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O diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira abriu os trabalhos, lembrando que, nacionalmente, a categoria vem debatendo Plano de Carreira e, em particular, questões atinentes ao cargo de técnico judiciário. O dirigente ressaltou que o sindicato já fez debates anteriormente sobre o assunto, o último na Justiça Federal, dia 7 de agosto, e que nos dias 17 e 18 será promovida Rodada de Assembleias de Base, em todo o estado, para que a categoria decida, da forma mais democrática possível, se quer ou não a exigência de nível superior para ingresso no cargo. De acordo com o aprovado na última assembleia geral, os votos de todas as assembleias serão somados, definindo a posição do RS sobre o assunto.
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Contextualizando o debate, o diretor do Sintrajufe/RS Ruy Almeida explicou que as discussões nos estados sobre a exigência de nível superior para o cargo de técnico serão incorporadas ao debate nacional sobre o plano de carreira da categoria. O diretor fez um breve histórico do debate sobre a proposta de exigência de nível superior para o cargo de técnico judiciário: em maio de 2014, ocorreu o I Encontro Nacional de Técnicos do Judiciário Federal e do MPU (Encontec), que encaminhou para a Fenajufe a criação do Coletivo Nacional (Contec). Ruy lembrou que o Sintrajufe/RS foi parceiro na criação do Contec, que realizou dois encontros neste ano, em março e junho. O RS segue a orientação nacional, de debater o assunto, pontuar as divergências que emergirem do debate e definir uma posição.
Em sua fala, o colega Mahatma Gandhi disse que o cargo de técnico está correndo grande risco de extinção. Para ele, o ponto de partida para a valorização e a salvação do cargo é a exigência de nível superior para ingresso. Gandhi explicou que a distribuição entre técnicos e analistas no Judiciário Federal está muito diferente de 20 anos atrás, quando o número de técnicos era bem maior, e alertou para o declínio do número de técnicos nas varas que estão sendo criadas em todo o país. O Judiciário de fato está abrindo mais vagas para analistas , disse o colega. A extinção do cargo, como ocorreu com os auxiliares, terá reflexos sobre os aposentados, que perderão a referência de cargo, afirmou Gandhi.
Outro ponto levantado pelo palestrante foi o fosso remuneratório entre técnicos e analistas, apesar de o nível de complexidade das atribuições ser, na prática, igual para ambos os cargos. Para Gandhi, a visão superficial de quem está fora e desconhece o trabalho é que o Judiciário é uma categoria com técnicos que recebem supersalários. Segundo o colega, a mudança na exigência de ingresso será a única maneira de justificar um aumento na remuneração. Ele alegou, ainda, que a evolução do cargo é uma justificativa para a mudança, devido à elevação da complexidade do trabalho, do aumento das metas e da celeridade, que exigem um quadro de servidores mais bem qualificados. Quanto à preocupação de elitização do ingresso com a exigência de nível superior, Gandhi afirma que isso já fugiu ao controle da categoria porque, acredita, os tribunais não criarão vagas que não sejam voltadas para o nível superior.
Categoria expõe posições sobre exigência de nível superior para ingresso
Depois da exposição do palestrante, foi aberto espaço para manifestação dos presentes, sem limite de inscrições. No total, 25 colegas manifestaram opiniões sobre o debate central da tarde, a exigência de nível superior para ingresso no cargo de técnico judiciário.
Foi afirmado que os tribunais estão aproveitando a mão de obra qualificada dos técnicos, pagando menos, e que o fato de as atribuições de técnicos e analistas serem praticamente as mesmas leva ao desvio de função em diversos locais de trabalho. Os servidores criticaram o abismo salarial existente entre técnicos e analistas e ressaltaram a necessidade de valorização dos técnicos.
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Os colegas que defendem a mudança na exigência para ingresso argumentaram que seria uma adequação à realidade do trabalho. Atualmente, afirmaram, a quase totalidade das pessoas aprovadas nos concursos do Judiciário tem diploma de graduação ou mesmo pós-graduação. Foi dito também que o salário pode ser considerado alto para pessoas com nível médio, que única chance de aumentá-lo é a equiparação com nível superior e que isso poderia ajudar a inserir a carreira entre aquelas consideradas típicas de Estado. Os colegas afirmaram que já haveria deliberação do Colégio de Presidentes e Corregedores dos TRTs (Coleprecor) de enviar ao Conselho Superior da JT (CSJT) orientação para que os concursos abram vagas apenas para analistas, o que reforça a ideia de extinção do cargo.
Houve divergência entre colegas que defendem a alteração de escolaridade, em relação à contrapartida remuneratória: alguns defenderam que é preciso primeiramente mudar a exigência de ingresso e depois lutar pelo incremento salarial. Outros disseram que há não por que fazer a mudança se não houver imediato incremento remuneratório, pois a categoria correria o risco de isso não ocorrer, a exemplo de outras categorias do serviço público que promoveram a mudança na exigência de ingresso e que, mesmo após vários anos, não obtiveram a redução do abismo salarial entre os diferentes cargos da carreira.
Houve também quem se colocasse contra a mudança na exigência para ingresso. Esses colegas argumentaram que a categoria tem de buscar outras formas na busca pela valorização e que essa é uma discussão que se integra no debate sobre carreira.
Foram registradas críticas a quem manifestou que o salário é alto para nível médio; segundo os colegas, isso desagregaria e tornaria sem motivo a atual greve, justamente por reposição salarial. Foi manifestada também a preocupação em não se promover uma divisão na categoria, como se houvesse uma guerra entre técnicos e analistas, mas que o importante é buscar a valorização da categoria como um todo, reduzindo os abismos salariais.
Outros colegas sugeriram que a discussão pode se dar não com a mudança na forma de ingresso, mas com a sobreposição de tabelas, como proposto na discussão promovida pela Fenajufe em 2009, ou a transposição de nível. A terceirização do cargo de técnico, como ocorreu com a extinção em curso do cargo de auxiliares, foi outra preocupação levantada. Segundo alguns colegas, a mudança pode trazer uma inversão, pois para os tribunais seria vantajoso abrir mais vagas para técnicos e exigir tarefas de acordo com o nível superior necessário para o ingresso, ao mesmo tempo em que estariam pagando menos do que para analistas.
Categoria decide, em assembleias de base, posição do RS sobre o tema
Nos dias 17 e 18 de setembro, quinta e sexta-feiras, o Sintrajufe/RS fará Rodada de Assembleias de Base em todo o estado, quando os colegas sindicalizados devem se posicionar sobre a proposta de exigência de nível superior para ingresso no cargo de técnico judiciário. Cada voto das assembleias será computado e enviado ao sindicato para totalização, conforme decidido na assembleia geral de 11 de setembro. O número final definirá a posição do RS, que será encaminhada à Fenajufe. O Sintrajufe/RS mantém aberto o espaço para manifestação dos colegas: textos sobre esse tema devem ser enviados para [email protected], para publicação no site.
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Assista AQUI ao vídeo do debate do dia 7 de agosto.
Assista AQUI ao vídeo do debate do dia 15 de setembro.
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Por Rosane Vargas; fotos: Alexandre Haubrich









