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O papel desempenhado pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), esteve longe de ser o de articulador de negociações para busca de um denominador comum. O líder do governo no Senado atendeu às determinações do Planalto, impediu a votação do projeto na primeira sessão em que o PLC 28/2015 esteve pautado e coordenou a operação que derrubou a sessão seguinte por falta de quórum.
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Não sabemos exatamente quais os métodos foram usados pela presidente Dilma Rousseff (PT) para fazer com que senadores que na semana anterior prometiam votar a proposta subitamente mudassem de opinião. Mas sabemos que estamos diante de um Congresso que não é confiável e que vem pautando ou sendo pautado pelo governo, dia após dia, com medidas que reduzem direitos dos trabalhadores.
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Vale tudo para nos atacar
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Na noite dos mesmos dias em que os senadores não votaram o PLC 28/2015 por conta das manobras do governo, na Câmara os deputados aprovavam as medidas provisórias que retiram R$ 18 bilhões do bolso dos trabalhadores e pensionistas da Previdência Social, as MPs 664 e 665. A distribuição de cargos para que isso ocorresse, segundo relatos de parlamentares e de jornalistas, foi farta.
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Não há, portanto, nem escrúpulos nem limites nas ações do governo para retirar direitos dos trabalhadores, economizar dinheiro à custa da penúria de milhões de brasileiros e fazer caixa para pagar os exorbitantes juros das dívidas públicas, pra lá de questionáveis, aos tubarões do mercado financeiro. Em 2015, o orçamento da União reserva cerca de R$ 3 bilhões por dia para pagar juros e rolar a dívida. Em outras palavras: o governo gasta “dois PLC 28” com os banqueiros por semana. Não surpreende que, em meio à crise, o banco Itaú tenha acabado de divulgar lucros estratosféricos no primeiro trimestre do ano.
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A falta de limites também está evidente no documento tosco preparado pelo Ministério do Planejamento, por determinação da presidente Dilma, logo após Delcídio levar até ela o “problema” PLC 28/2015. A conta que elevou o custo do projeto a R$ 25,7 bilhões é grotesca. É a demonstração inequívoca de que o objetivo jamais foi negociar, mas bombardear o projeto com apelos rasteiros para a opinião pública.
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O papel de Lewandowski
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Lamentavelmente, o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, assiste ao projeto do qual o Poder que chefia é autor ser esculhambado em praça pública sem nada fazer. Pior: por baixo dos panos, sem que a categoria fosse sequer comunicada, o STF participou da articulação que tenta levar o PLC para a Comissão de Assuntos Econômicos, uma arapuca controlada pelo governo no Senado pela qual o projeto não precisa e não deve passar. Fez isso à revelia da categoria, sem sequer consultá-la. Categoria que vinha lutando dia e noite no Congresso Nacional para defender a aprovação do projeto.
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É lamentável, mas não surpreende. A gestão de Lewandowski já possui dois momentos que o candidatam a um dos piores presidentes do Supremo no que se refere à valorização da categoria que carrega o Judiciário no seu dia a dia: após prometer tratamento equânime para juízes e servidores, fechou o acordo que excluiu os trabalhadores e aumentou apenas os subsídios das cúpulas dos três poderes; alguns meses depois, num movimento que deixou o governo feliz, pôs a ação dos quintos em pauta e ajudou a julgá-la contra os servidores e contra dezenas de decisões anteriores do próprio Supremo.
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Perdas não param de crescer
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É neste cenário que nos encontramos. O governo quer atrelar qualquer discussão salarial ao ajuste fiscal e ao desempenho de uma economia que anda para trás. Quer também, e colocou isso no projeto de diretrizes orçamentárias, impor que eventuais reajustes sejam proporcionalmente iguais para os servidores dos três poderes. Nas negociações gerais com o funcionalismo federal, nada pôs na mesa até agora. Nitidamente quer empurrar ao máximo as conversas, jogando as definições e respostas para agosto, quando o tempo exíguo da tramitação orçamentária tende a jogar a favor dele. É também esse o papel da CAE do Senado.
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Acumulamos perdas salariais de nove anos. Em março, recebemos a última parcela de 5% do reajuste de 2012. A inflação acumulada nos últimos doze meses já ultrapassa a marca dos 8%. A defasagem salarial já é superior a 40%. É muita coisa. O que o governo, o Congresso e o STF fizeram no final do ano passado quando chutaram para escanteio nosso projeto salarial foi um escândalo. O que querem fazer agora é uma vergonha. A farsa do documento do Planejamento é um acinte. Exigia uma resposta enérgica do STF, que, ao contrário, reage como carneirinhoou como lobo em pele de cordeiro.
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O problema do PLC 28/2015 não é o seu custo. Como dissemos, o governo gasta R$ 10,5 bilhões a cada 96 horas com a dívida públicae se recusa a auditá-la como manda a Constituição. Nos últimos dois anos, abriu mão, sem que ninguém lhe forçasse a isso, de R$ 40 bilhões em isenções fiscais para grandes empresários. O problema do PLC 28/2015 é que o dinheiro necessário para aprová-lo não vai para os donos do capital e nem para a corrupção, mas para o contracheque de trabalhadores.
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O que fazer?
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Entramos no momento limite para decisões, quando um passo certo ou errado pode ser decisivo para a luta. Podemos acreditar no conto da carochinha e abraçar a ideia de ˜negociar™ o projeto na CAEcomo alguns sindicalistas que apoiam o governo esboçam defender, na contramão do sentimento de indignação da categoria, que vai atropelar quem insistir em pôr panos quentes e ver avanços onde há retrocesso e brutal ataque aos servidores.
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Ou podemos partir verdadeiramente para a luta. Somar forças e unir nacionalmente todos os servidores. Organizar a paralisação do dia 29 de maio contra os ataques a direitos. Construir uma forte greve nacional em todo o Judiciário Federal e MPU. Ir para as ruas. Converter nossa indignação numa poderosa mobilização que faça Lewandowski tremer em seu gabinete, ao ponto de reagir e exigir do Executivo o respeito ao Judiciário. Nada disso é fácil. Mas nada disso é impossível. Só depende de nós.








