
Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado
A noite de terça-feira, 17, teve o desfecho que nenhum dos milhares de servidores do Judiciário Federal que se dedicaram à luta nos últimos meses gostaria. Por apenas seis votos, o Congresso Nacional decidiu manter o veto da presidente Dilma Rousseff (PT) ao projeto de reposição salarial da categoria, o PLC 28/15. A votação entre os deputados teve 251 votos pela derrubada do veto, 132 pela manutenção e onze abstenções. Seriam necessários pelo menos 257 votos pela derrubada do veto na Câmara, para que a votação prosseguisse no Senado Federal. Ao total, foram registrados 394 votos, mesmo com registro de presença de 456 deputados no Plenário. A manutenção do veto, porém, não encerra a luta da categoria por reposição salarial.
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A sessão durou quatro horas e 43 minutos, mas a mobilização dos servidores começou cedo e durou toda a terça-feira. De todo o país, centenas de colegas se dirigiram a Brasília para pressionar pela derrubada do veto 26. A caravana do Rio Grande do Sul, logo que chegou, dirigiu-se ao Congresso do PMDB, onde conversou com diversos parlamentares pedindo apoio à pauta. Os colegas do RS conversaram também com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cobrando a liberação do acesso ao Salão Verde, que estava interditado, o que acabou acontecendo.
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Em seguida, os integrantes da caravana gaúcha foram direto para o Congresso Nacional, seguir com o trabalho de convencimento e acompanhar a sessão, que estava marcada para as 19h e acabou tendo início às 19h51min com as galerias e o Salão Verde tomados pelos servidores. Também o gramado do lado de fora do Congresso reunia a categoriacentenas do lado de dentro, cerca de 7 mil do lado de fora, segundo estimativas de dirigentes presentes.
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Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado
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A sessão
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Aberta com quase uma hora de atraso, a sessão tinha ainda em pauta outros vetos. Todos foram incluídos na cédula de votação, e alguns novamente destacadosfoi o caso do veto 26, que acabou sendo o primeiro item a ser votado após a cédula. Nas primeiras falas da sessão, o veto à reposição dos servidores do Judiciário Federal foi o principal tema em pauta, com grande número de parlamentares defendendo o projeto dos servidores.
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Cerca de uma hora depois do início da sessão, a Esplanada dos Ministérios teve de ser fechada, tal a quantidade de manifestantes presentes. Após a votação da cédula, parlamentares se revezaram na tribuna para debater o veto 26, manifestando-se dois pela derrubada – deputado Rubens Bueno (PPS-PR) e senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP)e dois pela manutençãodeputado Paulo Pimenta (PT-RS) e senador José Pimentel (PT-CE).
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Logo após essas manifestações, foi a vez de as lideranças orientarem seus parlamentares. As orientações foram as seguintes:
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PP / PTB / PSC / PHS – Sim
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PR / PSD / Pros – Sim
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PMDB / Pen – Sim
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PT – Sim
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PSDB – Não
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PRB / PTN / PMN / PRP / PSDC / PTC / PSL / PtdoB – Sim
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PSB – Não
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DEM – Não
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PDT – Sim
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Solid. – Não
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PCdoB – Sim
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PPS – Não
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PV – Não
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Psol – Não
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Rede – Não
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Minoria – Não
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Governo – Sim
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Em seguida, às 23h28min, a votação do veto 26 foi aberta, enquanto, dentro e fora do Congresso, milhares de servidores seguiam mobilizados gritando palavras de ordem pela derrubada. Apenas 15 minutos depois, o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), encerrou a votação, o que foi denunciado por alguns dos parlamentares por se tratar de um procedimento inédito. No entanto, em vez de votar, diversos parlamentares se reuniam fora do Plenário e assistiam ao jogo de futebol entre as seleções brasileira e peruana. No total, 62 deputados registraram presença sem terem participado da votação do veto.
