Em sua edição desta semana, a revista Carta Capital reforça antigos ataques do governo e de setores da mídia aos servidores do Judiciário Federal, que há nove anos não têm reposição salarial e já acumulam perdas de cerca de 50%. Em matéria de cinco páginas, a revista produz uma grande confusão de informação ao não separar as necessidades dos servidores e os privilégios de juízes e da cúpula do Judiciário.
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A reportagem é assinada por André Barrocal e tem por título “Caro e ineficiente”. A linha de apoio informa que “O Judiciário consome 1,2% do PIB nacional, mas seus integrantes querem mais privilégios e mordomias”. Embora seja verdade que o Judiciário brasileiro é caro, dizer que “seus integrantes querem privilégios e mordomias” é reforçar na cabeça da população uma confusão a que muitos já estão acostumados, colocando no mesmo saco servidores e juízes. A foto principal da matéria reforça essa impressão, trazendo servidores em luta pela derrubada do veto ao PLC 28/2015, ainda aguardando apreciação no Congresso Nacional. O projeto repõe as perdas salariais acumuladas pela categoria nos últimos nove anos.
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A confusão volta a aparecer no terceiro e no quarto parágafos da reportagem:
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A folha de pessoal é a principal causa do altíssimo custo. No Judiciário, há gente e mordomias demais. O pagamento de 434.932 funcionários, entre juízes e servidores, mordeu 89,5% das despesas totais em 2014. O salário médio alcança 10,8 mil mensais. Apesar disso, a fatia de 1,2% no PIB é a mais baixa em seis anos, motivo, segundo Ros, de estar em curso uma ofensiva por mais recursos.
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Servidores de tribunais cercam o Congresso há semanas em uma pressão pela derrubada do veto presidencial à lei que reajustava o holerite da turma entre 53% e 78%. Se a lei vigorar, o Judiciário ficará 5 bilhões mais caro a partir de 2016. O custo dobrará de 2018 em diante. No mesmo Legislativo, avança um projeto do STF, datado de agosto, que reajuste em 16% o salário dos 11 ministros da Corte. As excelências passariam a receber 39.293 reais mensais. Detalhe: o salário dos ministros, hoje em 33.763 reais, foi corrigido há menos de um ano.
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Embora a partir daí a matéria se desdobre em críticas aos altos salários dos magistrados e aos inúmeros e injustificáveis benefícios recebidos por eles, em momento algum é esclarecido que não há patamar de comparação entre os salários de juízes e de servidores e que estes, ao contrário dos outros, não recebem sequer a reposição das perdas inflacionárias já há nove anos. De fato é alto o percentual de gastos com a folha de pagamento, mas é necessário que, em uma matéria como essa, se faça a distinção entre o recebido per capita pelos juízes e pelos servidores. A mesma necessidade se aplica em relação à média salarial.
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O Sintrajufe/RS repudia o teor da matéria e destaca a importância de que essas diferenças sejam colocadas à população de forma a não causar mais desinformação. A falta de clareza nas distinções entre as necessidades dos servidores e os privilégios dos juízes em nada colaboram para a necessária democratização do Judiciário ou mesmo para o fim dos privilégios, servindo à divisão da classe trabalhadora e aos interesses das cúpulas dos Poderes, que procuram aumentar ainda mais o abismo de remuneração e valorização em relação aos trabalhadores. A Carta Capital, que se afirma como uma revista com viés diferenciado em relação à mídia corporativa e que se diz ao lado dos trabalhadores, nada mais faz, com a reportagem em questão, do que reproduzir o discurso da mídia dominante, do governo e dos patrões.









