SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Sintrajufe/RS participa de ato para apoiar trabalhadores da Dataprev, em greve contra demissões e privatização; movimento alcança primeira vitória

O Sintrajufe/RS esteve presente, na última quinta-feira, 30, em um ato dos trabalhadores e das trabalhadoras da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), no Centro de Porto Alegre. A categoria está em greve desde o meio de janeiro na luta contra as demissões e a privatização da empresa que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes tenta impor. O plano do governo é fechar 20 unidades e demitir 493 trabalhadores e trabalhadoras, enxugando a empresa para preparar sua entrega ao setor privado.

A greve foi iniciada no dia 21 de janeiro com os trabalhadores das unidades regionais do Rio Grande do Sul, Maranhão e Pará. Agora, estão engajadas na greve as unidades de Brasí­lia, Ceará, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraí­ba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Piauí­, Bahia, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Norte, Maranhão, Espí­rito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Sergipe e Alagoas. A categoria exige a realocação dos trabalhadores em outros órgãos do governo, especialmente no INSS, e a manutenção da Dataprev como empresa pública federal.

Primeira vitória da greve

Na noite de quinta-feira, 30, o site do jornal Estadão noticiou que o governo decidiu que 193 funcionários desligados da Dataprev seriam absorvidos pelo INSS. Conforme o jornal, uma portaria ainda precisa ser publicada para selar o remanejamento dos funcionários da Dataprev. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Processamento de Dados (Fenadados) promete que continuará a buscar mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), já que o acordo deixa de fora servidores já aposentados e que continuam trabalhando na estatal. Ainda segundo o Estadão, 71 trabalhadores e trabalhadoras aderiram a um programa de demissões voluntárias apresentado pelo governo e outros já estão cedidos para órgãos da administração pública. O embate, agora, refere-se ao destino de 362 servidores da Dataprev em atividade (169 aposentados e 193 que têm o emprego na Dataprev como única fonte de renda), além da luta contra a privatização da empresa.

A Dataprev

A Dataprev fornece a infraestrutura de sistemas e redes para o funcionamento do INSS. É a empresa que administra o maior cadastro social do paí­s e é responsável por processar os benefí­cios, que somam R$ 555 bilhões por ano. Criada em 1974, é uma empresa pública, vinculada ao ministério da Economia, possuindo personalidade jurí­dica de direito privado, patrimônio próprio e autonomia administrativa e financeira. O capital social é distribuí­do entre a União, com cinquenta e um por cento e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com os restantes quarenta e nove por cento.

Entre outras informações, o Dataprev gere dados referentes a programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Famí­lia, e da Carteira de Trabalho digital, além da Previdência. Além disso, a empresa cuida do seguro desemprego, do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Cadastro Nacional de Informações Sociais, do Sistema de Benefí­cios do INSS e da Intermediação de Mão de Obra e do Cadastro Brasileiro de Ocupação. Todos esses dados podem ir parar nas mãos de uma empresa privada, que tem seus próprios interesses e que visa o lucro e não o interesse público. Assim, o governo coloca em risco a segurança e o sigilo dos dados de todos os brasileiros.

Demissões e privatização

No dia 15 de janeiro, Bolsonaro assinou decreto que incluiu a Dataprev na lista de privatizações do Programa de Parcerias de Investimentos e no Programa Nacional de Desestatização. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a Dataprev pretende demitir 493 funcionários, 15% dos 3.060 servidores da empresa. A estatal vai fechar filiais em 20 estados brasileiros, mantendo apenas sete unidades estratégicas no paí­s.

O governo também lançou um programa de demissões voluntárias que pretendia acabar com 493 cargos, deixando quase meio milhar de trabalhadores desempregados. O prazo oficial para adesão encerrou-se no dia 20, com apenas 71 trabalhadores e trabalhadoras aceitando a proposta. Conforme as entidades representativas da categoria, o governo tenta, das mais diversas formas, forçar as demissões. Conforme relatos, a empresa enviou representantes aos locais de trabalho para fechar unidades e entregar cartas de demissão.

Militarização

O movimento grevista também é crí­tico ao processo de militarização que o governo está implementando no INSS e pode expandir para todos os setores do serviço público. Assim, os grevistas pedem a revogação do decreto que trata do tema. O movimento argumenta, como o Sintrajufe/RS também tem defendido, que o caminho para melhorar a prestação de serviços públicos à população não passa pela militarização, e sim pela realização de concursos públicos e valorização dos servidores, bem como a retomada dos investimentos congelados pela emenda constitucional 95/2016.

No dia 18 de março tem greve nacional do Judiciário em defesa dos serviços públicos e contra as privatizações

Para os trabalhadores e trabalhadoras do Judiciário Federal e do Ministério Público da União no Rio Grande do Sul, o próximo passo na luta em defesa dos serviços públicos acontece no dia 18 de março. Para essa data, está marcado um grande dia de mobilizações em todo o paí­s em defesa do serviço público e contra as privatizações. A Fenajufe convocou uma greve nacional do Judiciário, à qual a categoria no Rio Grande do Sul irá aderir, conforme deliberação da assembleia geral do último sábado.