Nos dias 25 e 26, principalmente, vários jornais e sites noticiaram a aprovação do PL 7.920/14, pela Comissão de Constituição de Justiça da Câmara dos Deputados. Em quase nenhuma, os representantes dos servidores foram ouvidos.
Na grande maioria delas, o texto começava da seguinte maneira: Em tempos de cortes de gastos , e aí seguia a notícia. Esse texto, replicado por mais de dez sites e jornais, no Rio Grande do Sul e em outros estados, teve origem na Agência Estado e foi copiado e colado, sem checagem de informação. Os veículos, como Zero Hora, Jornal NH, Yahoo, já no início do texto, induziram seus leitores a ver o reajuste salarial dos servidores como algo negativo, na contramão do que seria o correto para o serviço público. Aliás, essa palavra é usada pela Folha de S. Paulo, que afirma que o projeto foi aprovado na contramão das discussões para reduzir gastos públicos . O jornal O Globo explica a seus leitores que a CCJ aprovou matéria que aumenta os gastos públicos , no momento em que o governo e mesmo aliados defendem cautela na apreciação de projetos que vão na contramão do ajuste fiscal .
Alguns veículos colocaram, ainda, os percentuais de escalonamento previstos no projeto, mas sem explicar aos leitores o que significam: 20% a partir de junho deste ano, 40% a partir de dezembro de 2015, 55% em julho de 2016, 70% a partir de dezembro de 2016, 85% em julho de 2017 e 100% a partir de dezembro de 2017 . Dessa forma, para quem não conhece a matéria, a impressão que fica é que a categoria vai acumular reajustes nos próximos anos, passando dos 300%.
Poucos foram os veículos de comunicação que ouviram a categoria, como o jornal O Dia (RJ). Os demais limitaram-se a fazer juízo de valor, sem explicar que os servidores estão há nove anos sem reajuste, que as perdas salariais acumuladas passam de 40% e que o projeto de reposição salarial está no Congresso desde 2009, ao mesmo tempo em que os de magistrados, ministros e parlamentares, os mais altos salários, foram reajustados no final de 2014.
O Sintrajufe/RS repudia a prática de veículos de imprensa que, buscando ludibriar a sociedade, tentam impor sua agenda política de perseguição aos servidores públicos ao publicar matérias que omitem fatos ou o ponto de vista da categoria sobre o tema. Da mesma forma, o sindicato reafirma a luta pela ruptura dos nove anos de arrocho salarial a que os trabalhadores do Judiciário Federal têm sido submetidos e convoca toda a categoria a participar da paralisação programada para o dia 8 de abril em todo o estado.








