria da Comissão,
existe ainda a possibilidade de a questão ser abordada no já
existente GT sobre Estrutura da Repressão, que já havia se
debruçado sobre alguns casos de perseguição em sindicatos e
monitoramento de trabalhadores nas multinacionais por organismos dos
serviços de informação da ditadura.

Fonte: Rede Brasil Atual