SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Com mudanças em ministérios, Dilma busca comprar apoio do PMDB à

 

Na última sexta-feira, 2, a presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou uma reforma ministerial que atendeu às pressões realizadas pelo PMDB e pela grande mí­dia. Dilma concedeu mais cargos aos peemedebistas e reduziu o número de ministérios, fundindo – e, por consequência, enfraquecendo – pastas importantes para a aplicação de polí­ticas públicas. As medidas não devem representar redução significativa nos gastos, servindo apenas para sustentar um “faz de conta” frente a um setor da mí­dia e a uma fatia da opinião pública. Os problemas econômicos estruturais não são de fato enfrentados, e o governo continua atuando para manter o lucro dos bancos e dos grupos que historicamente ganham com as polí­ticas econômicas dos governos brasileiros.

Como pagamento pela “governabilidade” e pela manutenção do veto 26, PMDB amplia seu poder 

Procurando manter-se no governoo que parece ser cada vez menos real, já que o PMDB tem dado muitas demonstrações de que são seus lí­deres que, de fato, estão governando “, Dilma cede cada vez mais aos seus aliados fisiológicos e amplia seu desgaste com os trabalhadores e os movimentos sociais. O veto 26, referente ao PLC 28/2015, vem sendo inclusive utilizado como moeda de troca de parte a parte, desrespeitando os servidores do Judiciário Federal. As tentativas de manutenção do veto são também parte das razões que explicam a entrega de cada vez mais espaço ao PMDB. A nossa categoria está colocada, assim, na linha de frente da luta contra o ajuste fiscal e por mudanças na condução da polí­tica econômica do governo.

Por outro lado, entre as diversas mudanças nos nomes no comando dos ministérios, o PMDB ganhou força, passando a ocupar, por exemplo, os ministérios da Saúde (com Marcelo Castro) e da Ciência e Tecnologia (com Celso Pansera, aliado próximo de Eduardo Cunha). De acordo com o site Uol, o avanço do PMDB vem sendo uma constante nos últimos anos de governos petistas. No iní­cio da primeira gestão de Lula, o PMDB comandava dois ministérios, e agora estará à frente de sete pastas, totalizando um orçamento de quase R$ 100 bilhões. O PT, por outro lado, vem cedendo espaço: começou o primeiro governo Lula com 19 dos 35 ministérios (54%) e, agora, terá 9 das 31 pastas (29%). O orçamento sob controle de ministérios comandados pelo PT será de R$ 75,5 bilhões, portanto menor do que o montante controlado pelo PMDB.

“Redução de salários”

Junto com a reforma ministerial, Dilma anunciou a “redução” de 10% do próprio salário e dos salários do vice-presidente e dos ministros e a revisão de todos os contratos de aluguel e de prestação de serviços. A presidente também anunciou outras mudanças na gestão do governo, como a definição de metas de eficiência no uso de água e energia, o corte de 3 mil cargos em comissão e a redução em até 20% dos gastos de custeio e de contratação de serviços terceirizados. Estima-se que esses cortes sejam irrisórios diante dos cortes que o próprio governa afirma serem necessários, em especial quando os salários agora cortados em 10% tenham recebido mais de 15% de reajuste apenas em janeiro de 2015.

Fusão de ministérios

Na busca por satisfazer os desejos de parte da mí­dia, que defende o enfraquecimento do Estado, Dilma fundiu em uma só pasta os antigos ministérios de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Polí­ticas para as Mulheres, em um retrocesso semelhante ao que realizou o governador José Ivo Sartori (PMDB) quando, logo no iní­cio de seu mandato, pressionado para reduzir pastas, extinguiu a Secretaria de Polí­ticas para as Mulheres. Assim, restam enfraquecidos na institucionalidade setores sociais que têm nas polí­ticas públicas, por mais deficitárias que sejam, alguma proteção em sua busca pelo reconhecimento de direitos.

O Ministério da Micro e Pequena Empresa foi fundido à Secretaria Geral de Governo, assim como as Relações Institucionais, a Segurança Institucional e a Secretaria Geral da Presidência, enquanto o Ministério da Pesca e Aquicultura foi unido ao Ministério da Agricultura. A Previdência Social foi fundida ao Ministério do Trabalho e Emprego. Por fim, o Ministério de Assuntos Estratégicos foi extinto. Além da redução dos ministérios, serão extintas 30 secretarias das pastas remanescentes.

Nessa conjuntura, é preciso que os servidores do Judiciário Federal estejam junto com o conjunto da classe trabalhadora na luta por mudanças efetivas e que beneficiem os trabalhadores. Apenas com unidade e mobilização será possí­vel reverter o cenário de perdas de direitos, congelamento de salários e enxugamento de investimentos em setores como a Saúde, a Educação e a Segurança Pública. A valorização salarial dos trabalhadores do Judiciário Federal é um passo necessário à derrota do ajuste fiscal, à qualificação e ao fortalecimento dos serviços públicos no paí­s.