
A XIX Plenária Nacional da Fenajufe aprovou como principal eixo de ação da categoria na campanha salarial de 2015 a luta pela derrubada do veto ao PLC 28, sem apresentação de contraproposta. A plenária aprovou, ainda, proposta de exigência de nível superior para ingresso dos técnicos judiciários no cargo e um calendário de lutas.
A Plenária ocorreu de 23 a 25, em João Pessoa (PB). Participaram 232 servidores do Judiciário Federal, sendo 190 delegados com direito a voto e 42 observadores. O Sintrajufe/RS enviou uma delegação de 13 colegas. Além da mobilização pela reposição salarial e a discussão sobre a mudança de escolaridade para o ingresso de técnicos, os delegados debateram sobre Plano de Lutas e Plano de Carreira.
Foco na derrubada do veto
Derruba o veto já , o grito de guerra da luta pela aprovação da reposição salarial, ecoou várias vezes durante a Plenária, reafirmando o foco da mobilização. A Plenária aprovou a continuidade da luta, com novas manifestações em Brasília e nos estados com paralisação e Apagão em 16 e 17 de novembro. O calendário aprovado prevê caravanas a Brasília nesses dias, com ato nacional em frente ao Congresso em 17 de novembro, quando está prevista mais uma tentativa de apreciação do veto da presidente da Dilma Rousseff (PT) ao PLC 28/15.
Os delegados aprovaram, ainda, buscar o sobrestamento do PL 2.648/2015 na Câmara dos Deputados. Negociado entre governo e o STF, sem qualquer consulta à categoria, o projeto rebaixado não conta com o apoio dos servidores.
Greve histórica
O debate que avaliou a greve, apontada como a maior da história da categoria, ocorreu no dia 24. As falas dos servidores sinalizavam que o Judiciário Federal e do MPU seguiriam lutando pela derrubada do veto ao PLC 28/15.
Ao mesmo tempo, muitas das posições expostas por 52 servidores que se inscreveram para falar indicaram o entendimento de que, se as negociações estão paralisadas, isso se deve ao fato de STF e governo terem fechado as portas e se manterem intransigentes pela manutenção do veto e pela aprovação sem alterações do projeto rebaixado apresentado como alternativa (PL 2.648/15), à revelia dos servidores, que o rejeitaram.
No debate sobre a greve, não foram poucos os que defenderam a unidade da categoria e constataram o poder que os servidores do Judiciário Federal e do MPU adquirem quando se movimentam juntos em torno de uma mesma pauta. Conseguimos fazer um movimento nacional com uma pauta única, o que não foi possível nos últimos anos , disse Tarcísio Ferreira, da coordenação da Fenajufe. Ele destacou a importância não só da greve, como das grandes manifestações e da pressão de dimensões inéditas sobre o Congresso, mas ressaltou que a categoria só pode confiar em sua própria força. O Congresso Nacional é o despachante onde se carimbam os interesses da classe dominante no cenário político nacional , disse.
Críticas ao STF
Durante o debate, não foram poucas as críticas ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski. O coordenador da Fenajufe Adilson Rodrigues lembrou que, historicamente, as greves da categoria pressionam o chefe máximo do Judiciário para que ele cobre do governo os recursos necessários para atender as demandas do setor, mas que dessa vez o que ocorreu foi bem diferente disso. Ao invés de levar a pauta que defendia a autonomia, ele aderiu ao projeto do governo. O Judiciário tem política salarial sim, para os juízes , disse. O dirigente ressaltou, porém, que a luta vai prosseguir e que a organização sindical da categoria tem um histórico de lutas e de conquistas que demonstra que é possível vencer outra vez, sem fechar os olhos para as imensas dificuldades que estão colocadas. No auge do projeto neoliberal, nós conseguimos arrancar três planos de cargos , recordou.
O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira disse que a greve foi muito maior do que qualquer direção de sindicato ou federação , valorizando a participação do conjunto dos trabalhadores e o resultado dessa luta até aqui. Se não fosse a pressão da categoria, sequer seria necessário vetar, porque o projeto não teria passado , observou. Cristiano criticou os setores que defendem secundarizar a luta contra o veto para negociar o PL 2.648/15, enviado por Lewandowski ao Congresso à revelia dos servidores: Falam como se essa negociação estivesse dobrando a esquina, como se fosse fácil negociar com Dilma e Lewandowski, que se negam a negociar , disse. Temos que lutar para derrubar o veto, estando abertos à negociação, como sempre fizemos”, defendeu.
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Fenajufe e LutaFenajufe Notícias