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Como votaram os deputados
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Alguns aspectos da votação devem ser destacados. Entre os 47 deputados do PSDB que votaram, apenas um votou Sim, pela manutenção do veto, o gaúcho Nelson Marchezan Júnior. Três deputados do Rio Grande do Sul não estiveram presentes: Danrlei (PSD) (que está em licença paternidade), Luiz Carlos Busato (PTB) e José Otávio Germano (PP). Além deles, o deputado Giovani Cherini (PDT) registrou presença, mas optou por não participar da votação, mesmo presente naquele momento. Tanto Busato quanto Germano haviam se comprometido com a derrubada do veto. Além disso, o deputado Afonso Motta (PDT), que mais de uma vez prometeu votar pela derrubada do veto, acabou votando pela manutenção e, na condição de líder, orientando a bancada do partido a votar dessa forma.
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Veja como votaram os deputados do Rio Grande do Sul:
Deputados gaúchos que votaram pela derrubada do veto 26:
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Afonso Hamm (PP)
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Carlos Gomes (PRB)
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Covatti Filho (PP)
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Heitor Schuch (PSB)
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Jerônimo Goergen (PP)
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João Derly (Rede)
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José Fogaça (PMDB)
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Jose Stédile (PSB)
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Luis Carlos Heinze (PP)
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Marcon (PT)
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Onyx Lorenzoni(DEM)
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Osmar Terra (PMDB)
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Pompeo de Mattos (PDT)
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Ronaldo Nogueira (PTB)
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Sérgio Moraes(PTB)
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Deputados gaúchos que votaram pela manutenção do veto 26:
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Afonso Motta(PDT)
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Alceu Moreira (PMDB)
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Bohn Gass (PT)
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Darcísio Perondi (PMDB)
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Henrique Fontana (PT)
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Marco Maia (PT)
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Maria do Rosário (PT)
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Mauro Pereira (PMDB)
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Nelson Marchezan Junior (PSDB)
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Paulo Pimenta(PT)
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Pepe Vargas (PT)
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Renato Molling (PP)
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Deputados gaúchos que não compareceram à sessão ou não votaram:
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Danrlei (PSD) (em licença paternidade)
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Giovani Cherini (PDT)
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Luiz Carlos Busato (PTB)
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José Otávio Germano (PP)
Veja AQUIÂ a lista completa de votação.
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Assim, entre negociatas, traições e manobras, o veto 26 acabou mantido, tendo faltadoapenas seis votos para que fosse derrubado na Câmara, indo então para a votação entre os senadores. Após o fim da votação, servidores permaneceram por algum tempo nas galerias do Congresso, gritando contra os parlamentares e reafirmando a disposição de seguir lutando.
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A luta continua
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Mesmo com a manutenção do veto, a luta por reposição salarial continua. É fundamental que a categoria siga cobrando a conta das perdas salariais. Nesse sentido, é importante lembrar que o PLC 2.648/2015, projeto rebaixado definido em acordo entre o STF e o governo Dilma, sem qualquer consulta à categoria, prevê reajuste de apenas 12% sobre o vencimento básico e a GAJ passando dos atuais 90% para 140%, em ambos os casos em oito parcelas semestrais, e no entanto reajusta em até 25%, à vista, o valor dos cargos em comissão (CJ). Enquanto isso, o próprio STF busca garantir cerca de 16% de reajuste para os juízes apenas em 2016. A mobilização e a luta precisarão continuar, buscando fortalecer o acúmulo de forças da categoria na luta pelo PLC 28/15 para impulsionar a vitória nos próximos passos da batalha pela reposição salarial.
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O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, que esteve em Brasília acompanhando a sessão do Congresso, avalia a situação da luta: “A categoria lutou até o final pela derrubada do veto e, embora o Congresso tenha mantido o veto à base de negociatas e compra de votos pelo governo através de cargos, construímos o maior movimento da nossa história. Assim, a categoria precisa ter orgulho da luta que tem feito: enfrentou adversários poderosos, fez tremer os três Poderes diante do enfrentamento ao ajuste fiscal e da real possibilidade de derrubada do veto. O movimento é vitorioso, e a maior vitória já tinha sido alcançada, com a elevação da consciência da categoria e a construção de um novo paradigma de mobilização dos servidores. Isso vai ser importante para a continuidade da luta salarial e para as outras lutas da categoria, que não se encerram aqui”, afirmou Cristiano.









